22 Ago 2019 a 24 Ago 2019

Skunk Anansie e The Offspring – palavras para quê? 2º dia esgotado no EDP Vilar de Mouros

Skunk Anansie e The Offspring - palavras para quê? 2º dia esgotado no EDP Vilar de Mouros

O dia mais esperado desta edição teve lotação esgotada. Um total de 18 500 pessoas rumaram a Vilar de Mouros para ver e ouvir nomes como The Sisters Of Mercy, Skunk Anansie e The Offspring. Tal como referido no artigo do primeiro dia: em 2014 diziam “Vilar Voltou!”, mas só agora é que temos a certeza que é para ficar.

O dia anterior foi testemunha de uma enchente como há muito não se via por este festival, mas 23 de agosto ficará para sempre marcado na vasta história deste evento. Começaram por esgotar os bilhetes diários e logo de seguida os passes. A 27 de agosto de 2016 Vilar de Mouros também esgotou, mas com uma lotação de apenas 12 mil pessoas, sendo que passados 3 anos esse número aumentou para 18 mill e 500.

O recinto, apesar de mais alargado, ainda não reúne todas as condições para lidar com tamanho aglomerado de pessoas. As filas na restauração e casas de banho tornaram-se longas e prolongadas, um pormenor que poderá ser retificado nas próximas edições.

Nitzer Ebb e The Sisters Of Mercy, como não se conquista um público

Ter Nitzer Ebb a iniciarem as atuações do palco principal e The Sisters Of Mercy a terminarem no palco secundário, gerou uma onda de descontentamento, sendo que a organização informou que estas alterações se deveram a indisponibilidade das bandas para actuarem nos horários inicialmente previstos. Os britânicos Nitzer Ebb não têm uma sonoridade adequada para as 21:40 e o público não se mostrou nada motivado. Embora se insiram no rótulo de synthpop industrial, a melhor maneira de os descrever seria:

Imaginem que os The Prodigy e os New Order tinham um filho, e logo após o parto ele caiu de um lance de 50 escadas.

Mais motivação esperávamos com a outra banda britânica, os The Sisters Of Mercy, mas tal não aconteceu devido a problemas técnicos de som e ao facto da sonoridade do autor de Lucretia My Reflection em já nada se assemelhar ao rock gótico rasgado a que sempre nos habituou. Certamente já foram mais felizes em Portugal.

Skunk Anansie, assim se celebram bodas de prata

Contam com 25 anos de carreira e já fizeram escorrer muita tinta na imprensa portuguesa. Por isso mesmo, todos sabemos o quanto esta banda é acarinhada em Portugal. Passados 19 anos de terem dado um dos concertos mais marcantes da história deste festival, voltaram a repetir a façanha numa noite de recordações de grandes êxitos.

A interação com a audiência é over the top, mas não se espera outra coisa da incontornável e carismática Skin. A vocalista consegue fazer uma espécie de one-woman show, proporcionando momentos de puro entretenimento onde até caminha sobre o público. É verdade, Jesus Cristo aparentemente conseguiu caminhar sobre água, mas Skin conseguiu caminhar por cima da plateia e no fim de Weak deixou-se cair sobre a multidão, sendo brilhantemente transportada em modo crowdsurfing de volta para o palco.

Para além disso, também nos deixa com momentos de pura reflexão quando nos diz:

We come from the land of the asshole Brexit. It’s embarrassing to say we are English. We are the sons and daughters of emigrants, so please look after us and we’ll look after you. Because they will come for us first and then will come for you too. Because you like and listen to people like us. What do we say to fascism? NO! To racism? NO! To homofobics? NO!

Tendo em conta que os primeiros anos deste festival aconteceram debaixo do olho atento da PIDE, a mensagem não poderia ter sido melhor. Ao vivo, os ingleses têm uma presença muito forte e um som claramente rock muito bruto e verdadeiro. Venham as vezes que cá vierem, vale sempre a pena lá estarmos.

The Offspring, uma celebração à americana

O alinhamento da banda dos Estados Unidos não fugiu ao que têm apresentado nesta tour de 2019, mas poder ter diferentes gerações a ecoar bem alto temas de skate rock como Americana, Pretty Fly (For a White Guy), The Kids Aren’t Alright e Why Don’t You Get a Job? é sempre uma experiência positiva. Foi um concerto enérgico, onde pelo meio o vocalista Dexter Holland e o guitarrista Noodles nos divertiram com o seu lado cómico: Dexter disse estar surpreendido pelo milhão de moshpits, Noodles interrompeu-o dizendo que vê apenas uns seis.

A poeira que permaneceu no ar no fim do concerto é prova viva do entusiasmo da multidão com a banda. Terminaram com um encore poderoso, e muito provavelmente com os melhores temas da noite: as míticas You Gonna Go Far Kid e Self Esteem.

 

N.R.: As bandas The Sister of Mercy e The Offspring não permitiram a realização da reportagem fotográfica

Ana Duarte  

Estudou Línguas, Literaturas e Culturas na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Tem uns pais malucos que a levaram a concertos desde 3 anos e a festivais desde os 9. Passadas mais de 2 décadas, ainda por cá anda... P.S.: Leva o conceito de carpe diem muito a sério.


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