Uma dor imensa – Pain of Salvation e Forgotten Suns no RCA Club

Uma dor imensa - Pain of Salvation e Forgotten Suns no RCA Club

Não muito depois de Portugal ser eliminado do Mundial da Rússia, o RCA encheu-se para receber os suecos Pain of Salvation. Além de muito mais, o concerto serviu para sarar as feridas. Nunca a dor foi tão boa.

O relógio já ia bem para lá da uma manhã quando, após uma emocionante In The Passing Light Of Day, a faixa que dá título ao mais recente, aplaudido, e motivo para o regresso dos veteranos Pain of Salvation a Portugal, termina. O público que enchia o RCA estava rendido a uma actuação de uma banda que teima em não desiludir, seja em disco ou ao vivo. Foi um final digno de uma noite que, para nós portugueses, até nem tinha começado bem para os lados da Rússia.

Formados no longínquo ano de 1984 sob o nome de Reality, os suecos apenas conheceram o sucesso uma década mais tarde com a mudança para o nome de hoje e após o lançamento do disco de estreia, Entropia, corria o ano de 1997. Ao longo destas duas décadas, a banda cimentou a sua posição com mais de uma dezena de discos que, nesta noite, de uma forma ou de outra, foram revistos por uma banda que enche o palco do RCA, seja pelo jogo de luzes, seja pela qualidade e intencionalidade com que o quinteto, liderado por Daniel Gildenlöw, se apresenta em palco. A partir do momento que a banda inicia a Full Throttle Tribe o público exulta e a celebração começa. Desde logo fica a sensação, ao olhar para a postura de Gustaf Hielm, o frenético guitarrista que, a espaços, lembra Flea, dos Red Hot Chilli Peppers, mas é só uma sensação. Que é o mesmo que dizer que, em cima do palco, enquanto a banda toca Reasons e Meaningless (primeiro momento alto do concerto), ambos retirados de In The Passing Day of Light, de uma semelhança vocal, e de presença de um Gildenlöw que lembra Sting. São só impressões, pois em cima do palco tudo é permitido aos suecos. Entre promessas de esquecimento sobre futebol, o música diz que hoje ainda se vai a tempo de vencer e, pelos vistos, no RCA fomos menos mas ruidosos, talvez os mais ruidosos, segundo a banda. Tecnicamente perfeitos e com um set preparado a dedo, não faltaram temas como Rope Ends ou King of Loss, este último de The Perfect Element I, ou Silent Gold. Temas que, com uma lenta intensidade nos prendem a um som que ora progressivo, ora pesado nos remete para as tão faladas mil e uma noites. No fim, a redenção com o regresso a 1998 e Inside e a já referida, In The Passing Day Of Light, dedicada à esposa de Gildenlöw. Se existiam dores ou males, eles foram desfeitos nesta noite de Sábado.

Antes deles já os Forgotten Suns, tinham subido ao palco. Pontualmente, às 22h00, a banda de Nio Nunes e Correia sobe ao palco para nos aquecer a alma. Como sempre, os lisboetas foram uma banda segura e, quiçá, cada vez mais segura e intensa nos seus concertos. Atitude e malhas não lhes faltam. Nio Nunes é um comunicador nato. Ao longo de uma hora o quinteto apresenta o seu rock, nem sempre progressivo, mas suficiente bom para se alimentar da energia de temas como In Harm’s Way ou When Worlds Collide, ambos do último registo. Sem esquecer a posição em que estão, os lisboetas souberam ser a anestesia para o tratamento que viria a seguir. Foi mais um concerto de Forgotten Suns, e quem já os viu, sabe do que falo.

 

Texto e foto: Nuno Lopes
Edição: Daniela Azevedo

Nuno Lopes  

Melómano convicto, dedicado ás sonoridades mais pesadas. Fotógrafo, redactor, criativo. Acredita que a palavra é uma arma. Apesar de tudo, até é boa pessoa.


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