Dos IDLES, com amor

Dos IDLES, com amor

A muito esperada atuação no Coliseu dos Recreio: Dos IDLES, com amor.

Amor é fogo que arde sem se ver? Os britânicos IDLES contrariam esta ideia na passada sexta-feira, dia 22 de março, tanto nas palavras como na atitude de perfeita comunhão com o público que encheu o Coliseu de Lisboa. Várias foram as mensagens de amor, apesar de esta não ser a ideia que muita gente terá sobre uma banda de punk rock. Mas os cinco homens de Bristol “arderam” com todo o seu amor para um verdadeiro “incêndio” do público português após a espera para este concerto adiado em virtude da pandemia.

A noite começou com as Witch Fever, uma banda de power girls num registo punk mais cru e devotado às origens deste movimento, aquecendo uma noite que seguramente fará parte das recordações musicais de muita gente que se pode deslocar àquela sala de espetáculos de Lisboa. De seguida, e antes dos homens de Bristol entrarem em palco, o público foi ainda brindado com os Bambara. Apesar do recente lançamento do EP Love on My mind, os Bambara apostaram sobretudo em canções dos seus álbuns anteriores. O seu registo post-punk com laivos de Preoccupations ou Protomartyr deixou o público a ansiar por mais, pelo grande monstro em palco que são os IDLES.

Chamar aos IDLES uma banda de punk rock é pouco. Muito pouco. OS IDLES são rock, do mais puro, cheio de alma, movido a catarse e a sublimação. Uma banda feita de canções que mais parecem uma estalada na cara e um murro no estômago, mas que finalmente até agradecemos de os ter levado. Apesar de parecerem um grupo de homens raivosos e dispostos a arranjar problemas, os IDLES arranjam maneira, de forma nua e “in your face” de espalhar uma mensagem de aceitação. De amor incondicional: de si e aos outros, tal e qual como são, ou como se diz na língua inglesa “com verrugas e tudo o mais”. E é isso que os aproxima tanto do público e que os fazem ser tão reverenciados, mas não idolatrados, que gente de carne e osso não precisa dessas coisas.

Foi desta identificação, com e do público, que o concerto do coliseu foi feito. De um público que se via, assim, representado e validado. Com uma setlist muito próxima do concerto de Madrid, os IDLES começaram a noite igualmente com Colossus, canção que abre o seu álbum Joy as an Act of Resistance. As luzes sempre muito fortes cintilaram ritmada e hipnoticamente ao som da bateria de Jon Beavis a remeter para um ambiente industrial e agressivo. A voz dura e magoada de Joe Talbot, mas verdadeira na sua dor e amargura, já tinha o público nas suas mãos. O coliseu teve o seu messias, que além de separar as águas, dividindo a plateia em dois, fez toda a gente deitar-se no chão, em sinal de perfeita reverência, mas esse respeito foi conquistado através da empatia e do tão clamado amor, palavra e, sobretudo sentimento, que a banda declamou ao longo das duas horas de concerto a que se assistiu. Aliás, não houve só um messias. O outro frontman da banda, o guitarrista Mark Bowen, acabou por caminhar pelas “águas”, neste caso sobre o público da plateia, que delirava e cantava em uníssono todas as letras das 20 canções apresentadas.

 

Outro dos momentos altos, e que seguramente ficará na memória dos que conseguiram comprar bilhete, visto que o Coliseu pareceu apinhado, foi quando a Love Song se transformou num medley de canções românticas em que, quer Joe Talbot, quer Mark Bowen, um dos guitarristas, cantaram grandes êxitos dedicados ao tema “amor”, numa nota sarcástica, já habitual, da banda. Linger, dos Cranberries, (I’ve Had) The Time of My Life, da banda sonora do filme Dirty Dancing , All I Want For Christmas Is You, de Mariah Carey ou de My heart will go on, de Celine Dion, todas tiveram direito a mini covers improvisadas pelos IDLES. Entretanto o outro guitarrista, Lee Kiernan, juntava-se também ao público, fazendo as delícias de quem tirava selfies ou filmava incessantemente, tentando fazer perdurar no tempo os últimos momentos do concerto dos IDLES. Houve ainda tempo para I’m Scum, com um dos membros do staff às cavalitas, Danny Nedelko e Rottweiler, canção que fechou um concerto a transbordar de emoção, coração, garra e sobretudo muito amor.


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