14 Fev 2020 a 15 Fev 2020

Às vezes o Amor tem pronúncia do Norte – Os GNR no Coliseu dos recreios de Lisboa

Às vezes o Amor tem pronúncia do Norte - Os GNR no Coliseu dos recreios de Lisboa

Há cinco anos a dar música aos apaixonados, a edição de 2020 do Festival Montepio Às Vezes o Amor, incluiu uma dobradinha dos portuenses GNR que, depois de no dia dos namorados terem jogado em casa, encerraram a festa no Coliseu dos Recreios.

Com um público maioritariamente composto por pares de enamorados, passavam alguns minutos das vinte e duas horas quando se deu início ao rendez vous. Contrariamente ao disposto no alinhamento pré-definido, este não haveria de passar na Bellevue, propiciando, contudo, uma alegre viagem aos muitos êxitos da longa carreira dos portuenses.

Após uma introdução instrumental acompanhada por projeção vídeo que haveria de estar presente em todo o espectáculo, a patrulha subiu ao palco liderada naturalmente por Rui Reininho, trajando de negro emoldurado por um casaco amarelo que viria a dar aso a uma piada de circunstância sobre os “colettes jeunes “ franceses.

A atuação avança com Arranca Corações mas é Vídeo Maria que saca a primeira ovação da noite. Seguem-se Cadeira Eléctrica e Quem? com uma receção morna por parte do público, mas aos primeiros acordes de Mais Vale Nunca o ambiente é já de festa rija com muitas movimentações na plateia. Algumas dezenas de convivas aproveitam o espaço disponível nas laterais para se aproximarem do placo e daí usufruírem plenamente do espetáculo.

É certo que, tal como o vocalista disse na véspera no Porto, os GNR não são a Madonna e que a voz de Reininho não tem a boa forma de outrora, jogando sobretudo à defesa. Mas a história destes senhores quase já se conta (e canta) sozinha e após USA é a vez de Asas constituir mais um daqueles momentos em que se torna claro que muito do reportório dos rapazes do Norte é, há muito, património cultural português.

Sub-16 propicia um regresso à adolescência aos jovens quarentões e cinquentões, e após Popless e Dançar Sós, a capital do reino é tomada pela Pronúncia do Norte, mergulhando de seguida em águas mais mornas até à chegada ao Inferno, momento em que A Sala de Festas de Lisboa estava já transformada em salão de baile com inúmeros pares dançando abraçados quer na plateia, quer no balcão. Estava mais que justificada a sugestão de Rui Reininho: “Para a próxima tiramos as cadeiras!”

Torna-se absolutamente claro que, mais do que ouvir, aquele público veio para participar, para partilhar – com parceiros e, em muitos casos com a descendência – canções que fazem parte da sua história pessoal. Pouco importa que “o maior”, como Rui Reininho foi carinhosamente tratado, vá metendo constantes pregos’ nas letras, que desafine ou que as piadas não tenham assim tanta graça. Lisboa declara, em uníssono, Morte ao Sol e assume Efectivamente a sua relação amorosa com a banda. Antes da primeira saída de palco houve ainda tempo para um Desculpem qualquer coisinha… certamente só escutado pelos que, e entre nós, têm o coração mais empedernido.

Na pausa antes da reentrada ouvimos gritar por Dunas e é precisamente com Dunas e Sangue Oculto, cantados a plenos pulmões, que se encerra um serão em que o Amor esteve seguramente no ar.

Carla Flores  

A repórter de guerra sonhada aos 10 anos deu lugar à professora de inglês que se dedicou a outras lutas, como a da promoção da leitura e a aquela coisa do "ah e tal, vamos lá mudar o mundo antes que ele nos mude!


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