7 Jul 2016 a 9 Jul 2016

Podemos repetir tudo de novo? – O terceiro dia do festival NOS Alive 2016

Podemos repetir tudo de novo?  - O terceiro dia do festival NOS Alive 2016

Chegados ao terceiro e último dia do festival NOS Alive fomos brindados com sol e muito calor. A relva continuou verde e não houve cansaço que nos valesse: foi dia de Arcade Fire, M83, Band of Horses, Grimes, Paus e José González, entre outros.

Os vencedores do Festival Termómetro, os Whales, tiveram honras de abertura do palco Clubbing. Por aqui ainda iam passar nomes como Hana ou Mirror People. Este palco prima por se encontrar num local de passagem onde é possível parar para ver, rever ou conhecer pela primeira vez um artista ou banda. O mote deste palco é o de colocar todos a dançar.

O palco NOS arrancou às 18h com Agir. Goste-se ou não, Agir já é uma referência no panorama musical português. À sua espera estava uma plateia jovem e com as letras todas na ponta da língua. Houve lugar a um aquecimento musical e dançante por parte do DJ que acompanhou Agir e a banda durante todo o concerto, que contou com a participação de Filipe Gonçalves. Houve lugar para uma arriscada interpretação de Meu Fado Meu, de Mariza. A felicidade de muitos aconteceu com Tempo é dinheiro, Parte-me o pescoço e Makeup.

Agir-7684 Vê aqui todas as fotos de Agir no NOS Alive

Vetusta Morla preparam-se para entrar em estúdio para preparar o novo álbum. Até lá, acontecem apenas cinco concertos nos meses de Junho e Julho – e o NOS Alive fez parte deste roteiro. Os espanhóis Pucho (voz), Juan Manuel Latorre (guitarra), Guillermo Galván (guitarra), Álvaro B. Baglietto (baixo), David García “el Indio” (bateria) e Jorge González (percussão) trouxeram consigo o espectáculo que resultou no disco duplo ao vivo denominado 15151. Marcaram um dos momentos deste dia e certamente conquistaram fãs.

20160709194037-04_vetusta_morla-0056 Vê aqui todas as fotos de Vetusta Morla no NOS Alive

Entretanto, no palco Heineken já tinham tocado os Calexico e aguardava-se pelo sueco José González. Heartbeats foi cantado em uníssono e tornou-se num daqueles momentos para guardar junto ao coração: belo, mas belo.

No Clubbing desfilaram nomes como Isaura e Francis Dale. Na sua página de facebook, a cantora e compositora portuguesa partilhou uma fotografia que celebrava, de forma simbólica, a forma como Francis Dale tem vindo a fazer parte do seu percurso musical: as portas dos seus camarins, lado a lado.

Isaura-7903 Vê aqui todas as fotos de Isaura no NOS Alive

Pelas 21h45, os PAUS foram os protagonistas de um concerto forte e marcado pela entrega total dos músicos, no palco Heineken. O quarteto constituído por Fábio Jevelim, Hélio Morais, Joaquim Albergaria e Makoto Yagyu mostraram-se felizes por fazer parte do alinhamento de um palco que é muitas vezes apelidado de alternativo. Não é a primeira vez que são convidados a tomar parte do festival à beira Tejo plantado – e esperamos que não seja a última em que as baterias siamesas tomam conta do palco. Hélio mergulhou – literalmente – na multidão que só arredou pé pelo aproximar da hora do concerto dos canadianos Arcade Fire.

paus-8122 Vê aqui todas as fotos de PAUS no NOS Alive

Band of Horses é um quinteto oriundo de Seatle e que aproveitou a passagem pelo NOS Alive para apresentar temas do novo álbum Why are you ok. A  banda liderada por Ben Bridwell já tinha passado por Lisboa, em 2011, num concerto que teve lugar na Aula Magna. Neste festival a passagem da banda cumpriu, mas não se revelou muito marcante para quem passou andava pelo palco NOS.

Band of Horses-7923 Vê aqui todas as fotos de Band of Horses no NOS Alive

Após uma ausência de dois anos e de um mítico concerto realizado em 2005, em Paredes de Coura, Win Butler, Régine Chassagne, Richard Reed Parry, William Butler, Tim Kingsbury e Jeremy Gara voltaram a fazer as alegrias de muitos fãs. De Montreal para o mundo é já incontestável a importância dos Arcade Fire para o panorama musical. Os seus concertos ao vivo são sempre qualquer coisa de inesquecível – e o NOS Alive não foi excepção. Foram praticamente 2 horas de concerto, durante as quais desfilaram as músicas que todos queríamos ouvir: Ready to Start (com a qual iniciaram o concerto), The Suburbs, Reflektor, No Cars Go e Wake up. Foram quase tantas as músicas tocadas como o número de anos que a banda celebra: vinte.

20160709225107-08_arcade_fire-0095 Vê aqui todas as fotos de Arcade Fire no NOS Alive

Anthony Gonzalez e os seus M83 foram uma das primeiras confirmações da 10ª edição do Alive. Desde 2012 que a banda não tocava em terras lusas. Com 10 minutos de atraso – e pedido de desculpas pelo facto – a banda começou a dar-nos música com Reunion. Os M83 convidaram todos a dançar, com um alinhamento que cumpriu e com uma postura em palco com vários momentos de desafio ao público para participar no concerto.

m83-8314 Vê aqui todas as fotos de M83 no NOS Alive

Claire Elise Boucher foi a responsável por um concerto em que o animalesco, o futuro e a beleza se fundiram. O nome não vos diz nada mas se falarmos em Grimes certamente que conseguem viajar até músicas como Oblivion, Genesis ou Go que constaram do concerto. Deste fizeram parte, também, as músicas do último álbum, Art Angels, editado em 2015. Quem esteve presente no palco Heineken foi brindado com um Ave Maria, de Schubert, e um final daqueles que aconchega o coração e faz dançar com o corpo todo, em direcção ao futuro: OblivionWorld Princess Part II e Kill V Maim.

Foram três dias intensos, plenos de sol e de calor – e com aquele vento tão característico a picar o ponto pela noite dentro. Quem se deslocou ao Passeio Marítimo de Algés certamente não se sentiu defraudado com o cartaz nem com as experiências que o festival proporcionou. A relva sintética convidou os festivaleiros a sentar-se e a usufruir do Alive com menos pó – excepção feita para aquele que o vento nos traz. A nova Rua EDP resultou em momentos de lazer e tornou mais prazeiroso o passeio pelo recinto. Os concertos que aconteceram no EDP Fado Cafe estiveram sempre e literalmente a abarrotar. Quem diria que o fado ia conquistar tantos aderentes num festival onde o rock, o pop ou a música electrónica já constituem sonoridades habituais?

Keep calm and carry on, pois o NOS Alive 2017 já está marcado. Conforme foi adiantado em conferência de imprensa o festival que apregoa “O melhor cartaz. Sempre!” regressa ao Passeio Marítimo de Algés nos dias 6, 7 e 8 de Julho. Aguardamos as surpresas que a organização irá, a seu tempo, revelar. Até lá arrumamos a fita colorida que durante três dias pendurámos ao pescoço e os brindes que recolhemos dos vários stands presentes no recinto. Ao contrário dos outros anos, e graças à relva sintética não há muito pó para sacudir dos ténis ou das botas. Há, sim, bons momentos que ficaram registados nos vários posts que todos fizemos nas redes sociais – e os outros, que as câmaras não registaram e que vão direitinho para a gaveta das memórias a revisitar. Reza a lenda que quando o concerto é por demais absorvente não há tempo nem oportunidade para fazer um instagram ou um tweet. É só sentir. Aconteceu-vos neste festival?

20160709194846-04_vetusta_morla-0067 Vê aqui todas as fotos de ambiente no último dia do NOS Alive 2016

Confessamos: o Alive já deixa saudades e mal podemos esperar para regressar. Falta muito? É certo que por agora estamos todos a pensar no mesmo: a final do #euro2016. É altura de vestir a bandeira de Portugal e viver outras emoções. Basta sonhar – é grátis, já diz o filho da Srª D. Dolores.

Joana Rita  

Joana Rita é filósofa, criadora de conteúdos, formadora e investigadora. Ah! E uma besta muito sensível.


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