Pixies no Campo Pequeno – mais um concerto de fazer perder a cabeça

Pixies no Campo Pequeno – mais um concerto de fazer perder a cabeça

Regressados a Portugal por ocasião do lançamento do seu sétimo álbum, Beneath the Eyrie, os norte-americanos Pixies foram recebidos entusiasticamente pelos lisboetas num Campo Pequeno praticamente esgotado. Da bagagem com mais de trinta anos tiraram perto de quatro dezenas de temas. Com mestria e inspiração transformaram um concerto grande num grande concerto.

Após a actuação, breve mas satisfatória da banda convidada (os britânicos Blood Red Shoes, que deixaram o recinto já bastante animado), Black Francis e os seus companheiros subiram ao palco às 21:30 – a pontualidade começa a ser uma constante nos espectáculos da capital – com Gouge Away, um dos oito temas de Doolittle a serem tocados nesta noite. Seguiram-se Something Against You, de Surfer Rosa e U-Mass de Trompe le Monde.

No final da noite teríamos visitado todos os trabalhos da banda de Boston, desde o EP Come on Pilgrim, de 1987, até ao recente Beneath the Eyrie, que escutamos quase na íntegra.

Com a voz da também baixista Paz Lenchantin a harmonizar-se com a de Black Francis, cedo se percebeu que esta seria uma noite ‘à Pixies’, ou seja, um extenso desfile de temas fortes de uma sólida carreira a dar cartas no que toca ao rock alternativo.

Tal como anunciado previamente, os trinta e nove (!) temas interpretados seguiram um alinhamento bastante diferente do dos espectáculos antecedentes. Embora o número de canções seja sensivelmente o mesmo de localidade para localidade, a ordem e até os temas vão variando, sendo a setlist definida de acordo com o ambiente dos concertos.

Quanto a este, na capital portuguesa acreditamos não haver qualquer razão de queixa, quer de músicos quer de público. Nas duas horas e alguns minutos de duração do concerto, a comunhão de energia foi uma constante, com a força das vozes, guitarras e bateria em palco a encontrarem acompanhamento à altura na arena e nas bancadas.

Frequentemente “acusados” de serem pouco comunicativos em palco, os Pixies foram iguais a si mesmos, havendo poucas palavras para além das cantadas. Também não será este aspecto a dar azo a reclamações. Afinal não havia tempo a perder. No final, aqueles milhares de pares de ouvidos foram brindados com o que vieram procurar: cerca de 120 intensos minutos de música da banda que ocupa um dos lugares cimeiros nas preferências de quase todos. Para muitos terá sido um feliz e ansiado reencontro e ninguém se oporá ao facto de os temas surgirem quase colados entre si, sem quase haver espaço para aplaudir, a não ser nas rápidas trocas de guitarras.

Com um recinto repleto de fãs incondicionais seria difícil particularizar momentos altos. A banda ganhou a sala nos primeiros segundos e desde logo se sentiu imenso calor e conexão. Assim, foi com alguma surpresa, mas também com naturalidade, que notámos algum crescendo na segunda metade do concerto. Com um número imenso de temas cantados a uma só voz, o incontornável Where is My Mind soou a algo muito próximo de um hino, a unir várias gerações de admiradores.

Na opinião de alguns, esta festa imensa que, coincidentemente ou não, terminou com Gigantic (de Surfer Rosa) não terá sido perfeita apenas pela qualidade do som, excessivo em volume ou distorcido pelas condições físicas da praça. A verdade é que a pop explosiva dos Pixies, terá perdido parte do seu característico tom melodioso, desgostando alguns dos presentes. A contrariar estes condicionalismos, esteve a experiência e competência da banda com destaque para o bem-humorado Joey Santiago e o seu virtuoso boné.

O balanço é, contudo, e em termos absolutos, muito positivo: uma grande noite que plantou sorrisos nos rostos de todos quantos por volta da 23:30 deixavam o Campo Pequeno e que deu direito, por parte da banda, a uma despedida com vénia colectiva.

Carla Flores  

A repórter de guerra sonhada aos 10 anos deu lugar à professora de inglês que se dedicou a outras lutas, como a da promoção da leitura e a aquela coisa do "ah e tal, vamos lá mudar o mundo antes que ele nos mude!


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