A Dave Matthews Band já não é o que era, mas continua a valer a pena

A Dave Matthews Band já não é o que era, mas continua a valer a pena

Quatro anos depois do último concerto em Portugal, a Dave Matthews Band regressou a Lisboa no passado sábado para um concerto na Altice Arena. Com o novo álbum Come Tomorrow para a apresentar, a noite foi de celebração, mas menos eufórica do que as anteriores passagens pelo nosso país.

Não é segredo nenhum que a Dave Matthews Band tem uma história feliz com o público português. Em actividade desde o início dos anos 90, o grupo de Charlottesville, Virginia, só se estreou em palcos nacionais em 2007, com um concerto no então Pavilhão Atlântico mais tarde lançado como o volume 10 da colectânea Live Trax. Desde esse dia que o próprio Dave Matthews aclama o público do nosso país como um dos melhores, e desde então que tem regressado regularmente a Portugal, primeiro para o Optimus Alive’09, depois para um concerto na MEO Arena em 2015 e mais recentemente para um concerto acústico apenas acompanhado pelo guitarrista Tim Reynolds, em 2017.

Desde essa histórica estreia em solo nacional, muito mudou na Dave Matthews Band. Mais notoriamente, a morte inesperada do saxofonista e co-fundador do grupo LeRoi Moore, em 2008, e a saída de Boyd Tinsley, violinista que foi despedido da banda após várias acusações de assédio sexual. Enquanto o primeiro foi imediatamente substituído por Jeff Coffin, o último, pelo menos por enquanto, não teve reposição na banda, pelo que a ausência do violino é uma das mais óbvias alterações à sonoridade do grupo.

Na Altice Arena, no passado sábado, a noite começou em grande com Grey Street, primeiro clássico dos vários que ouvimos durante a noite (como Everyday, Warehouse, Lousiana Bayou ou Dancing Nancies). Do último trabalho de estúdio acabaram por ser poucas as aparições, sendo que apenas Do You Remember (logo no início), Here On Out (belo momento com muitas lanternas de telemóvel a iluminarem a plateia) e Samurai Cop (Oh Joy Begin) surgiram no alinhamento. Com algumas surpresas, os maiores momentos acabaram por ser os habituais num concerto da Dave Matthews Band: as jams e solos a meio de temas, que os tornam bem mais longos do que a versão gravada e injectam uma energia muito rara nos seus espectáculos. Nesse aspecto, as atenções recaem principalmente em Carter Beauford, na bateria, Buddy Strong, nas teclas, e o convidado especial Carlos Malta, natural do Brasil, na flauta. Momentos mais celebrados foram também aqueles em que a banda tocou temas de outrém, se incluirmos Gravedigger, do disco a solo de Dave Matthews (também Seven Devils apareceu no encore), mas especialmente uma incrível versão de Sledgehammer, de Peter Gabriel, a passagem por Fly Like An Eagle, da Steve Miller Band, e a já clássica reinterpretação de All Along The Watchtower (a canção que Hendrix roubou a Dylan) que ainda passou por Led Zeppelin lá pelo meio.

Ainda que repleto de momentos marcantes, o concerto acabou por nem chegar às três horas (tempo considerado regulamentar quando se trata da DMB) e dependeu demasiado em temas amplamente conhecidos para puxarem do entusiasmo do público que tanto marcou as primeiras passagens do grupo por Portugal. Tivesse a recepção a todas as canções sido como a de Ants Marching e a noite poderia ter sido bem mais especial.

Teresa Colaço  

Tem pouco mais de metro e meio e especial queda para a nova música portuguesa. Não gostava de cogumelos mas agora até os tolera. Continua sem gostar de feijão verde.


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1 Comentário

  1. Joao Pereira diz:

    Teresa, O hendrix é que prestou tributo a dylan… E não ao contrário… Todos geniais!!!

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