6 Jul 2017 a 8 Jul 2017

A folk, a pop e a loucura – assim terminou o NOS Alive’17

A folk, a pop e a loucura - assim terminou o NOS Alive'17

O derradeiro dia de NOS Alive foi o mais ecléctico dos três e viu a excelência dos Depeche Mode, as beleza das harmonias dos Fleet Foxes e a loucura dos Cage The Elephant.

Começámos a tarde no Coreto, com Duquesa. O músico de 26 anos, que na vida real dá pelo nome de Nuno Rodrigues e que também dá a cara pelos Glockenwise, apresentou as suas canções “romantico-melodramáticas” ao público presente. E não era pouco, esse público que recebeu a guitarra ecoada e a voz meio crooner que nos entrega canções como Norte Litoral (tema título do belíssimo disco de estreia), Ice Cream (o hit do EP de 2014) e até Heat, dos seus Glockenwise. Já não é a primeira vez que ficamos com pena de que os concertos neste palco tenham de ser tão curtos.

A caminho do palco NOS, ainda ouvimos os Plastic People (fotos) – a banda portuguesa vencedora do concurso EDP Live Bands deste ano tinha acabado de subir ao palco Heineken.

O palco principal do NOS Alive este ano teve sempre honras de abertura ao som de música portuguesa, e ontem os The Black Mamba, trio que respira soul e transpira funk, fizeram questão de abrir em festa. Apoiados por um coro, sopros e uma dose dupla de teclas, a banda apresentou temas que deixaram os presentes – muita juventude à espera de Kodaline (fotos) e Imagine Dragons, mas também muita velha guarda a marcar lugar para Depeche Mode – a abanar a anca. Pouco depois, Benjamin Booker (fotos) apresentou o seu garage blues aguerrido no palco Heineken.

E abanar a anca foi também o que muita gente fez ao som dos Spoon (fotos). Os texanos deram um belo concerto no palco Heineken, onde não faltaram temas mais celebrados da já longa carreira do grupo, como também alguns temas do mais recente Hot Thoughts. Underdog, Do You e Don’t You Evah foram alguns do momentos altos do concerto de fim de tarde. Britt Daniel esteve energético como sempre, e mostrou-se feliz com a recepção do público nacional. Regressam em Novembro aos Coliseus de Porto e Lisboa.

No palco principal, uma enchente cantava os êxitos pop dos Imagine Dragons. A banda de Dan Raynolds apresentou o seu mais recente disco Evolve e prometeu regressar em breve ao nosso país. A julgar pela reacção do público ao concerto dos americanos, não faltará quem os queira receber novamente.

Voltámos ao coreto para viajar com Benjamim. O português que lançou este ano um disco a meias com Barnaby Keen, intitulado 1986, utilizou ao máximo o pouco tempo de palco para apresentar as suas canções. Os Teus Passos foi a mais festejada pelo muito público que se juntou para o ver, mas Tarrafal e Terra Firme, a fechar, também puxaram pelas vozes dos presentes.

Seis anos. Foi o tempo de ausência dos Fleet Foxes, depois do último e celebrado disco Helplessness Blues e da saída do baterista – agora Father John Misty, então apenas Josh Tillman. O tempo de espera deu frutos num belo álbum, Crack Up, que volta a demonstrar as belíssimas harmonias da folk de Robin Pecknold e companhia, mas que é também menos imediato e mais intenso. As novas canções poderiam tornar o regresso dos Fleet Foxes ao nosso país um teste de resistência – em ambiente de festival, temíamos a impaciência do público -, mas afinal não havia com que preocupar. A banda é querida do público português, que acompanhou as melodias das mais recentes como cantou as dos discos anteriores (White Winter Hymnal e Helplessness Blues foram das mais acompanhadas). Pecknold chegou a perguntar se os conseguíamos ouvir com o barulho da “tenda de dança”, como lhe chamou – seria Mike El Nite no NOS Clubbing, ali ao lado -, mas o público estava em perfeita sintonia com a folk dos Fleet Foxes e não haveria nada que se pudesse intrometer naquele momento.

Excepto, talvez, os cabeças de cartaz da noite. O concerto de Depeche Mode obrigou-nos a abandonar o palco Heineken para presenciarmos o regresso dos veteranos de Essex ao nosso país. A banda de David Gahan, Martin Gore e Andy Fletcher já anda nisto há quase quatro décadas e tanta experiência só poderia resultar num grande espectáculo. A preocupação com o aspecto visual (tanto o desenho de luz como as projecções nos ecrãs – por vezes verdadeiras curtas-metragens) e o desfilar de grandes canções entregues de forma exímia provam a excelência da banda inglesa em palco. Mas é em David Gahan onde tudo se centra, na sua voz, na sua performance e no seu comando: é ele quem opera o espectáculo e quem manda no público. A apresentar o celebrado novo disco Spirit, o grupo trouxe poucos temas do álbum, sendo o single Where’s The Revolution o mais aclamado. A sequência de temas antes do encore (Everything Counts, Stripped, Enjoy The Silence e Never Let Me Down Again) provou-se infalível e foi aí que o público mais se mostrou. A sedutora I Feel You e o êxito Personal Jesus fecharam um concerto onde os Depeche Mode cumpriram a sua excelência. *

Ainda os últimos acordes de Personal Jesus soavam no palco NOS quando nos começámos a aproximar do palco Heineken e testemunhámos a pequena multidão que o rodeava. Chegar perto da tenda já era tarefa difícil e lá dentro a festa fazia-se ao som de Cage The Elephant. Matthew Shultz e companhia já têm uma conhecida história de amor com o público nacional e, mais uma vez, pudémos testemunhá-la. Só as cavalitas víamos dezenas, por todo o público, de braços abertos entregues às canções do grupo de Kentucky. Cold, Cold, Cold, Trouble, Ain’t No Rest For The Wicked ou Too Late To Say Goodbye, foram cantadas por toda a plateia. No palco, a banda correspondeu: Matthew Shultz salta por todo o lado, e o irmão, Brad Shultz, chegou a levar a guitarra para a primeira fila. É a loucura controlada de uma banda que já foi mais imprevisível em disco, mas que continua a sê-lo em palco.

O final de noite do derradeiro dia de NOS Alive foi marcado pela música de dança. No palco NOS Clubbing, Xinobi, Da Chick e Moullinex celebraram os 10 anos da editora Discotexas com convidados e uma banda notável. Não faltaram ananases (a mascote da editora) nem belos temas como o mais recente Love Love Love, de Moullinex. Já o palco Heineken recebeu os The Avalanches, grupo australiano que regressou aos discos 16 anos depois do incrível Since I Left You. O corta e cola musical do agora duo Robbie Chater e Tony Di Blasi regressou o ano passado com Wildflower e fez a delícia de todos os que ocupavam o espaço do palco secundário do festival. Para além dos dois músicos, uma energética banda de suporte e dois vocalistas vão alternando entre si e interpretando o papel dos convidados do disco (Kendrick Lamar, Father John Misty e Danny Brown, por exemplo).

Houve ainda tempo para as excentricidades de Peaches, que fechou o festival com a extravagância esperada.

A 11ª edição do NOS Alive recebeu 165 mil visitantes durante os três dias e teve este ano o seu primeiro bebé. Com a novidade do espaço grávidas, muitas futuras mães puderam usufruir do festival numa zona própria, e uma delas acabou mesmo por ter de abandonar o recinto durante o concerto de The XX para vir a ser mãe de Rodrigo, que terá nascido 23h depois. Outra novidade do festival este ano foram os pontos de recolha de copos de plástico. A organização optou pela utilização de copos de plástico biodregradável e convidou o público a recolhê-los, quem entregasse 30 copos recebia de volta uma t-shirt e foram muitos a fazê-lo: nos primeiros dois dias de festival, cerca de 83 mil copos tinham sido recolhidos desta forma. O NOS Alive regressa ao Passeio Marítimo de Algés nos dias 11, 12 e 13 de Julho de 2018.

 

Vai ser tão bom, não foi?

Ontem foi a vez do Ruim nos dar conta das suas expectativas para o último dia de NOS Alive. à noite voltou a falar connosco. Vê aqui o vídeo.

 

* Nota de redacção: Por opção dos artistas não nos foi possível fazer registo fotográfico do concerto de Depeche Mode

Teresa Colaço  

Tem pouco mais de metro e meio e especial queda para a nova música portuguesa. Não gostava de cogumelos mas agora até os tolera. Continua sem gostar de feijão verde.


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Mais sobre: Benjamim, Benjamin Booker, Cage The Elephant, Depeche Mode, Duquesa, Fleet Foxes, Imagine Dragons, Kodaline, Mike El Nite, Peaches, Plastic People, Spoon, The Avalanches, The Black Mamba, The Discotexas Band


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