31 Out 2014 a 1 Nov 2014

Reportagem no 2º dia do Mazefest – Mão Morta, Miss Lava e Matilha

Reportagem no 2º dia do Mazefest - Mão Morta, Miss Lava e Matilha

A segunda noite do festival poderia ter sido considerada a noite dos imprevistos, por aqueles que foram acontecendo, mas no rescaldo foi mais uma noite de boa música.

A sala começou a compor-se de uma forma mais calma e contida que no primeiro dia, a conversa foi fluindo entre a expectativa do que iria ser ouvido por aqueles que são uma banda de referência no rock alternativo Português, não estivessem no mercado há 30 anos.

A banda entrou ao som de cânticos por volta das 22h, com Adolfo a informar o primeiro imprevisto da noite, a substituição do baterista Pedro, que partiu um braço, por Ruca, com quem tiveram 2 ensaios tendo sido o 2º o ensaio geral.

Abriram o concerto com o tema “Irmão da Solidão” do CD acabado de sair “Pelo meu relógio são horas de matar” e em mais uma noite de sala esgotada foi a apoteose.

Adolfo Luxúria Canibal

Sem dúvida que a energia do vocalista continua fervilhante assim como o guitarrista, que terá sido o protagonista do segundo imprevisto da noite, já que ao som do tema “Hipótese de suicídio” teve problemas com a sua guitarra o que levou a substituição da mesma.

O concerto foi pontuado por altos e baixos, se houve músicas que levaram o público ao delírio como “Oub’Lá”, “Budapeste” e “Lisboa” outras houve onde o ambiente amornou como aconteceu no caso de “Pássaros a Esvoaçar”. Sentimos uma falta de coesão estranha na banda, que poderá ter sido pela entrada forçada do baterista, mas tirando a energia do Adolfo e do guitarrista Vasco Vaz a restante banda pareceu-me fria e sem ânimo o que terá levado a que se sentisse o mesmo na sala.

Em resumo? Opiniões totalmente dispersas: se para uns foi o concerto do ano, para outros deixou a desejar. Na realidade Mão Morta é uma banda de referência que moldou o rock alternativo português com músicas e ideais que não só faziam sentido em 1984 como o fazem agora em pleno 2014 e a noite de ontem provou isso mais uma vez.

Seguiu-se então o after party da primeira noite de Novembro e com este mais imprevistos, se por um lado o início de Miss Lava aconteceu com meia hora de antecedência a primeira música terminou com a quebra da tarola do baterista J. Garcia, que apenas conseguiu contornar isso com o empréstimo da parte da Matilha, mas não sem antes ter levado um aviso de não tornar a armar a mesma graça com a tarola deles. E na realidade a quebra da tarola nada mais foi que a prova do power desta banda que foi sem sombra de dúvida a banda revelação do Mazefest de 2014.

Presença em palco brutal, de uma entrega fenomenal a banda agarrou o pequeno público que tinham na sala e que se foi compondo ao longo de concerto de uma forma arrepiante.

Formados por diversos membros de bandas já extintas a realidade é que provaram ontem que estão no mundo do Heavy Rock para vencer.

Miss Lava

Mantiveram sempre uma sintonia não só com o público, como com os próprios repórteres fotográficos que acompanharam a banda e a sua atuação, tendo o cuidado de manter posses entre músicas facilitando-lhes o trabalho. E para uma banda que começou de uma forma fria, numa sala meio vazia onde poucos conheciam o trabalho ter acabado com encores e pedidos de mais músicas foi a constatação do seu brutal valor e entrega, tendo direito a um final apoteótico de crowd surfing ao som de “Sleep with the angels”.

A noite terminou com o som de Matilha, em substituição dos Bisonte que por motivos alheios a organização não pode comparecer. Com um género de música muito alternativo não terá sido aquilo que se esperava num festival maioritariamente metaleiro, mas primaram pela diferença.

Mostraram ontem o porquê de se terem sagrado vencedores do Optimus Alive 2014 como banda revelação.

Matilha

Resta-nos deixar aqui o nosso agradecimento à organização do MazeFest pela sua sempre presente simpatia e disponibilidade e por estas duas noites de boa música que vieram provar mais uma vez o que de bom se faz por este nosso Portugal.

Um especial agradecimento também ao público do Incrível Almadense e Cine Incrível pelo constante apoio não apenas as cabeças de cartaz, como as bandas after party fazendo-os sentir em casa o que proporcionou momentos inesquecíveis.

Paula Marques  

Observadora por natureza descobri cedo que quando se vê e não se olha apenas, descobrimos o mundo. Seja pela ponta da caneta ou a lente da câmera gosto de mostrar o que às vezes nos passa despercebido porque nos esquecemos de viver.


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