18 Jun 2022 a 26 Jun 2022

De volta aos anos 80, no Rock In Rio Lisboa

De volta aos anos 80, no Rock In Rio Lisboa

O Palco Mundo abriu, neste segundo fim de semana, com Bush. O rock com um toque grunge de Bush pede um concerto de noite e não um concerto de tarde com tanto sol. Uma banda britânica que, apesar da sua nacionalidade, sempre teve mais sucesso nos Estados Unidos.

O público teve a oportunidade de tocar em Rossdale várias vezes, porque desceu com frequência ao corredor central, sempre muito entusiasmado e muito feliz com o amor que recebia do público. Gavin Rossdale tem 56 anos, mas não aparenta e até puxou ativamente pela plateia, ultrapassando as barreiras de emergência. Glycerine foi a música de que todos os fãs estavam à espera, e aquela onde mais se fizeram ouvir. Muito grato pelo amor que recebeu, nem assim o grupo fez com que o concerto durasse a hora que prometia: acabou rápido e nem tivemos direito a encore. Os Bush conduziram um bom concerto para aquecer o público para as bandas a seguir.

Assim que acaba o concerto de Bush temos de correr para o lado oposto do recinto para chegar a tempo do concerto de António Zambujo. Vindo diretamente do Alentejo, e trouxe mesmo a região na voz. Seria um concerto “fácil” para Zambujo, que tinha desde o início o público do seu lado, contudo o cantor conseguiu trazer o concerto para um ambiente intimista. Zambujo exclama com sentido de humor: “Está tanta gente aqui que estou a sentir-me a Ivete Sangalo”.

Antes de fechar ainda passamos pelas mais conhecidas com Conhecer-te um dia, Flagrante e fecha com o público a cantar em uníssono com António Zambujo, o Pica do Sete. Deixa ainda o apelo para que o público venha ver o concerto de um dos seus heróis, Ney Matogrosso.

No fim de tarde, e de volta no Palco Mundo, começam a atuar os UB40 com Ali Campbell. Os UB40 não são, nem nunca serão, uma banda de covers, mas são precisamente as versões reggae de músicas já conhecidas que são os maiores sucessos de UB40. O dia 3 de Rock In Rio foi quase um “revival” dos anos 80, e a banda inglesa com uma sonoridade reggae pop veio juntar-se à festa.

Já com o vale da Bela Vista a encher, o concerto dos UB40 foi exatamente aquilo de que se estava à espera, uma banda competente e com a voz sedosa de Ali Campbell. O percussionista teve muitos solos onde mostrou toda a sua perícia. Passamos ainda por uma versão de Purple Rain de Prince, cantada por muitos dos festivaleiros, mesmo os que foram surpreendidos por esta versão. Um concerto que apela
ao amor e mostra muitas vezes, nos ecrãs do palco, membros do público em demonstrações de afeto, lembrando a “Kiss Cam” da NBA. O concerto corria bem e ainda não tínhamos chegado às duas músicas que o Rock In Rio tanto queria ouvir, Can’t Help Falling In Love e Red Red Wine.

De volta ao outro lado do Parque da Bela Vista, no Galp Music Valley, começa o espetáculo de Ney Matogrosso, com 80 anos e a caminho dos 81, e veio com muita energia, preparado para dançar. Com vídeos quase psicadélicos a passar nos ecrãs, cantou versões de músicas brasileiras de Chico Buarque, de Rita Lee e até de Raul Seixas.

Passando do excêntrico Ney Matogrosso com oitenta anos, para os A-ha dos anos oitenta… Às nove da noite a banda norueguesa de synth-pop sobe a palco, com o público ainda algo frio, também devido à hora de intervalo distância entre os concertos no palco principal do festival. Com o avançar do concerto, o público fica mais confortável, graças também à introdução de músicas que conhece melhor. Magne Furuholmen, no teclado, levou-nos para o mundo dos sintetizadores dos anos oitenta. Um concerto que não ganha só pela nostalgia, mas também pelo bom espetáculo que os A-ha ainda conseguem dar, com alguma sobriedade, também própria dos escandinavos.

 

Já a chegar perto do fim do concerto, o público fica a 100% com a banda na Hunting High and Low, que tivemos a oportunidade de ouvir em duas versões, tanto em acústico, como a versão completa da música, que converteu esta balada num momento épico. The Sun Always Shine On TV contou com muita energia, tanto da banda como do público, que conduz o concerto para o fim que todos esperam com The Living Daylights, música do filme de 1987 do James Bond com o mesmo nome, muita energia e com muita interação com o público. Chega a hora de Take On Me com uma interpretação irrepreensível dos A-ha, mesmo trinta e sete anos após a música ser lançada. Ovacionados pelo público, este foi mesmo um concerto inesquecível para os A-ha e para nós.

Continuando pelos anos oitenta, “mudamos de canal” para os Delfins. Quase um concerto de best hits da banda de Miguel Ângelo. Não só de hits dos Delfins como A queda de um anjo e Um Lugar Ao Sol foi composto este concerto; passámos também pela versão da Canção de Engate, de António Variações.

Para fechar a noite do Palco Mundo, vêm, também diretos dos anos oitenta, os Duran Duran. Simon Le Bon, Roger Taylor, Nick Rhodes e John Taylor entram em palco com a energia de quem começou a carreira recentemente, mas com a experiência de quem já está no mundo da música há quarenta anos.

A banda de Birmingham manteve-se fiel a si própria e cumpriu num concerto para dançar. Com um baterista, Roger Taylor, sempre com muita energia e a pautar o concerto, os Duran Duran pegaram no concerto primeiro com as músicas mais recentes do álbum de 2021. Contudo, só tiveram o público ao seu lado a partir das músicas dos anos 80, com Hungry Like the Wolf e Friends of Mine.

Ainda antes de saírem de cena ouvimos uma versão misturada de Girls on Film e Acceptable in the 80’s. Saem de palco e o público pede mais, voltam do encore para cantar Save a Prayer e fecham a atuação com o clássico Rio.

Tomás Lampreia  

O Tomás gosta de ler, escrever, ouvir e ver. Tem 19 anos e é estudante de Jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social. Sonha ser tudo, mas ainda não é nada.


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Mais sobre: a-ha, Ali Campbell, António Zambujo, Bush, Delfins, Duran Duran, Ney Matogrosso, UB40


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