11 Jul 2019 a 13 Jul 2019

A nostalgia de Cure e Ornatos, a injustiça de Jorja e outras histórias – O primeiro dia de NOS Alive ‘19

A nostalgia de Cure e Ornatos, a injustiça de Jorja e outras histórias - O primeiro dia de NOS Alive ‘19

The Cure, Ornatos Violeta, Jorja Smith e Robyn foram os destaques de um dia que também teve Linda Martini, Mogwai, Sharon Van Etten e Weezer.

Demorou, mas ao fim do dia lá esgotaram os bilhetes para entrar no Passeio Marítimo de Algés. Afinal, era óbvio que, este ano, seria o primeiro dia aquele que mais povo chamaria, não estivéssemos a falar de um regresso a solo nacional de The Cure em modo de celebração e do regresso aos palcos no geral desse fenómeno chamado Ornatos Violeta.

Muito mais houve, tarde e noite adentro, num NOS Alive que se mostrou estranhamente vazio ao longo do dia.

Vimos quatro amigos de Queluz a despejarem o seu rock desenfreado cujas letras e riffs já fazem parte do tecido musical desta nova geração de melómanos nacionais. Os Linda Martini voltaram ao palco NOS (depois de por lá terem passado em 2013) para juntarem uma simpática moldura humana – Hélio Morais, na bateria, chegou a brincar com o público que se se chegasse à frente tinha mais sombra – e levantarem coros em temas como Amor Combate ou Cem Metros Sereia.

Pelo palco secundário já Sharon Van Etten apresentava os temas do seu novo Remind Me Tomorrow quando lá passamos. A norte-americana regressou a Portugal cinco anos depois e trouxe rock and roll, voz no ponto e uma pinta inimitável. Por falar em pinta inimitável, os Weezer trouxeram ao palco principal do NOS Alive os clássicos que sabíamos que queríamos ouvir (Say It Ain’t So, Beverly Hills) e os que nem sabíamos. Take On Me, dos A-ha, foi surpresa agradável, mas foi com a mítica Africa, dos Toto, que os festivaleiros foram ao rubro.

De seguida, o povo começou a aumentar junto ao palco NOS, a massa humana já se estendia ao longo do recinto do palco principal e havia um sentimento especial no ar. Quando entraram em palco, os Ornatos Violeta foram recebidos por uma ovação tremenda – parecia que ali é que a noite ia verdadeiramente começar. E começou tão bem. Vimos crianças às cavalitas a debitarem letras do início ao fim, jovens nos seus vintes a delirarem e grupos de adultos a celebrar cada acorde. Em palco, a banda de Manel Cruz celebrava o vigésimo aniversário de O Monstro Precisa de Amigos, mas na plateia o festejo era por toda uma banda, uma era e uma nostalgia que podiam ali viver novamente. Ouvi Dizer, Chaga, Dia Mau e Capitão Romance foram, naturalmente, os temas mais celebrados.

Não sabemos o que será preciso uma mulher fazer para poder tocar a solo no palco principal do NOS Alive. Tal nunca aconteceu, mas o que Jorja Smith tem feito na sua ainda curta carreira e fez ontem no palco Sagres deveria ter sido suficiente. Em 2018, venceu o Critics’ Choice nos Brit Awards para, este ano, vencer a categoria de British Female Solo Artist. Tem 22 anos, uma voz incrível, uma sensibilidade R&B notável e teve uma tenda a abarrotar a acompanhar cada palavra e cada sorriso seu. Dos concertos especiais, que merecia melhores condições (Jorja acusou o muito calor que se sentia na tenda e o som, pelo menos para quem nem na tenda conseguiu entrar, estava muito aquém). Esperemos que volte para um palco mais digno.

Enquanto o pós-rock dos experientíssimos Mogwai ecoava pelo recinto, na ponta oposta, encontrámos uns afáveis Vaarwell. A banda portuguesa actuou no palco Coreto e captou a atenção de muitos com o seu indie pop com pitadas de R&B e electrónica.

Às 00h15 chegaram os muito aguardados The Cure. Robert Smith e companhia regressaram três anos depois ao nosso país mas este não seria um regresso qualquer. A celebrar 30 anos de Desintegration, a banda de Crawley trouxe um alinhamento surpreendente e ofereceu um grandioso concerto. Começou com Shake Dog Shake, passou por Push, From The Edge Of The Deep Blue See e Just One Kiss, levou corações ao alto em Just Like Heaven, Lovesong, Pictures Of You e In Between Days e foi ao mais profundo em The Forest ou One Hundred Years. Só com o set principal já estava a noite ganha, mas ainda faltava o encore. Para o povo cantar, chegaram então Lullaby, Firday I’m In Love, Close To Me e Boys Don’t Cry. Final festivo e um Robert Smith sorridente e dançante, a debitar “oubreegadous” aqui e ali. Que mais se podia pedir?

Para os mais dançarinos, Robyn compôs a tenda do palco Sagres com o seu electro pop contagiante. Dona de êxitos como Dancing On My Own ou Call Your Girlfriend, a cantora sueca trouxe cenografia, coreografia e uma voz no ponto. Infelizmente, o concerto apenas durou uma hora e coincidiu com o longo espectáculo de Cure no palco principal, porque Robyn merecia ter tido mais público.

O NOS Alive ‘19 continua hoje com concertos de Vampire Weekend, Primal Scream, Johnny Marr, Gossip ou Grace Jones.

Teresa Colaço  

Tem pouco mais de metro e meio e especial queda para a nova música portuguesa. Não gostava de cogumelos mas agora até os tolera. Continua sem gostar de feijão verde.


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Mais sobre: Jorja Smith, Linda Martini, Mogwai, Ornatos Violeta, Robyn, Sharon Van Etten, The Cure, Vaarwell, Weezer


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