Alcione pintou o Campo Pequeno de “Marron”

Alcione pintou o Campo Pequeno de “Marron”

Alcione voltou a encantar o público português com a sua voz marcante, no domingo, 16 de fevereiro, no Campo Pequeno, em Lisboa.

O concerto de domingo à noite veio concretizar do desejo de milhares de fãs que há muito queriam voltar a ver nos palcos nacionais a “Marron”, nome pelo qual é carinhosamente apelidada. Muitos brasileiros, portugueses, cabo-verdianos e angolanos estavam no público que praticamente encheu o Campo Pequeno onde a cantora diz que tem de voltar mais vezes. Sentiu-se “mimada” confessou.

A noite começou com uma breve apresentação do cantor francês Matthieu Doat que aqueceu o ambiente e fez vibrar o público com as suas duas últimas interpretações: Como é Grande o Meu Amor Por Você e Trem das Onze. Matthieu é um francês a cantar samba o que “parece estranho, mas a gente não escolhe o samba; o samba é que escolhe a gente”, diz-nos visivelmente agradado pela oportunidade que a “madrinha” lhe deu.

A grande festa começou poucos minutos depois, mal demos pelo intervalo.

Alcione entra em cena, num longo e rendado vestido azul, para começar a explicar bem ao que vem: Canta Brasil é o primeiro tema da noite que abre logo portas ao Primo do Jazz e Além da Cama na toada sambista que tanto lhe apreciamos.

Retalhos de Cetim já é cantada por toda a sala e vem o agradecimento da nossa estrela “por não se terem esquecido de mim”. Seguem-se palavras de reconhecimento a João Gilberto que diz que “praticamente inventou a bossa nova”. Então ouvimos Sufoco e Garoto Maroto.

De vez em quando Alcione faz curtas pausas para “molhar a palavra” que é como quem diz, beber água e sentar-se um bocadinho. Entre boleros, uma pitada de jazz e muito samba, Alcione chama a talentosa sobrinha Silvinha que encanta com a sua voz no tema Shadow of Your Smile. E mais à frente viria a juntar-se em palco à tia para dar uma ajudinha na reta final do concerto. A canção Nem Morta encontra o Campo Pequeno de braços no ar e a vontade de dançar já não se consegue disfarçar, com pessoas a levantarem-se aqui e acolá. A artista volta atrás no tempo e conta-nos como o pai a contagiou com a música, antes de pegar num trompete e nos surpreender interpretando durante largos minutos um tema instrumental, sempre acompanhada exemplarmente pela sua banda.

É nesta altura que nos fala dos angolanos e diz que aprendeu muito em Angola. ouvimos Umbi Umbi, Regresso, e logo vem mais um retalho da sua vida quando nos conta que, há muito tempo, um vizinho português lhe pedia para cantar fados, porque sempre o ajudavam a matar a saudade. É daí que vem a sua paixão pela música tipicamente portuguesa e temos direito a um Ai Mouraria.

Meu Ébano põe toda a gente a dançar e já entrámos praticamente no espírito carnavalesco a que não se consegue fugir nesta altura do ano. A “Marron” recorda o ano de 2019 quando assistiu nos camarotes ao desfile das escolas de samba. Quando nada fazia acreditar, só mesmo “botando fé em Deus”, a escola da Mangueira acabou por sagrar-se vencedora e a música com que desfilou foi Invasão NE cantada e sambada com grande energia e muita emoção à flor da pele por parte, principalmente, dos brasileiros ali presentes.

O reportório do concerto terminou, em jeito de encore, com a música Não Deixe o Samba Morrer.

O espetáculo deste domingo, no Campo Pequeno, fez parte da digressão “Eu Sou a Marrom”.

Fotos: @bapsafotography

Daniela Azevedo  

Jornalista, curiosa sobre os media sociais, viciada em música, gosta da adrenalina do desporto motorizado. Amiga dos animais e apreciadora de dias de sol. Acha que a vida é melhor quando há discos de vinil e carros refrigerados a ar por perto.


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