8 Ago 2014 a 10 Ago 2014

Reportagem no Vagos Open Air

Reportagem no Vagos Open Air

Depois de uma viagem cansativa de Lisboa até à vila, eis que entramos em Vagos e logo vultos de negro caminham pelas ruas, numa atitude descontraida e que contrário do que muitos pensam, de uma forma educada e sem disturbios (o que leva a que os habitantes desta tão já metaleira vila nos acolham tão bem todos os anos), chegamos à Quinta do Ega, para mais um fim de semana pesado. Tenda montada, credencial levantada e eis que às 17h começa o principio de um fim de semana de peso.

1ºDia

Gates of Hell teve o privilégio de abrir o festival e não deixou créditos em mãos alheias, a banda do Porto segurou os primeiros festivaleiros logo com os primeiros acordes e passaram poucos minutos até rodas e moshpits se formarem.

Os Kandia foram a 2ªbanda, destacando-se por ter uma voz feminina e com uma grande atitude em palco, Nya Cruz (vocalista e letrista) conseguiu manter o nível que Gates of Hell deixaram.

E era tempo de começar a entrar em palco o “peixe graudo” e Sylosis entraram para arrebatar tudo e todos, com uma atitude fantástica, numa mistura de Trash Metal e Death Melódico, os Sylosis arrancaram também eles moshpits e crowdsurfing dando trabalho ao staff que apesar de tudo estiveram prontos a ajudar os festivaleiros mais arrojados a não cairem para o pit. A banda de Reading liderada por Josh Middleton continuava a elevar as expectativas ao máximo, e foi aqui que após um intervalo de 15min entram os Soilwork que apesar de não serem cabeças de cartaz foram das bandas mais esperadas do 1º dia.

Bjorn “Speed” Strid começa logo por dizer que sabe bem voltar a Portugal e que é inadmissível estarem tanto tempo sem pisar solo lusitano, e ao som de This Momentary Bliss arrancaram moshpits dignos de um Wacken, o pessoal agradeceu e manteve a simbiose com Bjorn e restantes membros, e a noite já estava quente para os senhores que se seguiam.

Epica, para muitos um momento de descontração (talvez por ser mais melódico e lirico, para outros uma das bandas mais esperadas, principalmente para o clube de fãs que veio de Barcelona). Ao som de Originem a banda preparou para se entrar em palco e a primeira música do setlist foi nem mais nem menos The Second Stone, arrancando coros entres os fãs. A banda holandesa que tem como vocalista Simone Simons também vocalista de Kamelot (ao vivo) não se fez de rogada e brindou-nos com temas como Unleashed, Storm the Sorrow, The Phantom Agony… e foi ao som de Unleashed que ainda se realizaram 2 moshpits, durante o Encore o baterista Arien van Weesenbeek (que passeou no recinto e nunca negou uma foto ou autógrafo aos fãs) brindou-nos com um solo de bateria memorável, e foi com Consign to Oblivion que os Epica passaram o testemunho a uma das bandas mais esperadas da noite, Kreator.

Ao som de Mars Mantra/Phantom Antichrist, os Kreator preparam a atmosfera que iria despender o resto da energia dos festivaleiros neste 1º dia… com o moshpit a ser formado aos primeiros acordes, os Kreator não deixaram ninguém sossegado e com o seu Trash Metal poderoso e liderados por Mille Petrozza arrancaram para um concerto preenchido com temas como Warcurse, Endless Pain, Riot of Violence e no encore com Flag of Hate/Tormentor, foram brindados com moshpits, rodas e crowdsurfing.

2ºDia

Os Portugueses Requiem Laus foram a banda que abriram o 2ªdia do VOA2014. Com um Trash Metal com uma linha clássica, conseguiram segurar os poucos festivaleiros que iam chegando ao recinto, talvez por uma noite anterior que os “obrigou” a despender energia, ou pelo calor massacrante que se fazia sentir na Quinta do Ega.

Apanhando já com uma “casa” composta os Espanhóis Angelus Apartida foram a minha agradável surpresa, confesso que desconhecia esta banda, e o seu Old Style Trash Metal surpreendeu-me muito pela positiva. Com uma atitude irrepreensível em palco, os Angelus Apartida souberam usar a sua energia para contagiar e depressa se formaram moshpits.

Com esta energia toda e ainda a correr nas veias entram em palco The Haunted e foi mais uma vez uma explosão de energia de ambas as partes com o vocalista num acto de pura adrenalina a cortar-se na testa com o microfone de tanto bater a acompanhar a bateria….

Uma das bandas mais esperadas da noite (e que a meu ver e a de muitos festivaleiros deveria ter sido cabeça de cartaz) entraram com tudo logo a seguir. Os polacos Behemoth liderados por Nergal, abriram com Blow Your Trumpets Gabriel, passando por temas como As Above So Below, The Satanist, Chant for Eschaton 2000 e com um dos encores mais aplaudidos com O Father O Satan O Sun! onde todos os membros apareceram com máscaras de Baphomet.

E eis que chega a hora de entrar os “velhinhos” Annihilator, que entraram muito bem e em grande, a banda de Ottawa, Ontário, Canadá com Jeff Waters a liderar, começaram por animar as hostes a perguntar se  público sabia dizer o nome, pois havia muitos que diziam que eram os Anal Hater, arrancando muitos moshpits, rodas, crowdsurfing aos festivaleiros, integraram temas clássicos na sua setlist abriram o concerto com Smear Campaign e percorreram temas como Allison Hell, King of The Kill, Road to Ruin, Brain Dance e ainda um hilariante e fantástico Chicken and Corn, sendo ao som de Human Insecticide que passaram o testemunho aos Opeth.

Parafraseando muitos os Opeth cantaram mas não encantaram, com muitas paragens para uma espécie de standup comedy, uma vez que Mikael Akerfeldt, entre as musicas ia fazendo piadas, dialogando e quebrando a energia dos festivaleiros. Na sua setlist integraram temas como The Devil’s Orchard, White Cluster, Atonement e Blackwater Park.

Infelizmente e devido a outros compromissos, não nos foi possível fazer a cobertura do 3ºdia para desgosto nosso. Esperamos no entanto que fique já marcado novo encontro para 2015 neste que é sem dúvida um dos melhores festivais de metal do nosso país. Podemos acrescentar que a subtil cordialidade entre os festivaleiros, bandas e media torna este um dos melhores sítios para juntar diversão ao trabalho e onde se prova que nem sempre a primeira impressão é aquela que prevalece, já que, e citando um dos fotógrafos com quem nos encontramos, (Keith) terá sido um dos mais educados (polite)  festivais onde esteve. Temos ainda a agradecer a conversa e alguma troca de idéias do staff dos MetalTrip.com que vieram de propósito de Espanha até Vagos.

Domingos Ambrósio  

Consumidor ávido de tudo o que seja revistas de surf, partilha a paixão pela música e projectos musicais com a fotografia. Cinéfilo q.b., perde-se pela FNAC na secção de metal considerando-se um Headbanger. Tem um projecto de escrita em modo embrionário desde 98, mas não morre sem o finalizar e o dar a conhecer. Adorava ter €€ a mais para gastar em guitarras.


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