James em Lisboa. Keep them coming.

James em Lisboa. Keep them coming.

James em Lisboa. A última vez que os tinha visto ao vivo foi há dois anos atrás… Mas sendo uma daquelas bandas com as quais cresci, mais um espetáculo nunca é demais. Mesmo quando o frio da noite e as dores das costas parecem dizer “deixa-te estar quieto em casa, no sofá.”.

21h45, frente de palco. Esperava-se a música para breve. Alguém atrás de mim, agarrando as grades, diz: hoje também eu queria ser jornalista, para estar mesmo aí na frente. Sorrio. Ele há dias em que o trabalho é muito mais que só isso e James, bem, lembro tantos bons momentos ao som de James…

James no MEO Arena

O MEO Arena estava longe dos seus momentos mais altos. O palco montado a meio da sala e nem assim a dita estava cheia. E isso interessa? Não, dizia-me em certa altura um jovem no meio da plateia. “Não interessa nada. Há mais espaço para dançar…”. Nitidamente esse não era tema para quem ali estava. Sabiam ao que iam, iam por gosto.

Já passavam mais de 10 minutos depois das 10 quando os primeiros elementos da banda começam a subir ao palco. Entre a euforia do público e os primeiros acordes de “Loose Control” começa também a ouvir-se a voz de Tim Booth mas estranhamente, não do palco. O icónico vocalista surge por trás, por entre o público, com um à vontade tal, como que sabendo estar entre os que o respeitam, os que, digo eu referindo-me claramente a uns quantos presentes, quase o veneram. Só os muitos telemóveis quase junto á sua cara o poderiam incomodar. Se assim foi, não se notou. A referência a tal exagero viria mais tarde… A seu tempo.

“La Petite Mort” ou James a fazer o que fazem bem

A digressão chama-se “La Petite Mort” e há quem diga que é um anuncio de algo que já se passou e que se voltará a passar. Seja ou não seja, o que realmente interessa é que os James continuam a chamar pessoas à sala e assim que lá as apanham sabem bem como garantir que só de lá irão sair quando o concerto terminar e que todas sairão satisfeitas.

Foi de La Petite Mort que saíram grande parte dos temas deste concerto. “Walk Like You” e “Frozen Britain” deram o mote para o desfilar de novas músicas mas nem por isso o público esmoreceu. Contrariamente ao que acontece com tantas bandas “clássicas” que ao apresentarem novos temas em concerto se encontram de repente num incómodo vale de silêncio, os James comprovaram que quem gosta, gosta, e os novos temas, frescos de 2014, foram cantados com vigor tal hinos dos 90’s, quando a maioria dos presentes se encantou por esta banda britânica.

Tim Booth foi o que sempre mostrou ser, um entertainer, um comunicador. Numa interacção constante com o público, quase que trocando pensamentos mais íntimos, das suas dores nas costas às suas convicções sobre o viver do momento, o artista manteve o público satisfeito, a sorrir e a gargalhar (a referência ao Ibuprofeno em detrimento do álcool ou das drogas foi um ponto alto da noite), demonstrando uma vez mais o quanto gostam desta banda, o quanto gostam de ali estar.

“Laid” levantou ainda mais a moral dos poucos duvidosos presentes. Se algumas vozes se ouviam gritando “Canta as velhas, canta as velhas” (o que, confesso, me causou algum receio, pensando que a qualquer momento entraria o Sérgio Godinho em palco cantando “Cá se vai andando c’o a cabeça entre as orelhas…”), aqui se calaram e foi ver as mãos no ar enquanto gritavam “The neighbours complain about the noises above, But she only comes when she’s on top…”.

Foi uma forma simpática de abrir caminho para temas particularmente sensíveis e dados a outro tipo de ambiente como “Quicken the Dead”. Sim, Tim Booth não se acanha em contar ao mundo o que lhe vai na alma, seja uma alegria imensa ou a tristeza que lhe causará a morte dos mais queridos…

Mas os James não se finam por Tim Booth e, não tivesse sido já mostrado pela excelente performance de toda a banda até então, com “All Good Boys” não há mais provas a dar. James são todos eles.

E chegava o momento anunciado. Tim já tinha dito à audiência que gostava “de ir lá abaixo”, estar entre o público. Quando o referiu deixou bem claro que preferia que afastassem os telemóveis da sua cara. Não que seja uma daquelas estrelas dadas a peneiras. Nada disso. Tim Booth disse, e bem, que era melhor que o público pudesse aproveitar o concerto, o momento que tinha na sua frente, então, e não não mais tarde. Ele saberá bem, como eu sei, que esse mais tarde raramente chega.

James para além do palco. Tim Booth em Crowsdsurfing

Assim, do nada, toca “Getting Away With It (All Messed Up)” e eis que o vocalista se lança sobre o público e, literalmente carregado nas “palminhas” quase dá a volta ao recinto. Sempre a cantar. Foi bem tratado tal como pedira.

A banda sabe quando o público merece e este público mereceu. Tanto que na frenética “Gone Baby Gone” a banda chama ao palco uns quantos membros da audiência que, dando asas ao momento único que ali viviam e aproveitando a exuberante forma de dançar de Tim Booth, se mexem e contorcem quase que num êxtase místico, num frenesim que dificilmente iria acalmar, mesmo muito depois da música terminar. Um grande momento em palco.

O concerto estava a terminar. Ninguém imaginaria a falta de um encore e por essa razão ninguém arredou pé. Seria frustrante se o concerto se ficasse por ali. E se de frustração se fala, seria frustrante se um concerto de James não tivesse o “Born of Frustration”. Teve. Literalmente nascido do quase sentimento de que a musica fala. “Onde raio está ele?” “Onde é que se meteu?”. Tim Booth surge no meio do público novamente, agora algures no primeiro balcão. “Born of Frustration” ilumina o recinto e os rostos também. Toda a gente canta, toda a gente dança. Uma vez mais.

Tinha que terminar a grande noite. O público sabia que tinha que ser. Mas a esperança de voltar a ver James é grande. “Eles voltam. Claro que voltam” dizia alguém. “There’s a storm outside…”. Sim, eles voltarão certamente. Nesta noite deixavam Lisboa com “Sometimes”, mais um hino de entre tantos que deixaram a uma geração, que passaram para as seguintes… “like a sign, like a neon sign…”. E Tim Booth volta a lançar-se sobre o público, numa nova e prolongada sessão de crowdsurfing, numa despedida louca, emotiva e próxima, muito próxima.

Venha o próximo.

Vê todas as fotos do concerto dos James no MEO Arena a 29 de Novembro de 2014

Pedro Rebelo  

Apaixonado pela internet desde 1994, blogga por vocação desde 2001, depois do devanio da juventude no direito licenciou-se em ciências da comunicação com especialização em comunicação, cultura e artes.


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