25 Mai 2014 a 1 Jun 2014

Quarto dia do Rock in Rio – Os Arcade Fire foram tão “Royalsss”

O regresso dos canadianos Arcade Fire e a estreia da neozelandesa Lorde, em palcos portugueses, marcaram este Sábado o Rock in Rio Lisboa, num dia em que o Palco Mundo recebeu uma homenagem ao músico António Variações.

Unifyer Ver mais fotos de Unifyer no Rock in Rio

Com o fim da banda Soul Mate iniciada em 2005 pela dupla Calvin e Romeu, nascem em 2013 os UNIFYER, mas o seu primeiro trabalho discográfico, reLOVE, só surgirá este ano. As músicas transmitem ambiências orgânicas e digitais, envolventes e actuais, onde a mensagem ocupa o núcleo da sonoridade. Com um tom positivo, introspectivo e motivador, os UNIFYER abordam nas suas músicas questões relacionadas com a emancipação da mente e do coração, o ambientalismo, os direitos dos animais, o distanciamento entre os Homens que a actual sociedade propõe. Para além de Calvin e Romeu, o baterista Nuno acompanha o crescimento da dupla criativa, assim como Cláudio, nas teclas, e Bruno, no baixo. Os UNIFYER subiram ao Palco da Vodafone às 16h45 e houve momentos acústicos, interação com o público e ainda tempo para Romeu falar das histórias que moldaram as músicas.

Capitão Fausto Foto: Agência Zero

São cinco. Chamam-se Tomás Wallenstein, Domingos Coimbra, Francisco Ferreira, Manuel Palha e Salvador Seabra. Embora tenham todos nomes betos e chiques, a estética dos Capitão Fausto aproxima-os do psicadelismo e do rock dos anos 1960 e 1970, nas vocalizações e no tratamento que foi dado às guitarras e à bateria. As músicas «A célebre batalha de Formariz» e «Maneiras Más» fazem parte do novo álbum Pesar o Sol, depois de terem editado em 2011 o primeiro disco, Gazela. Capitão Fausto atuaram no Palco Vodafone às 18h00 e percebe-se porque o seu novo álbum não é obsulento – o quinteto vai adaptando os arranjos à medida que vão soando melhor.

Wild Beasts Ver mais fotos de Wild Beasts no Rock in Rio

Quem também atuou no Palco Vodafone foram os ingleses Wild Beasts. Editaram em Fevereiro o quarto disco de originais, Present Tense, sucessor de Smother (2011). É um álbum mais melódico e pop com uma mensagem muito política, com o intuito de sensibilizar e consolar as pessoas, e também de reaprender ideias e necessidades básicas. A banda indie-rock britânica aproxima-se agora mais da electrónica e consegue mesmo seduzir o público. Aliás, Hayden Thorpe e Tom Fleming (a voz, entenda-se) seduzem quem quiserem. A música, na maior parte, não é intectual. As letras de «Wonderlust», «Sweet Spot» e «New Life» carregam metáforas sensuais e melodias suaves. O rock é intencionalmente sexual, como se confirmou em «Pregnant Pause».

Homenagem a António Variações Ver mais fotos da homenagem a António Variações no Rock in Rio

O Palco Mundo arrancou às 19h00 à grande e à portuguesa, com Gisela João num fabuloso vestido de lantejolas dourado. Gisela é linda, humilde e dona de uma voz incontornável. Cantou a solo as canções «Anjinho da Guarda» e «Quero é Viver» e depois de bater uma salva de palmas ao público, chamou ao palco os Linda Martini, despedindo-se de nós com a maravilhosa «Adeus que vou embora». Os Linda Martini tocarão amanhã no Rock in Rio, mas hoje deram-nos as boas-vindas com «Visões Ficções» e Canção de Engate». No palco a celebração foi arrepiante. Com os adorados Deolinda a cantar «O corpo é que paga» e «É p’ra amanhã», ainda se ouviu «Estou Além», «Dar e Receber» e «Erva Daninha» pela voz de Rui Pregal da Cunha. Numa homenagem ao músico António Variações, que completaria 70 anos este ano, todos os convidados despediram-se das centenas de fãs com a música «Amália na Voz».

Ed Sheeran Ver mais fotos de Ed Sheeran no Rock in Rio

O britânico Ed Sheeran tem 23 anos e uma mistura de popfolk e hip-hop. No próximo mês terá novo álbum, «, portanto contentámo-nos apenas com músicas do disco « – «You Need Me, I Don’t Need You», «Lego House» e «Don´t» foram o arranque de um concerto que surpreendeu pela positiva. Mas se Sheeran é pouco dado a grandes títulos de álbuns, em cima do palco a conversa é outra. Estreou-se em Portugal no Palco Mundo às 20h30, mas o jovem cantor, compositor, beatboxer e guitarrista já partilhou o palco com grandes nomes como Elton John e Taylor Swift. Além dos variadíssimos prémios que guarda numa estante em casa, já esgotou três vezes o Madison Square Garden. Mas foi com o single «I See Fire» que Ed conquistou o público mais importante – nós – não dispensando de canções como «Give Me Love» que levou o público a dançar ao rubro e ainda «A Team» e «Sing».

Lorde Ver mais fotos de Lorde no Rock in Rio

Quem também pisou solo português pela primeira vez foi sua realeza Lorde. «Royalsssss!». É verdade, Royals tornou-se trending esta noite no Twitter.  É nova, é gira e é considerada um fenómeno de sucesso mundial, além de ser uma das grandes revelações da música em 2013. É neozelandesa, tem 17 anos, chama-se Ella Yelich O´Connor, Lorde para os amigos, e tem um estilo difícil de definir, entre o pop, o rock e a electrónica. Além de ser todas estas coisas “fabulásticas” tem um tique estranho a dançar, de cabeça para baixo, como quem procura uma lente de contacto perdida no chão. Ou então é apenas o peso dos cachos de uvas que tem na cabeça. Podia referir que começou o concerto com «Glory and Gore», cantou mais 12 doze canções, terminou com «A World Alone», mas o que interessa é a «Royalssssss». Afinal de contas, foi Trending em Portugal.

Arcade Fire Foto: Agência Zero

47.500 pessoas na Cidade do Rock. «Senhoras e senhores, vamos dar as boas-vindas à fabulosa banda Arcade Fire. Façam barulho!» ouviu-se no Parque da Bela Vista assim que o público é surpreendido com um rôbot enfiado num fato metalizado e cintilante a descer no Slide. O concerto dos Arcade Fire teve como base o mais recente álbum Reflektor, editado em Outubro do ano passado. No ar permaneceu uma aura indie, mas o fogo dos Arcade é pop. No fundo do palco são projectados inúmeros quadrados às cores, imitando o tradicional jogo “quatro em linha”  e ouve-se «Reflektor» e logo de seguida «Flashbulb Eyes». «Ready To Start» e «Month of May» quase se pareceram irónicas uma vez tocadas no último dia do mês. Mas sem ironias, Win Butler afirma-se como um ícone moderno – ontem à noite chegou mesmo a ir beber uns copos ao bar Incógnito e partiu uns pratos. Hoje, no palco, partiu a loiça toda. Houve palmeiras e moinhos de origami prateados. Houve guitarra, bateria, baixo, violino, viola, violoncelo, teclado e acordeão. Houve confettis, a vocalista Régine Chassange cantou num corredor no meio do público acompanhada por um mascarado. E também houve mascarados, qual Carnaval de Torres Vedras. Personagens com cabeças gigantes animaram milhares de fãs da banda, quando de uma delas se desmacara miss «Royalsssss». Mas de lordes está o país cheio, «It´s Never Over». «Normal Person», «Here comes the night time» e «Wake Up» fecharam um alinhamento pensado ao pormenor para um concerto ainda melhor.

Mafalda Saraiva  

Eu sei lá resumir-me numa frase. Mas escrevo muitas no meu blog.


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