Tempestade sonora e outras histórias – reportagem no concerto dos Mastodon na Altice Arena

Os Mastodon regressaram a Lisboa e à Sala Tejo dois anos após a sua última aparição nesta mesma sala. Foi uma Sala Tejo “ao barrote”, aquela que recebeu os norte-americanos numa noite que serviu para a despedida da digressão de Empire of Sand.

Blood and Thunder, do épico Leviathan, acabou de tocar, a sala lisboeta despede-se com pompa e circunstância deste quarteto que reinventou o “sludge” e que o trouxe até ao “mainstream”. Em cima do palco um muito transpirado Brann Dailor despede-se do público e desta digressão com a promessa de um regresso em breve com um novo disco (previsto para 2020). Tinha passado cerca de uma hora e meia desde que Singing in The Rain soou na sala para o início de uma actuação que, como já é habitual nos Mastodon, foi de uma intensidade tremenda. Arrancando desde logo com Iron Tusk percebe-se que o quarteto não está para brincadeiras. Ao contrário do concerto nesta mesma sala há dois anos, a banda opta por um concerto em regime “best of”, passando por muito do seu catálogo.

Aqui e ali sente-se algum cansaço (natural e normal) de uma banda que se apresenta em Lisboa para finalizar a digressão de Emperor of Sand, disco de 2017. Talvez por isso mesmo esta actuação tenha ficado marcada por uma espécie de “piloto automático”. Sem muitas palavras para o público, Troy Sanders e companhia atiram verdadeiras pedras em forma de música para um público que as recebeu sem qualquer resistência. Por ali passam temas como Precious Stones, Steambreather ou Ancient Kingdom, todos retirados do último registo, porém é nos clássicos que o público encontra refúgio e, por isso, claro que não podiam faltar temas como I Am Ahab (de Leviathan), Mother Puncher e March of The Fire Ants (ambos de Remission) ou Ghost of Karelia e Crack The Sky (ambos do disco de 2009). Num concerto sem direito a encore é no final que surge, para uma despedida intensa, a seminal Blood and Thunder – música entoada por todas almas que se encontravam na Sala Tejo. Para trás fica um concerto intenso em que, além da “muralha sonora” dos Mastodon, fica também marcado por inúmeros problemas (já habituais) no som, demasiado estridente, demasiado alto. Os Mastodon mereciam mais, o público pedia mais.

Estes problemas de som não afectaram somente os cabeças de cartaz e isso ficou bem patente no sexteto norueguês Kvelertak que se apresentou em Portugal para uma actuação repleta de energia, muito por culpa de um “frontman” que teima em destilar energia para o público. Este foi um concerto eficaz e com muito rock, como o comprova os “stagedives” constantes de Ivar Nikolaisen (ele que surgiu em palco de copo na mão). Um concerto enérgico e onde a banda aproveitou para dar a conhecer temas como a brilhante 1985 ou Berserkr que fizerem desta actuação um autêntico Monumento ao Rock.

O mesmo não se pode dizer do trio Mutoid Man. A este trio norte-americano, que conta nas suas fileiras com membros de Cave In ou Converge, coube as honras de abertura. Apesar das boas intenções da banda, o que fica é um som demasiado alto, com ênfase no baixo de Nick Cageao. E que abafava tudo o que estava ao seu redor. Eles até podem ser a maior banda do mundo, ou pelo menos com as melhores intenções, mas esta não foi a noite de Mutoid Man. É pena que o som não tenha ajudado e os norte-americanos acabaram por ser os mais prejudicados pelas limitações da sala lisboeta ou, talvez, por um cansaço acumulado. Mas, como diz o ditado “the show must go on” e foi isso que o trio fez.

Num Domingo que podia ser igual a qualquer outro, o rock foi Rei e Senhor da noite lisboeta, mostrando que está vivo e de boa saúde.

Nuno Lopes  

Melómano convicto, dedicado ás sonoridades mais pesadas. Fotógrafo, redactor, criativo. Acredita que a palavra é uma arma. Apesar de tudo, até é boa pessoa.


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