14 Jul 2022 a 16 Jul 2022

Tangana transformou Lisboa em Madrid no segundo dia do SBSR

Tangana transformou Lisboa em Madrid no segundo dia do SBSR

Tangana fez um concerto completamente irrepreensível! Não tinha o slot de cabeça de cartaz, mas a verdade é que quem veio ao Super Bock Super Rock nesta sexta-feira foi muito provavelmente para ver Antón Alvárez Alfaro. A maior enchente do Palco Super Bock foi para o bar de Tangana.

Quando veio a Portugal pela primeira vez, em 2019, C. Tangana era um trapper espanhol e encheu o Music Box, no Cais do Sodré. Passados três anos, Tangana é um artista na plenitude da palavra. Uma autêntica celebração da música espanhola e latina com flamenco, bossa nova, tango argentino e muito mais. El Madrileño é um álbum muito completo e que levou Tangana ao “mainstream” espanhol.

coO espetáculo que dá é baseado na sonoridade e no universo de El Madrileño, conta com cerca de vinte pessoas em palco, cada um tem a sua função e estão todas muito bem oleadas. De rajada, Tangana canta três das músicas mais conhecidas, que leva o público ao delírio: Comerte Entera, Demasiadas Mujeres e Ateo – a música de C. Tangana com Nathy Peluso e todos esperávamos que Nathy subisse a palco, visto que atuou apenas duas horas antes neste mesmo palco.

Com a tour Sin Cantar Ni Afinar, a música de Tangana ganha uma dimensão de grandiosidade que nenhum outro concerto do Super Bock Super Rock teve até agora, e, muito dificilmente terá até ao fim deste festival. O público entregou-se a 100% e foi um concerto memorável. Tudo pareceu um autêntico videoclipe pensado ao pormenor. C. Tangana provou ser tudo aquilo que é nas plataformas de streaming e muito mais.

Nathy Peluso foi a artista que teve a função de aquecer o público para C. Tangana, e, curiosamente, colaboraram em Ateo. A expectativa era que ouvíssemos pelo menos uma versão de Ateo com os dois, mas a verdade é que tivemos direito a duas versões: uma em cada concerto e bastante diferentes.

Chega a hora do concerto e aparece uma cortina em palco. Por detrás da cortina, em pose de super-mulher, aparece Natalia Peluso. Nathy tem uma performance ardente e acompanhada por uma belíssima banda. O público nas primeiras filas fica entusiasmado com cada música trazida pela argentina-espanhola. O único ponto negativo a destacar é mesmo a qualidade do som – Nathy foi atraiçoada pela acústica do Altice Arena.

Acompanhada por uma grande banda e com muita dança pelo meio, Nathy passou pelos maiores hits como Mafiosa, Nathy Peluso: Bzrp Music Sessions, Vol. 36, também conhecida por Nasty Girl, e Buenos Aires. Fechou um belo concerto e deixou o público com água na boca para o que se seguia.

O cabeça de cartaz foi DaBaby, e (infelizmente) o concerto foi tudo aquilo que se esperava do artista polémico. Se já se estava à espera de um atraso, não se estava à espera de um atraso de 45 minutos. Durante esses 45 minutos, o concerto ficou entregue a um DJ que estava ali a fazer tempo, para que DaBaby chegasse. Muitos temiam que DaBaby não chegasse sequer a atuar na Altice Arena.

Assim que sobe a palco, após expulsar do fosso todos os fotógrafos, pede moshpits e canta a tão conhecida Rockstar. A verdade é que DaBaby não acrescenta muito à sua música em concerto. Acaba por ir para o meio do público, mas tudo fica a saber a muito pouco. É um espetáculo muito genérico e pouco cuidado. Foram muitos os que saíram da Arena, mas os que ficaram continuaram a reagir efusivamente ao concerto do rapper americano.

Seguindo o concerto de C Tangana, todos se dirigiram para a Sala Tejo para o concerto de Capicua. Capicua é uma rapper do Porto que vem cada vez mais a consagrar-se no hip hop português, a verdade é que foi com Vayorken que Capicua chegou às rádios, mas conseguiu pegar nessa reputação e transformá-la em algo muito maior. O álbum Pérola já é um autêntico clássico do hip hop português, e hoje, no palco Somersby, pudemos ver uma pérola no centro do palco.

Abre com Planetário e o público começa, cada vez mais, a juntar-se nesta Sala Tejo pintada de verde. Acompanhada de banda, temos direito a uma bela versão de Vayorken e Gaudi. Contudo, o concerto não acaba antes de passarmos por “Maria Capaz”, a música que mostrou quem era Capicua, em 2012.

Também na sala Tejo atuou Samuel Úria com a sua já tão vincada sonoridade indie. O concerto de Samuel pede que se esteja ao ar livre, e, talvez por isso, o Meco pudesse ser o aliado perfeito para a sua música. A plateia estava bem composta e participativa no concerto, cantando Carga de Ombro com o cantautor.

Os escolhidos para abrir o Palco Super Bock foram os australianos Cosmo’s Midnight, formados por Cosmo e Patrick, gémeos que começaram a produzir música juntos há 10 anos. Com uma clara vocação para o som mais pop, o objetivo era que o público dançasse e apesar do concerto elétrico, eram muito poucas as pessoas a assistir a este concerto.

Silva atuou na Sala Tejo para um conjunto de fãs fieis. Talvez tivesse merecido uma atuação no palco principal do festival, quicá em vez de Dababy 😉

Ao fim de tarde, no palco LG, Benji Price apresentou o seu mais recente álbum Ígneo no exterior, durante o pôr do sol. Benji é um conhecido produtor e agora rapper a solo do hip hop português. Se em estúdio é provavelmente dos melhores produtores em Portugal, ao vivo a expectativa era muita. Acompanhado de teclas, bateria, baixo e guitarra, Benji conseguiu entregar uma versão bastante diferente, mas completa de Ígneo. Em Veni Vidi Vici Mike El Nite veio cantar a sua parte da música, depois de ontem ter dado concerto com David Bruno.

Tomás Lampreia  

O Tomás gosta de ler, escrever, ouvir e ver. Tem 19 anos e é estudante de Jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social. Sonha ser tudo, mas ainda não é nada.


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Mais sobre: Benji Price, C. Tangana, Capicua, Cosmo's Midnight, Dababy, Mike El Nite, Nathy Peluso, Samuel Úria, SILVA


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