Elton John no Meo Arena: Pompa, circunstância e brilhantes Swarovski

Elton John no Meo Arena: Pompa, circunstância e brilhantes Swarovski

A Wonderful Crazy Tour fechou ontem em Lisboa.

Muita cor e algumas surpresas numa noite em que Elton John não se cansou de agradecer e saudar o público português, além de elogiar o clima deste retângulo à beira-mar plantado que parece ter encantado o músico inglês, cada vez mais solto e simples na sua abordagem aos fãs – um gentleman.

Foi para um Meo Arena cheio que Elton John deu duas horas e meia de um espetáculo que arrancou em modo instrumental na sua (agora oficial) pontualidade britânica. Os cinco músicos que o acompanham surgem todos sorridentes, há pandeiretas a serem atiradas para o ar, como se se tratasse de malabarismo, e a festa contagia de imediato. Sir Hercules surge com o seu já habitual fato cravado de brilhantes, repetindo, desta vez, as cores com que atuou no Meo Marés Vivas deste ano: preto e vermelho. Toda a sala está nestas cores, desde as luzes de palco, à gigantesca passadeira em cima da qual damos passos fofinhos a caminho do lugar.

Começamos a animar com um tema já de 1974, do álbum “Caribou”, ‘The Bitch is Back’, que chegou a ser proibido nas rádios dos Estados Unidos e que Tina Turner também escolheu gravar. Seguiu-se ‘Bennie and the Jets’, ainda mais antiga, e ‘I Guess That’s Why They Call It The Blues’, lançada em 1983. Parece que estamos a assistir a um casamento, tal é o brilho, mas também porque aqui e além começam alguns pares a querer dançar desajeitadamente. Ainda é cedo e os seguranças acabam com a animação.

Elton John volta, aqui, a dirigir-se ao público, em português, elogiando a cidade e o estado do tempo, lembrando que o concerto a que estamos a assistir encerra a sua “Wonderful Crazy Tour”. Segue-se ‘Daniel’ e já há gente a aplaudi-lo de pé.

Este mais recente álbum, “Wonderful Crazy Nights”, já lançado em fevereiro deste ano, vem repleto de boa energia, de cores, de pensamentos otimistas. Ao Meo Arena Elton John trouxe um repertório feito de grandes êxitos de outros tempos, mas incluiu canções deste mais recente trabalho. ‘Looking up’ e ‘Good Heart’ mantiveram o público atento, nem que fosse pelo aviso de Elton John: “Uma das minhas favoritas. Para os apaixonados”.

Sem se esquivar à época festiva que atravessamos, o músico, de 69 anos, mostrou o quanto a ponta dos seus dedos está num pico de jovialidade e faz um medley de canções de Natal, com ‘Jingle Bells’ e ‘We Wish You a Merry Christmas’ a destacarem-se.

Segue-se uma enxurrada de temas fortes como ‘Rocket Man’, com o cenário a mostrar imagens do globo terrestre. De recordar que, este ano, Elton John autorizou Slash a regravar este sucesso de 1972. A nova versão tem por objetivo homenagear o duplo Eddie Braun que tentou reproduzir o mítico “vôo de foguete” de Evel Knievel, realizado originalmente em 1974, sobre o Rio Snake, em Idaho, nos Estados Unidos.

Com ‘Tiny Dancer’ e ‘Levon’, ambas do seu quarto álbum, “Madman Across the Water”, de 1971, levam alguns casais às já previsíveis demonstrações amorosas em público. Dançar abraçados num concerto destes só pode ser bom. ‘Yellow Brick Road’ pôs o palco todo a amarelo e muitos, centenas, de telemóveis acesos na plateia. Os agudos de outros tempos não se ouvem mas toda a banda ajuda à canção de 1973. Caramba, já passou assim tanto tempo? Não aparece, afinal o álbum que ganhou o nome deste tema foi o mais tocado no Meo Arena.

A cantoria havia de continuar com ‘Sorry Seems To Be the Hardest Word’ e ‘Your Song’, tão aplaudidas que muitos não resistem a levantar-se e aproximar-se das primeiras filas. Valia a pena porque vinha aí ‘Sad Songs (Say So Much)’ diretamente dos anos 80.

Onde o tempo não parece passar é entre os músicos de Elton John. John Mahon (percussão), Kim Ballard (teclas) e Matt Bissonette (baixo) foram os primeiros a ser apresentados. A forte ovação veio para Nigel Olsson, na bateria, e Davey Johnston, na guitarra, ambos companheiros de estrada de Elton John desde 1969. Olsson é um velhote encantador e cheio de charme, que toca bateria de gravata e luvas brancas. Curiosamente, nem a equipa de luz, som e catering escapa aos elogios de John.

Com ‘Don’t Let The Sun Go Down On Me’, o artista britânico lembrou o seu amigo, escritor e crítico gastronómico, AA Gill, de 62 anos, que falecera no dia anterior. O ânimo arrebita a seguir com ‘I’m Still Standing’ e, pouco depois, a saída de palco.

O encore começa com Elton John a circular junto ao público das filas da frente, sempre a dar apertos de mão e a autografar discos que lhe vão passando. Notam-se algumas dificuldades no andar mas a simpatia é genuína, apesar de nem sempre visível quando está ao piano.

‘Candle in the Wind’ e ‘Crocodile Rock’ ouvem-se a fechar e com toda a gente a dançar. Não houve despedidas. Apenas um “até breve” que muito agradecemos.

Daniela Azevedo  

Jornalista, curiosa sobre os media sociais, viciada em música, gosta da adrenalina do desporto motorizado. Amiga dos animais e apreciadora de dias de sol. Acha que a vida é melhor quando há discos de vinil e carros refrigerados a ar por perto.


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