Dengaz & AHYA Family: de coração e palco cheio – o concerto no Coliseu de Lisboa

Dengaz & AHYA Family: de coração e palco cheio - o concerto no Coliseu de Lisboa

Nós queríamos dizer que não, mas não conseguimos. E por isso mesmo pedimos à Sofia Felgueiras para ir até ao Coliseu dos Recreios, no passado dia 18 de Março, na companhia do João Salema. A missão? Ora bem, contar-vos, em palavras e com fotografias, (quase) tudo sobre o concerto de Luís Mendes. Não sabem quem é?

“Sei pra onde vou e sei donde venho / É nas raízes o orgulho que eu tenho / E nem que essa merda irrite o mundo inteiro / Donde eu vim ser real é ser verdadeiro”. Foi assim que começou o tão aguardado concerto de Dengaz, com De Onde Eu Vim. As luzes apagaram-se, a cortina caiu e aí estavam todos os elementos fulcrais para tornar esta noite tão inesquecível.

Luís Mendes, a.k.a Dengaz, sabe de onde veio e vem para ficar. Em apenas sete anos de carreira já conquistou os seus fãs, pisou variados palcos e soma uma lista de bros para a vida. Desta vez, trouxe ao Coliseu de Lisboa, a 18 de Março, o seu mais recente álbum Para Sempre, produzido pelo português Twins, num espetáculo entre o original e o acústico.

Foi um show para a toda a família, em duplo sentido. Por um lado, estavam presentes os seus pais, esposa e filhas. Por outro, todos aqueles com quem trabalhou desde o ínicio, a AHYA Family e rodeado dos fãs que gritam, vibram e choram com as suas letras. O efeito foi notável. Um Coliseu inteiro uniu-se, em vozes e estados de espírito, para sentir os temas que tão bem caracterizam este artista.

A abertura foi feita por Plutónio, rapper já bem conhecido entre as gerações mais novas, que trouxe os seus sucessos como África Minha, My Baby e Última Vez e meteu a malta a aquecer. Uma energia contagiante, que não se esgotou até voltar a entrar em palco, ao lado de Dengaz, pois foi o primeiro convidado. E o público não ficou indiferente ao som O que é que Tem: “Eles não me ouvem, mas sabem o que eu digo / Com 31 não vim fazer amigos / O hitman no hitmaker / Os meus hits tão na rádio, os brothers tão no pátio e as minhas letras tão no corpo deles”.

Mas as surpresas estavam longe de ficar por aqui. Depois de Plutónio seguiu-se AGIR. O convidado a quem Dengaz agradece, por ser o responsável por o fazer pisar aquele palco pela primeira vez, para a colaboração em “Eu Consigo” e pelo tema que muito destaque ganhou na altura, “Encontrei”.

Houve também tempo para se aplaudir as mulheres de valor. Às que se sabem fazer respeitar e estão ao lado de quem amam, sem desistir: “Tudo o que ela é: a Rainha de um sortudo ou bitch de muita gente / Tudo o que ela é / Para mim beleza temporária, mas linda para sempre / Se fores inspiração, és uma rainha pra mim / Se sabes dizer não, és uma rainha pra mim / Se respeito é obrigação, és uma rainha pra mim”. Rainha será sempre o tema do coração para as fãs que acompanham o cantor neste longo caminho, um hino virado para as boas amantes.

Amor e família são, sem dúvida, temas muito chegados ao coração deste rapper. É através da sua música que se consegue expressar e dizer aquilo que, muitas vezes, o dia a dia não permite. Um dos momentos mais tocantes daquelas duas horas foi, longe de dúvidas, a subida de uma das suas filhas ao palco, para o tema que deu nome ao álbum: Para Sempre. “Isto é daquele amor que não tem distância /Só dor no peito, importância e substância / E o engraçado é saber que o que me cansa é dar-te a liberdade para voar e depois vira ansiedade / Dizer-me que é para sempre e tenho que honrar o compromisso”. A ternura era evidente, a cumplicidade entre ambos e o respeito pelo dever que tem enquanto pai ficaram bem marcados, levando muitos na audiência a identificarem-se.

A sua esposa também mereceu dedicatória, através de Nada Errado, o tema que o artista compôs para ela. “O tempo voava quando me sentava com ela / E se tivesse sem telefone sentava com ela / A verdade é que juntos era só vida bela / Ele dizia que ele era o homem da vida dela / Aí não tava nada errado / Agora acordas ao meu lado”.

Nas suas palavras, “Ninguém consegue nada sozinho e esta caminhada é feita com muita gente”. Toda a AHYA Family também foi responsável por dar uma cadência diferente. Matay, reconhecido pelo tema Dizer que Não, também contribuiu com os seus solos, capazes de deixar qualquer um boquiaberto.

De valor foi também o momento entre Tatanka e Dengaz, em homenagem a um amigo que está preso, uniram as vozes para cantar Super-Homem – “Dizem que pensam como o pai / Tomam banho igual o pai / Têm a roupa igual ao pai / Tanta força como’ pai / Estão sempre contigo quando dormem, Ma nigga / Pra esses putos vais ser sempre o Super-Homem”.

Fazendo um balanço do total do concerto, ficam duas ideias muito presentes na mente da maioria. Em primeiro lugar, um bom espetáculo, em português, com vários artistas de variados géneros, que acrescentam muito valor ao panorama músical. Aqueles que se unem por um fim comum: fazer a arte que amam. Para acrescentar a isto, a veracidade da escrita. As letras estão tatuadas nos braços de alguns fãs, estão na ponta da língua de muitos outros e demonstram sentimentos genuínos.

Para terminar em grande, o artista não pode deixar de lembrar o quanto valoriza o que tem. Fica o agradecimento aos seus: “aos meus pais por terem sempre tanto trabalho para que eu faça alguma coisa; à minha mulher por tomar conta das minhas duas filhas, para que eu possa estar aqui a fazer isto com vocês”. Sente-se o orgulho nas raízes, em ser de Cascais, e o entusiasmo por novas músicas que estão para chegar.

Edição de Joana Rita


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Mais sobre: Agir, Dengaz, Matay, Plutónio, Tatanka

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Sofia Felgueiras  

Diz que é jornalista, curte de apresentar televisão e ainda acredita em magia. Aquela criança histérica que vai conhecer todos os artistas. "Gotta Catch'em all!".

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