16 Ago 2017 a 19 Ago 2017

Em Coura, “Sê-lo Verde” – e Courense, claro! – Vodafone Paredes de Coura

Além da boa música e da moldura verde que tornam o Vodafone Paredes de Coura num festival único, há ainda uma série de iniciativas que merecem o nosso destaque. Falamos do Sê-lo Verde e das sessões de leitura, Vodafone Vozes de Escrita, que arrancaram no dia 17 de Agosto.

Nem só de música vive este festival: pelo terceiro ano, no Jazz na Relva, fomos brindados com a primeira das duas sessões de leitura inéditas, as Vodafone Vozes da Escrita. Ontem, 17 de Agosto, foi a vez de Tomás e Catarina Wallenstein. O músico Tomás e a actriz Catarina partilham o apelido e partilharam leituras com os campistas. Foram recebidos com calorosos aplausos e o mesmo aconteceu na despedida. Hoje, dia 18 de Agosto, a palavra é dada a Marta Ren e Miguel Guedes – pelas 13h.

Mais tarde chegaram os Nothing, à boleia de uma outra iniciativa musical, as Vodafone Music Sessions. São concertos que acontecem em locais secretos e que, por isso, aguçam a curiosidade dos festivaleiros. Desta vez, o local escolhido foi mesmo o campismo. Os feixes de luz entre as árvores e a brisa leve que se fazia sentir tornaram este no cenário perfeito para uma das boas surpresas do dia. Em tom mais íntimo e melodias a roçar o acústico, os Nothing deixaram ao público a promessa de um bom concerto, agendado para as 19h, no palco Vodafone.FM.

Às 18h00 os Sunflower Bean fizeram as honras e abriram o palco Vodafone.FM. Quem esteve presente teve a oportunidade de assistir ao concerto protagonizado por uma vocalista de voz poderosa, Julia Cumming. Julia, Nick Kivlen e Jacob Faber formam uma banda, em geral, bem-disposta. Meia hora mais tarde, no palco Vodafone, foi a vez dos portugueses You Can’t Win, Charlie Brown saudarem o público. Este ocupava, sentado, o anfiteatro, acompanhando o seu espetáculo, na companhia do por do sol. A temperatura foi arrefecendo, mas no que a música diz respeito, estávamos apenas em fase de aquecimento.

Prova disso foram os Nothing, às 19h00 regressaram para provar que a performance da tarde foi apenas uma amostra do que conseguem fazer. Domenic Palermo, Bradon Setta, Kylie Kimball e Nick Bassett assumiram, no palco Vodafone.Fm, um estilo bem mais ousado e barulhento. Fizeram as maravilhas daqueles que foram arrastados pela curiosidade do pequeno show no campismo. Um bem-haja aos artistas polivalentes e voltem sempre!

De regresso ao palco principal, os Car Seat Headrest cativaram em absoluto a plateia. O indie rock dos americanos não deixou espaço para desilusões. Também muito apreciada por entendedores do lo-fi, a carreira a solo de Will Toledo que, a medo, foi crescendo. Hoje é uma fonte de êxitos reconhecidos, dos EUA até Paredes de Coura. Em formato banda, Toledo trouxe-nos Teens of Style e nós agradecemos.

O início da noite reservava, ainda, dois concertos: no palco Vodafone.FM, Timber Timbre, e King Krule  no palco Vodafone. Archy Marshall era um dos nomes mais esperados da noite. Archy é cantor e compositor, toca teclado e guitarra e anda nestas lides desde 2010. Com 22 (quase 23 anos, pois está prestes a celebrar mais um aniversário), o artista conquistou o público com temas como Little Wild. Foi a sua segunda vez em Portugal – a primeira aconteceu no Porto, em 2012, no Vodafone Mexefest. E, querido rei, por nós, podes voltar.

De Los Angeles para Paredes de Coura: os Ho99o9. TheOGM e Eaddy impressionam facilmente todos aqueles que, pela primeira vez, assistem a um concerto seu. Dominam o palco e a plateia de lés-a-lés, desde o momento que pisam o cenário. São o equivalente a um tsunami sonoro: levam tudo de arrasto. A energia que põem em palco é contagiante, a brutalidade do hardcore e a intensidade do hip-hop resultam da forma mais improvável. A única coisa a esperar é mesmo imprevisibilidade e… crowd-surfing na plateia.

Alguém pediu uma boa dose de riffs de guitarra bem rasgados? Pelos vistos sim, e foram os At The Drive-In que a serviram. O palco Vodafone mal chegou para a vitalidade dos músicos, deram tudo o que tinham e não tinham. Jim Ward, Cedric Bixler-Zavala, Omar Rodríguez-López, Paul Hinojos e Tony Hajam atuaram de coração aberto para uma plateia sem fim, que a certo ponto, assistia em modo mosh massivo e head banging.

O fecho do palco Vodafone ficou a cargo de Nick Murphy (aka Chet Faker). Apresentou-se mais genuíno após adotar o seu próprio nome e deixar o artístico de parte. No entanto, é difícil esconder que os momentos altos foram os êxitos mais antigos como Gold e Talk is Cheap. Agora, mais do que nunca, o sintetizador é o seu melhor amigo. O público, numa primeira fase reticente, acabou extasiado, praticando o go with the flow. “Estranha-se e depois entranha-se”, já dizia o poeta. No final, as luzes dos telemóveis iluminaram a colina ao som de (Stop me) Stop you. Público conquistado – drops mic.

A festa continuou no palco Vodafone.FM tempo, para after hours, com Jambinai a entrar em cena a partir das 2h e Marvin & Guy a encerrar o 2º dia às 3h.

Há boa música, há bom ambiente e, em Paredes de Coura, há ainda o Sê-lo Verde. O Vodafone Paredes de Coura é dos festivais mais verdes de Portugal. O fato de estar inserido num espaço único, em harmonia com a natureza, traz responsabilidades acrescidas. A organização tem-se revelado cada vez mais à altura do desafio. Os famosos copos reutilizáveis começaram oficialmente a ser utilizados e investiu-se na educação e sensibilização para a sustentabilidade ambiental. Na mobilidade (shuttles), nos gifts + Eco sustentáveis e ainda na interação com o público através de concursos fotográficos de temática ambiental. Verde mais verde, não há!

P.S.: Os bilhetes para o terceiro dia, 19 de agosto, esgotaram. O que significa? Bom, que a azáfama vai ser ainda maior, no sábado. A culpa será certamente de nomes como Benjamin Clementine e Foals. Até lá, a festa faz-se com BadbadNotGood, Japandroids e Beach House. Consulta a programação completa aqui.

 

Edição de Joana Rita 


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Mais sobre: At The Drive-In, Car Seat Headrest, Ho99o9, King Krule, Nick Murphy (Chet Faker), Nothing, Sunflower Bean, Timber Timbre, You Can't Win Charlie Brown


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Ângela Afonso  

1,60m de aleatoriedade, inspirada por coisas e pessoas boas. Vive para as artes e as letras. A sua religião é a música e mora atrás da lente da câmara fotográfica. Minhota da cabeça aos pés e em tudo o que diz. (O mau feitio é mito)

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