Blawan actua a 20 de Março no Lux

Blawan actua a 20 de Março no Lux

Aquando da explosão da música electrónica de dança no Reino Unido, no final dos anos 80, baseada no acid-house e nas raves ilegais, e que teve o seu climax inicial no “Summer Of Love”, afirmava-se de forma mais ou menos unânime que se estava perante um dos momentos culturalmente mais radicais e marcantes desde o movimento punk da 2ª metade dos anos 70 e, olhando para tudo o que se passou desde então, não há como discordar. Estávamos perante algo reminescente de como quando o rock ou o punk surgiram : música que supostamente os nossos pais odiavam; “põe essa barulheira mais baixo!”, diziam-nos. 25 anos depois, há quem aqui e ali afirme que esse lado confrontacional está um pouco perdido.

A fulgurante ascensão de uma figura como Blawan, nome “de palco” do britânico Jamie Roberts, desde a sua 1ª edição na Hessle Audio de Pearson Sound em 2010, é um sinal claro que esse lado rebelde não está perdido, e respira saúde. Jamie é, de raíz, um baterista e em todo o seu trabalho se nota a sua obsessão com aquilo que afinal é o esqueleto deste tipo de música: o ritmo. Note-se que falamos de alguém que tem as palavras “KICK DRUM” tatuadas nos nós dos dedos e cujo nome provém de um grão de café proveniente de Java, e ficamos logo com uma ideia de qual a agenda deste bom rebelde do techno do UK. Ouvir Blawan é como sujeitarmo-nos a uma injecção de cafeína e adrenalina não diluídas seguida de uma avalanche de percussão, sonoridades que parecem mergulhadas em ácido de bateria e vozes psicóticas. Influenciado pelo garage britânico e pelo R&B americano, mas tendo como primeira paixão o techno mais cru do seu país de origem, Blawan construiu rapidamente um pedigree notável de edições em labels de respeito como, além da referida Hessle, a histórica R&S, a holandesa Clone e a Hinge Finger de Joy Orbison e tornou-se daqueles nomes cujas produções são seguidas de forma fanática pelos apreciadores do lado mais sujo da música de dança, com rips a circular no YouTube meses antes de saírem para a rua e edições a esgotarem antes mesmo de atingirem as lojas. Blawan apresenta na sua história a capacidade de inserir a doçura de um sample da cantora de R&B Brandy na enorme “Getting Me Down”, no meio de uma barragem percussiva, com a insanidade saudável de pôr uma pista inteira a colocar a chocante questão “why they hide their bodies under my garage?”. Tudo coisas capazes de fazer os mais recatados encolherem os ombros enquanto exclamam “esta juventude está perdida”.

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Nada há a temer, no entanto. Mesmo nos seus momentos mais abrasivos, como nas colaborações com Pariah na dupla Karenn e com o seu herói Surgeon sob o nome Trade (ambos editados pela label que criou com o referido Pariah, com o sugestivo nome She Works The Long Nights), Blawan mantém sempre um lado lúdico e divertido no seu trabalho, e não se leva excessivamente a sério. Os seus DJ sets são disso reflexo. Ele mesmo admite que o ecletismo não é a sua característica mais forte, mas a argumentação que apresenta sob a forma de kicks massivos, baixos ferrugentos e sonoridades aparentementes soterradas debaixo das cinzas de dezenas de cigarros mal apagados não oferece discussão : Blawan vem ao Lux para nos pôr a trabalhar afincadamente toda a noite na pista. A recompensa é paga em suor.

Fonte: Press Release Lux Frágil
Autoria: Nuno Mendonça


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