11 Ago 2017 a 14 Ago 2017

Que haja festa na aldeia – o primeiro dia de Bons Sons

Que haja festa na aldeia - o primeiro dia de Bons Sons

A aldeia de Cem Soldos voltou a abrir as suas portas à música portuguesa. Surma, Virgem Suta e Capitão Fausto triunfaram no primeiro dia de Bons Sons.

Desde 2006 que assim é. Os habitantes de Cem Soldos trazem à sua aldeia a melhor música nacional e convidam todos a virem ouvi-la. 11 anos depois, o festival Bons Sons – que começou por ser bienal mas é desde 2014 um evento anual – é uma referência na área e acolhe dezenas de milhares de pessoas, ao longo de quatro dias.

É um festival especial. Dizem-no os artistas, em palco, a cada concerto. Di-lo também a organização, realçando a envolvência essencial da população da aldeia na realização do evento. E demonstram-no a programação eclética, os oito palcos (um deles é dentro da igreja), as canecas de alumínio (que este ano têm rival nos copos de plástico reutilizáveis, quem ganha é a sustentabilidade ambiental), as tixas por todo o lado (a mascote do festival vem em várias cores e tamanhos, e é feita por habitantes da aldeia) e as crianças que brincam alegres de borrifador na mão (as máximas para estes dias apontam aos 38° em Cem Soldos). Um festival que se centra na envolvência da música e do público com o ambiente que o rodeia – a aldeia.

A oitava edição do festival Bons Sons arrancou na igreja, no palco Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, com Band’olim e SingularLugar. Mas muitos só enfrentaram o calor tórrido na hora das baleias. Os Whales estrearam o coreto (palco Giacometti) desta edição com batidas fortes e paisagens sonoras sonhadoras e foram muito bem recebidos. Em frente à igreja (palco Tarde ao Sol), o final de tarde passou-se ao som de Manuel Fúria e Os Náufragos. O rock que mantém a pop bem por perto (nas guitarras, nas teclas e também na voz de Carolina), mostrou ser bem apreciado pelos presentes e as letras (há festas na aldeia, igrejas iluminadas e muita referência à dança) condizem com a situação. Só é pena que “Cala-te e Dança” não seja só instrumental.

Regressamos ao coreto para ver uma das mais interessantes promessas da vaga Leiriense. Surma trouxe as suas melodias cuidadas e voz doce para um concerto bem especial. De volta a um palco em Cem Soldos (local onde deu o seu primeiro concerto, revelou), a autora de “Maasai” apresentou ainda um novo tema, em acústico, e acabou a fazer crowdsurf. Aí está a primeira grande ovação deste Bons Sons.

Durante a hora de jantar, enquanto o público (agora já em muito maior número) se dispersava pelas várias tascas existentes no recinto, os nortenhos Holy Nothing obrigavam aos primeiros passos de dança no Largo do Rossio (palco Lopes-Graça). A digestão foi feita na Eira, ao som dos electrizantes Glockenwise. O quarteto Barcelense apresentou o mais recente disco “Heat” num concerto muito acarinhado pelo público mas que pecou por tão curto.

BONS SONS 2017 – Surma no Palco Giacometti.
Foto: Carlos Manuel Martins

No largo principal da aldeia ao final da noite já se juntavam gerações: crianças, jovens e graúdos esperavam os Virgem Suta. A dupla alentejana proporcionou um dos concertos da noite, e pôs a aldeia a cantar e a saltar pela primeira vez. Logo depois, na Eira, os Capitão Fausto fizeram as delícias do seu público que acorreu em massa. Plateia cheia, poeira no ar, crowdsurf e as letras na ponta da língua dos fãs que elevaram o concerto a outro nível. Iguais a si mesmos, os autores de “Amanhã Estou Melhor” não destoaram da sua habitual postura, mas não deixaram de frisar a sua felicidade por voltar ao Bons Sons.

BONS SONS 2017 – Virgem Suta no Palco Lopes-Graça.
Foto: Carlos Manuel Martins

BONS SONS 2017 – Capitão Fausto no Palco Eira.
Foto: Carlos Manuel Martins

A noite inaugural da oitava edição do Bons Sons fechou com Thunder & Co. e Groove Salvation, no largo principal. Dia 12, sobem à aldeia Mão Morta, Medeiros/Lucas, Señoritas e Throes+The Shine, entre outros.


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Mais sobre: Band'olim, Capitão Fausto, Glockenwise, Groove Salvation, Holy Nothing, Manuel Fúria, Singularlugar, Surma, Thunder & Co, Virgem Suta, Whales


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Teresa Colaço  

Tem pouco mais de metro e meio e especial queda para a nova música portuguesa. Não gosta de cogumelos.

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