22 Ago 2019 a 24 Ago 2019

Isto sim, é Vilar de Mouros! Último dia imparável com Prophets of Rage, Gogol Bordello e Linda Martini

Isto sim, é Vilar de Mouros! Último dia imparável com Prophets of Rage, Gogol Bordello e Linda Martini

No que toca a números, segundo a organização, esta edição foi a melhor de sempre. Por aqui passaram no total quase 46 mil pessoas. É com orgulho que deixamos estas terras de Caminha, afirmando que o balanço do festival é muito positivo. Mais orgulhosos estamos com a estreia de Prophets of Rage em Portugal, com a típica festa dos Gogol Bordello e o rock enfático dos Linda Martini.

Já é possível marcar na agenda as datas para o próximo ano: o festival realizar-se-á a 27, 28 e 29 de Agosto de 2020. Na conferência de imprensa, o presidente da Câmara Municipal de Caminha, Luís Miguel Alves, garante que a responsabilidade aumentou. Acrescenta ainda, que a mensagem “Isto é Vilar de Mouros!” contida nos cartazes espalhados dentro e fora do recinto, serve para que não restem dúvidas que o festival está realmente de volta. Algo que vai de encontro à nossa linha de pensamento desde o primeiro dia desta edição.

Linda Martini, perto de vos amar

Como se lê em comentários nas redes sociais: “O cartaz faz o público e o público faz o ambiente” e até os próprios Linda Martini repararam nisso. Coube à banda portuguesa iniciar as atuações do palco EDP no último dia. A meio, o baterista Hélio Morais constata a crescente massa humana desta edição, e num tom maravilhado, agradece:

Obrigada por terem vindo a esta hora! Da última vez que cá estivemos não estava tanta gente!

Entregaram-se mais uma vez de alma e coração, com o seu rock enfático e bem audível. Na setlist composta inicialmente por temas do último álbum homônimo, também não falharam hinos como Amor Combate, Gravidade e Cem Metros Sereia.

Antes tocou a mais antiga banda minhota, os Jarojupe e o grupo de post-punk Inglês Gang of Four. De seguida foram os Fischer-Z que animaram o festival minhoto antes dos cabeça de cartaz do último dia.

Prophets of Rage, um populismo revolucionário que continua a ser necessário

A banda formada há 3 anos, composta por elementos dos Rage Against the Machine, Audioslave, Public Enemy e Cypress Hill deu um dos melhores concertos desta edição. B-Real, Tom Morello e restantes companheiros, continuam a relação de predatismo com o sistema corporativo, nazismo e políticas globais, tal e qual como há 20 anos. E diga-se de passagem, que é um prazer enorme poder voltar a ver Chuck D num palco em Vilar de Mouros. Em 2003, os Public Enemy deram aqui um concerto sublime, mas em 2019 os Prophets of Rage não se deixaram ficar nada atrás.

A banda norte-americana aparece em palco de punho direito cerrado, num cenário onde ecoam sirenes de alarme de ataque aéreo e luz de fundo vermelha. Começam com o tema que lhes dá o nome Prophets of Rage dos Public Enemy e embora intercalem na setlist canções originais como Unfuck The World, a verdade é que poucos foram os hits principais de Rage Against the Machine que ficaram por tocar. Entre temas, B-Real diz-nos:

We only have one goal! It is to unify the people against the bullshit. The only way to do that is to take back the power.

Avizinhando que se iria tocar a mítica Take the Power Back dos RATM, que por sua vez levou a multidão ao rubro. A banda, incorpora ainda o principal objectivo de “lutar contra o sistema e as grandes corporações”. Premissa essa que cai um pouco por terra quando vemos que as t-shirts de merchandising custam uns avultados 35€. Mas Tom Morello e os seu fabulosos solos de guitarra fazem-nos rapidamente esquecer isso.

Pelo meio ainda viajamos até Cypress Hill em formato medley. E fizeram também uma sentida homenagem a Chris Cornell quando tocaram o instrumental de Cochise dos Audioslave, deixando apenas uma luz direcionada para um microfone, que nenhum vocalista ousou pegar durante a canção. Terminaram com Killing In The Name e Bombtrack para delícias de uma plateia que as celebrou com furor. Em palco aparecem as letras “Façam Portugal Enraivecer Novamente”, algo já típico da performance destes artistas, que andam de país em país a pregar a mesma mensagem.

Gogol Bordello, é assim que se faz uma festa

Não há vez que esta banda multicultural não nos tenha feito tirar o pé do chão em Portugal. É mais do que garantido que com Gogol Bordello se dá uma pura festa de gypsy punk . O vocalista principal Eugene Htüz é um entertainer nato e uma espécie de piolho eléctrico que não pára quieto nem um segundo. Se com os Prophets of Rage fomos desafiados a revoltarmo-nos contra o sistema, com os Gogol esquecemos que tal sistema existe.

Claro que canções como Wonderlust King, Not a Crime, Alcohol, Mi Compajera e Start Wearing Purple foram as mais aplaudidas, cantadas e celebradas. Mas a festa com esta banda formada em Nova York mas de descendência mundial dá-se do início ao fim. Certamente não havia melhor maneira de terminar 3 dias de um festival que realmente voltou para ficar!

Um festival de raízes bem assentes

Para quem experienciou Vilar de Mouros antes do seu epílogo em 2007, este ano foi sem dúvida marcante e crucial. Sempre se destacaram várias coisas neste evento para além da música, como: a simpatia/envolvência das gentes desta terra e até o público com o seu comportamento exemplar. Citando Luís Miguel Alves:

O dia de ontem esgotou, e a gente que nos frequentou é tão cívica que até pediam desculpa quando se esbarravam uns nos outros a tentar circular pelo recinto.

É caso para afirmar, o ADN deste evento permanece intacto e a organização garante que isso nunca se perderá. Ainda algo que também se continua a destacar são os míticos chuveiros de água quente para os campistas, assim como a quantidade exorbitante de caixotes para separação de resíduos dentro do recinto. Já será certamente possível marcar na agenda para 2020 que de 27 a 29 de Agosto temos novamente encontro marcado.

 

N.R.: Os Prophets of Rage só autorizaram a captação de imagens por um número limitado de órgãos de comunicação social, sendo que só fomos informados dessa limitação quando todas as vagas estavam ocupadas.

Ana Duarte  

Estudou Línguas, Literaturas e Culturas na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Tem uns pais malucos que a levaram a concertos desde 3 anos e a festivais desde os 9. Passadas mais de 2 décadas, ainda por cá anda... P.S.: Leva o conceito de carpe diem muito a sério.


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