The Cure para todos os males – A reportagem no concerto do MEO Arena

The Cure para todos os males - A reportagem no concerto do MEO Arena

Não era sexta, mas também parecia tudo menos uma terça-feira. Os The Cure fizeram uma visita a Portugal e deixaram-nos a todos in love ou pelo menos muito mais bem-dispostos para o resto de uma semana de trabalho.

Foi muito mais do que esperávamos e não se podia fazer por menos, uma vez que esta The Cure Tour vem nem mais nem menos do que a propósito de 40 anos de carreira (sim, isso mesmo).

Entrámos e a sala principal estava ainda a meio gás, tanto na plateia como nas bancadas, e nada fazia prever a enorme quantidade de gente que ainda se movia até ali para assistir ao concerto dos britânicos.

Eram 20h00 em ponto quando a banda de abertura, The Twilight Sad, subiu ao palco do MEO Arena. São escoceses e também trouxeram na bagagem os seus 13 anos de carreira, bem como os seus quatro álbuns de estúdio, e aproveitaram a deixa para nos mostrar o seu mais recente Nobody Wants to Be Here and Nobody Wants to Leave.

O vocalista fez-se acompanhar por uma atitude igualmente teatral e simpática, e lá conseguiram convencer o público a dar o seu primeiro pezinho de dança. Foram cerca de 40 minutos de concerto, o que para a maior parte dos presentes já pareceu uma eternidade. Afinal, estávamos ali reunidos para ouvir os clássicos de Robert Smith e companhia, que tão bem nos acompanham desde os anos 70.

O tempo parecia não passar durante o soundcheck do intervalo entre bandas, mas quando o relógio marcava 21h10 lá começámos a ouvir a tape de abertura. Os cinco fantásticos sobem ao palco e fazem-se acompanhar não só dos mais variados instrumentos, incluindo um badalo e uma flauta, mas também de cinco grandes painéis que projetavam inicialmente uma espiral preta e branca em movimento. Não foi preciso muito para que nos sentíssemos hipnotizados.

O concerto começou com os acordes de uma certeira Open, mas foi Pictures of You que levou o MEO Arena a acompanhar a inconfundível voz de Robert Smith em plenos pulmões pela primeira vez. Quando demos por isso a sala estava cheia, mesmo a abarrotar, embora fosse imperceptível para quem estava na plateia em pé. Sortudos, nós ficámos mesmo à frente. Quem é que não gosta de ver de perto a banda que acompanhou não só a nossa adolescência, mas também a dos nossos pais?

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O baixista Simon Gallup esteve igual a si próprio, tanto em imagem como em movimento, e não parou um bocadinho durante todo o concerto. Aquele palco quase parecia pequeno, para ele e para os quatro restantes, que não só encheram a sala como também encheram o coração de cada um dos presentes com o seu estilo alternativo, tão bem equilibrado entre o gothic rock, o post-punk e outra mão cheia de coisas que nem precisam de ser classificadas.

Uma viagem no tempo, uma viagem de três horas que a julgar tanto pelo público como pela banda poderia durar outras três. Tocaram músicas de todos os álbuns, o conjunto dos seus 13 álbuns de estúdio, mas o concerto incidiu sobretudo no período criativo entre 1985 e 1990, com clássicos dos álbuns The Head on the Door, Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me e Disintegration.

Abandonaram o palco ao fim de 16 músicas, mas ninguém arredou pé, sabíamos que ninguém ia para casa sem ouvir os verdadeiros clássicos, aqueles que trauteamos só de ouvir as primeiras notas. Ao todo fizeram três encores e mesmo assim nós só queríamos mais. Robert Smith ficou surpreendido quando se afastou do microfone e ficou só a ouvir a voz do público em Friday I’m In Love e Why Can’t I Be You. Os solos de Reeve Gabrels foram apaixonantes e o mesmo se pode dizer do desempenho de Roger O’Donnell nas teclas e Jason Cooper na bateria. Foi bonito ver a enorme química e a chama que ainda mantém ativa uma banda com estes anos de carreira e percurso.

Claro que não se esqueceram de tocar Close to Me, Lullaby ou Boys Don’t Cry, enquanto o público tornava a sala do MEO Arena numa pista de dança. Ninguém saiu dali sem um sorriso na cara… e mais palavras houvessem para descrever a experiência que foi ver The Cure ao vivo.

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Fotos: Alexandre Antunes / Everything is New


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