Mumford and Sons e o reencontro feliz em Lisboa

Mumford and Sons e o reencontro feliz em Lisboa

Os ingleses Mumford and Sons iniciaram na noite de 25 de abril em Lisboa a etapa europeia da sua Delta Tour.

Na altura em que completam dez anos de carreira, Ben Lovett, Marcus Mumford, Ted Dwane e Winston Marshall tinham à sua espera um público entusiasta, que aprovou também a escolha dos australianos Gang of Youths para a primeira parte de um concerto que os representantes da folk britânica dividiram exatamente a meio entre a visita aos trabalhos anteriores (Sigh No More, Babel e Wilder Mind) e uma amostra alargada no novo Delta. Num empate perfeito entram novos e antigos temas (7-7,) houve ainda lugar a uma cover – Blood de The Middle East com o palco magnificamente partilhado entre donos da casa e convidados.

Após as longas mas bem organizadas filas para acesso ao local de espetáculo, os fãs encontraram uma Altice funcionando efetivamente como arena, com o palco instalado no centro da plateia e três ecrãs estrategicamente colocados de forma a permitir o visionamento do concerto a 360º. A “tarefa” do público foi assim bem mais facilitada que a dos fotógrafos, colocados, por condicionalismos de produção, a quarenta metros de distância do palco (!)

No tempo posto à sua disposição, a banda convidada fez desfilar sete temas do seu repertório numa atuação em que terão cativado largas centenas de potenciais seguidores. À “magia da música” acrescentaríamos a liderança determinada e determinante de David Le’aupepe, estabelecendo uma relação de forte empatia entre músicos e público que, na sua maioria desconheceria o trabalho deste coletivo. E falamos de empatia por sabermos que o público português dificilmente fica indiferente a músicos simpáticos que aliam à sua competência profissional o tom quase confessional do vocalista que nos falou de aspetos pessoais como a sua luta com a toxicodependência ou a morte do pai. Tudo aponta para que os quarenta e cinco minutos de palco perdurem na memória dos lisboetas durante bastante mais tempo, abrindo caminho a possíveis regressos.

Mumford and Sons abriram a sua atuação da melhor forma, com Guiding Light, um dos temas fortes de Delta. Eram cerca de 21h30 quando a voz soante e bem-disposta Marcus Mumford saudou o público comum “Boa Noite! We’re Mumford and sons! It’s good to be back!” – e o regresso foi, como não poderia deixar de ser, calorosamente aplaudido.

Calor, empatia, familiaridade e muita energia foram as marcas da noite, num espetáculo em que os britânicos mostraram crescimento sem perder a frescura que caracteriza a sua música. Os momentos de euforia alternaram com os do intimismo exigido por alguns dos temas. De entre momentos particularmente marcantes referiríamos uma Altice completamente iluminada pelas lanternas dos telemóveis com a interpretação de Believe ou fortemente contrastante energia com o “pai” Mumford atravessou a arena cantado parte de Ditmas em cima do balcão do merchandising, localizado num dos extremos da sala, levando no regresso uma bandeira portuguesa para palco. No decorrer de todo o serão destacamos ainda, para além da disposição da sala e a qualidade do som, o bom trabalho de luminotecnia explorando de forma bem interessante a configuração da “arena” bem como o alinhamento musical, que nalguns momentos foi brilhantemente sublinhado pela luminotecnia.

Só uma banda de “gente crescida” e musicalmente segura poderia encerrar a parte central do seu espetáculo proporcionando a outros a oportunidade de brilhar, oferecendo ao público mais um dos grandes momentos da noite. Com o regresso dos Gang of Youths ao palco as duas bandas interpretam conjuntamente Blood, com a primazia dada à voz do líder da banda convidada, David Le’aupepe.

Do ritmo e tom do concerto sobressai a referida alternância entre intimismo e entusiasmo, bastante histriónico – a atingir o seu previsível zénite com I Will Wait – o penúltimo tema da noite, já no encore – e o regresso à grande calma sob uma chuva de confetti presidindo ao encerramento com chave de ouro entregue ao incontornável Delta.

Carla Flores  

A repórter de guerra sonhada aos 10 anos deu lugar à professora de inglês que se dedicou a outras lutas, como a da promoção da leitura e a aquela coisa do "ah e tal, vamos lá mudar o mundo antes que ele nos mude!


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