11 Jul 2019 a 13 Jul 2019

A alegria como resistência no último dia de NOS Alive ‘19

A alegria como resistência no último dia de NOS Alive ‘19

O derradeiro dia de NOS Alive arrancou em força com Idles, mas nem Smashing Pumpkins nem Chemical Brothers conseguiram acompanhar o ritmo. Bon Iver fizeram o público feliz, MARINA pô-lo a dançar e Thom Yorke desafiou-o.

Sem rodeios e bem directos ao assunto foram os primeiros concertos do último dia de NOS Alive. Pelo palco principal, os espanhóis Vetusta Morla convenciam os muitos curiosos, depois de no palco Sagres os Rolling Blackouts Coastal Fever terem debitado o seu rock and roll sem espinhas. Os britânicos Idles viriam a elevar a fasquia bem mais alto, mas foi o bom aquecimento ainda assim.

Os Bon Iver já têm uma história feliz com o público nacional, mas se o último disco 22, A Million não encheu as medidas dos fãs do catálogo mais antigo da banda, este concerto pareceu encher as medidas, pelo menos em termos de alinhamento. No entanto, a música de Justin Vernon e companhia é delicada, pede silêncios e espaços que o palco principal do NOS Alive não consegue oferecer.

MARINA, que o público ainda reconhece maioritariamente como Marina & The Diamonds, fez a festa no palco Sagres. A sua indie pop fresca tem, no mais recente disco já como Marina, uma profundidade mais madura, e a sua voz algo operática permite-lhe encarnar os dois lados da sua música na perfeição. O espectáculo é simples mas eficaz, com bailarinos vestidos cada um de uma cor diferente, enquanto Marina está toda de branco. Temas como To Be Human, Primadonna, Baby e, claro, o êxito This Is How To Be a Heartbreaker foram as muito celebradas.

Talvez o concerto mais aguardado da noite, o tempo de antena dos Smashing Pumpkins no palco NOS acabou por ser um dos mais procurados. Apesar da longa carreira, são os clássicos que puxam o público, ainda que temas mais recentes soem surpreendentemente consistentes, tendo em conta as alterações no line up da banda. Com Bullet With Butterfly Wings, Ava Adore, 1979 ou Tonight, Tonight no alinhamento não haveria como dar um mau concerto, e com um público tão dedicado, só poderia ser especial. Billy Corgan até agradeceu, sorridente, as lembranças ao marcante concerto em Cascais, em 1996.

Ao final da noite o público dividiu-se entre quem quis espreitar o sempre brilhante Thom Yorke, que apresentou o seu último Anima (e não, não tocou Radiohead) e os sempre animados The Chemical Brothers, com um espectáculo visual notável.

Destaque ainda para a banda Variações, responsável pela banda sonora do filme com o mesmo nome que tem estreia marcada para 22 de Agosto. Liderado pelo actor Sérgio Praia, o grupo conta com direcção musical de Armando Teixeira (Balla) e actuou todos os dias do festival, no palco EDP Fado Café. Segundo conseguimos apurar, haverá ainda uma digressão nacional da banda que pretende homenagear António Variações, no ano em que se celebram 35 anos da sua morte.

Bandas há muitas, mas poucas serão tão importantes como esta

Os Idles provocaram uma das maiores enchentes desta edição no palco Sagres. Ao final do dia, o furacão punk britânico provocou muito mosh e crowdsurf num dos concertos mais marcantes do festival. Já por cá tinham passado (primeiro no NOS Primavera Sound e depois por Porto e Lisboa, a solo) e os fãs, claramente, já são muitos.

Joe Talbot lidera um gangue que fala punk como lígua materna e nunca dá menos do que tudo em palco. Enquanto Talbot entrega as letras frenéticamente, os guitarristas Mark Bowen e Lee Kiernan passam quase tanto espaço junto (ou em cima) do público como em palco. Além desta energia imparável em palco, que faz de qualquer concerto da banda de Bristol uma experiência única, há tudo aquilo que ultapassa a música.

Joy As An Act Of Resistance. O título do último disco dos Idles é exemplo da mensagem que passam. Prestes a terminar o concerto, Talbot não gostou da reacção do público ao anúncio do último tema “não, não vamos ser negativos! Vamos continuar positivos”, disse. Apresentou temas sobre doença mental (“falem sobre os vossos sentimentos, oiçam os vossos amigos – isso salva vidas), feminismo, anti-fascismo, imigração ou amor próprio.

O punk pode já não ser o que era mas nunca foi tão importante. Num mundo cada vez mais repleto de intolerância, os Idles lideram um batalhão de resistência que nos faz acreditar que sim, se calhar a música até pode salvar o mundo.

O NOS Alive está de regresso a 9, 10 e 11 de Julho de 2020 e a primeira confirmação é o regresso dos Da Weasel aos palcos para um concerto único (?) e exclusivo.

 

N.R.: Por decisão dos artistas não nos foi possível fotografar os concertos de The Smashing Pumpkins, Bon Iver e Thom Yorke.

Teresa Colaço  

Tem pouco mais de metro e meio e especial queda para a nova música portuguesa. Não gostava de cogumelos mas agora até os tolera. Continua sem gostar de feijão verde.


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Mais sobre: Bon Iver, Idles, MARINA, Rolling Blackouts Coastal Fever, The Chemical Brothers, The Smashing Pumpkins, Thom Yorke, Variações, Vetusta Morla


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