1 Set 2022 a 3 Set 2022

A noite em que todos quiseram saber de Arctic Monkeys – 2.º dia de MEO Kalorama 2022

A noite em que todos quiseram saber de Arctic Monkeys - 2.º dia de MEO Kalorama 2022

Com os bilhetes diários esgotados apontando-se os Arctic Monkeys como mais que presumíveis culpados, foi sem grande surpresa que deparamos com uma verdadeira enchente de público, com uma média etária bastante mais baixa do que o da véspera, nos acessos ao Parque da Bela Vista.

Começamos a sexta feira no palco Meo onde pelas 19h00 todo o público do festival se juntava para a festa do Rock ‘n Roll de Legendary Tigerman. Igual a si próprio, Paulo Furtado deu um concerto em modo ‘sempre a abrir’ com várias descidas do palco, incursões plateia dentro e os costumeiros momentos de crowdsurf. Continuando a assumir o seu estatuto de cowboy tem hoje muito pouco de lonesome e continua a mostrar que ao lado de um grande homem/animal de palco há sempre grandes mulheres, no caso, Catarina Henriques (aka Katari das Anarchicks) cujas baquetas e voz deram um portentoso colorido ao fim de tarde.

Destaque ainda para João Cabrita, igualmente cumplice de Tigerman no propósito anunciado de ‘partir tudo’ mas que viria a redundar num apelo ao Amor… “Amor a rebentar com cabrões.”

Com a ‘lição’ de The Legendary Tigerman, acotovelamo-nos o melhor que pudemos junto ao palco Futura para ouvir Alice Phoebe Lou. Com apenas 29 anos a pequena enorme artista tem já créditos firmados e, pudemos constatar, um número grande de admiradores ferrenhos em Portugal. Em 2017 esteve na shortlist para o Óscar de melhor canção original com o tema She, do documentário Bombshell: The Hedy Lamarr Story.

Hoje, facilmente lhe atribuiríamos o galardão da simpatia, envolta, claro está num enorme talento e garra em palco.

Antes dos cabeças de cartaz da noite, a senhora que se seguiu, diríamos A senhora do Festival, aguardava-nos com a sua voz quente no palco Colina. Qualidade de som à parte, Róisín Murphy trouxe tudo o que podíamos desejar: uma boa forma invejável a todos os níveis, voz irrepreensível e muita, muita classe e elegância! Chegou, viu e (con)venceu com o seu pedido de Something More seguido de uma cuidada seleção onde se incluíram, naturalmente, alguns sucessos de Moloko, cuja qualidade permanece inquestionável. Tivemos pouco mais de uma hora de uma poderosa Roísín Machine para gáudio dos ouvidos, mas também da vista, com um concerto visualmente estupendo com a irlandesa a mostrar-se séria candidata a ‘melhor guarda roupa’, com inúmeras peças de vestuário e acessórios a ser trocados com mestria, ali mesmo aos nossos olhos.

Mal houve tempo para aplaudir Flash of Light quando soaram os primeiros acordes de Do you Wanna Know? A descida do palco Colina ao palco Meo foi viagem curta, dado que o recinto tinha já muitos espectadores por perto, entre fãs de Blossoms e os muitos espectadores de ‘primeira fila’ que faziam tempo para o reencontro ansiado com Arctic Monkeys.

Alex Turner, Matt Helders, Jamie Cook e Nick O’Malley vêm a Portugal pela nona vez, mas as saudades eram mais que muitas. Quatro anos após a presença no Nos Alive, o reencontro dificilmente poderia ter sido melhor.

Com novo álbum à espreita, os rapazes de Sheffield optaram por levar-nos de visita à sua discografia abrindo com o referido tema de 2013.

Com Turner aos comandos, a viagem tornou-se vertiginosa com a multidão a saltar ao som de Snap out of it, seguido de um Crying Lightning, ‘chorado’ por um imenso coro e prossegiu até à tentativa de ‘aterragem’ com 505. E dizemos tentativa porque, naturalmente, ninguém arredou pé após a primeira despedida. Os senhores da noite voltaram para um encore de três temas culminando com Lisboa a responder afirmativamente, de corpo e alma à pergunta mais esperada ‘R U Mine?

Não se pode ter tudo…

O facto incontornável de não ser possível estar em dois lugares ao mesmo tempo faz-nos perder muito do que acontece em festivais com atuações simultâneas.

Registamos com alegria o facto de a programação não descurar a presença de músicos nacionais, saudando em particular a anteriormente referida presença da associação Chelas é o Sítio.

Dos ecos que nos chegaram deste segundo dia não passaram despercebidas as declarações de amor a Jessie Ware, que atuou no palco Colina pelas 20h00.

A nossa galeria mostra o registo generalidade das atuações, pelo olha de Francisco Morais, incluindo muitas daquelas de que aqui não pudemos dar conta.

Carla Flores  

A repórter de guerra sonhada aos 10 anos deu lugar à professora de inglês que se dedicou a outras lutas, como a da promoção da leitura e a aquela coisa do "ah e tal, vamos lá mudar o mundo antes que ele nos mude!


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Mais sobre: Alice Phoebe Lou, Arctic Monkeys, Blossoms, Róisín Murphy, The Legendary Tigerman


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