Afinal, ainda foi nesta vida – o regresso dos Guns N’ Roses a Portugal

Afinal, ainda foi nesta vida – o regresso dos Guns N’ Roses a Portugal

O Passeio Marítimo de Algés foi o palco do reencontro entre fãs e a mítica banda de seu nome Guns N’Roses. Lotação esgotada para receber Axl, Slash, Duff, Dizzy, Melissa e Richard. Vinte e cinco anos depois de Alvalade, a nostalgia invadiu Lisboa. A Mónica Borges esteve por lá – a tirar notas e a cantar os refrões todos que sabe de cor.

Entre os fãs de Guns N’Roses existiu sempre um grupo de esperançosos que não deixou de acreditar que Axl Rose e Slash voltariam a estar em palco juntos, e um grupo de excecionalmente esperançosos, não fossem eles portugueses, de que isso voltaria a acontecer em Portugal, sem a chuva de garrafas de Alvalade.

2 de Junho de 2017. Assim que saiu o anúncio da data restava-nos rezar a todos os santos que os norte-americanos Gn’R conseguissem segurar a imprevisibilidade dos seus egos colossais para que a tour seguisse em frente. Eis que conseguiram.

Passados praticamente 25 anos da primeira passagem por Lisboa, depois de um Rock In Rio 2006 pouco memorável, e passados 7 anos desde a passagem pelo Pavilhão Atlântico (ainda que tenha sabido a muito pouco), os Gn’R voltaram a terras lusas fazendo do Passeio Marítimo de Algés a sua terceira passagem na Europa com a Not In This Lifetime Tour recordando os maiores hits da sua carreira perante um concerto com lotação esgotada, parte integrante uma digressão que já rendeu 230 milhões de dólares.

A partir das 19h, Tyler Bryant & The Shakedown e Mark Lanegan tiveram a cargo a primeira e segunda parte do concerto, respetivamente, com reações pouco efusivas da parte do público que ainda tentava encontrar um equilíbrio entre a ventania habitual do Passeio Marítimo e o turbilhão de poeira; entre o consumo da cerveja que tinham na mão e o reencontro com os amigos, na multidão.

Apesar da alteração de horário, precisamente às 20:59h, e ainda com o sol a proporcionar um cenário idílico a Algés, dá-se o arranque com It’s So Easy e porra, Axl Rose, Duff McKagan e Slash subiram mesmo ao palco, juntos. Faltaram Izzy Stradlin e Steven Adler, da formação original. Axl, Duff e Slash fizeram-se acompanhar por Richard Focus na guitarra, Frank Ferrer na bateria e Dizzy Reed e Melissa Reese nos teclados.

Como é esperado de uma digressão do género, e vindo de uma banda da dimensão dos Guns N’ Roses, o concerto do dia 2 de Junho foi precisamente uma chuva de hits.  O objetivo? Agradar aos fãs da velha guarda, bem como aos mais recentes apreciadores destes gigantes, acompanhados de toda a parafernália de luzes, vídeo e pirotecnia, capazes de engradecerem ainda mais o espetáculo.

Com grande ênfase nos álbuns Appetite for Destruction (1987), Use Your Illusion I e Use Your Illusion II (1991) e Chinese Democracy (2008), sem grande surpresa, Welcome to the Jungle, Sweet Child O’ Mine, Civil War, This I Love, November Rain e Nightrain foram das músicas que despertaram reações mais efusivas do público. Entre os diferentes temas, tivemos tempo de apreciar como trinta e dois anos de carreira se fazem sentir, ainda para mais no panorama rock.

Ninguém tem os agudos de Axl é certo (nem tantas mudanças de roupa) mas é notável a sua fragilidade em registos longe do agudo. Exemplo disso mesmo foi a cover de Black Hole Sun dos Soundgarden e que, mais uma vez, nos fez pensar na falta que nos faz Chris Cornell. Ainda assim tivemos relances do jovem Axl – e tão bom que foi vê-lo a trazer aquele miúdo de 20 anos de volta.

Duff com a sua camisola do Lemmy dos Mot­örhead, e o símbolo de Prince no baixo, continua o elemento neutro e bem-disposto da banda e Slash, bem o Slash continua a falar-nos da forma que melhor sabe, com a guitarra. A cartola continua, só o cigarro é que ficou para trás.

Entre covers, tivemos as clássicas, e já habituais, Wish You Were Here, Knockin’ On Heaven’s Door mas também Live and Let Die, temas tanto ou ainda mais agraciados que alguns dos originais da banda.

Para o encore, com algumas alterações relativamente aos concertos anteriores, deixaram-nos Patience, Whole Lotta Rosie dos AC/DC e Paradise City.

O concerto, de quase 3 horas, foi como um duelo constante entre a presença e voz de Axl Rose e os solos e inúmeros riffs de Slash. A química em palco entre os elementos da banda resume-se à falta dela. Os Guns não estiveram lá para agraciar o público português, nem para dizer que somos os melhores do mundo. Não estiveram lá com conversa fiada: chegaram e deram-nos um número sem fim de êxitos. Mostraram mais uma vez o porquê de serem enormes e de continuarem a esgotar concertos, por onde passam. Já não têm nada a provar. Só temos a agradecer por termos tido a oportunidade de os ver, mais uma vez, juntos em palco. Foram precisos vinte anos, mas aconteceu.

 

Dado que a banda não autorizou a reportagem fotográfica à grande maioria dos órgãos de comunicação social, como foi o caso do musicfest.pt, segue a galeria da fotógrafa oficial dos Guns N’ Roses, Katarina Benzona:

 

Edição: Joana Rita
Fotos que ilustram o artigo: fornecidas por fãs


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Mais sobre: Guns N' Roses, Mark Lanegan, Tyler Bryant & The Shakedown

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Mónica Borges  

Acho todos os cães bonitos e luto incansavelmente por uma carreira como turista, festivaleira e degustadora de waffles. Nas horas vagas salvo vidas.

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