Mgła – da Polónia… com veneno!

Mgła - da Polónia… com veneno!

Foi um RCA “ao barrote” que recebeu os polémicos (ou talvez não!) Mgła. Pela primeira vez em solo nacional a banda polaca mostrou todos os condimentos para ser uma das mais badaladas no movimento Black Metal atual, numa noite toda ela made in Polónia.

Quando chego ao RCA deparo com uma sala bem composta que já via os Above Aurora! Esta terá sido a surpresa da noite, até porque havia jogo da Seleção Nacional de futebol e já se sabe como é o público por estas bandas! Mas já voltamos a estes polacos! Falemos dos Mgła.

Envoltos numa polémica que envolve possíveis ligações a grupos extremistas, o quarteto polaco goza, por estes dias, de um estatuto de culto, muito por culpa de discos como Exercises in Futility e, mais recentemente, Age of Excuse, criando assim um misto de curiosidade versus devoção e, ao vivo percebe-se o porquê. Quando um grupo de quatro mascarados sobe ao palco começa uma devastação sonora que dura uns (míseros) 50 minutos e que deixam uma sensação agridoce, pois o som do quarteto, apesar da qualidade dos seus integrantes, parece esgotar-se ao fim de algumas malhas, talvez pela semelhança entre si, não querendo com isto dizer que a banda se perca ou que a intensidade negra se assombre sobre uma sala esgotada! Gozando um grande som, a banda foi destilando o veneno polaco que sai das entranhas do seu ar e, sem uma única palavra dirigida a um público rendido, a banda garante a si mesma um concerto seguro e poderoso, mostrando que é muito mais do que polémicas! Quando a banda termina a sua atuação existe um misto de sensações que nos fazem perceber que o quarteto provou a sua razão: os Mgła são o novo rosto do Black Metal.

Já antes o negrume se tinha alastrado na sala, no início da noite: os Above Aurora criaram as primeiras ondas de um som bafiento, em alguns momentos interessante e que despertaram os esqueletos ali presentes. O mesmo sucedeu com os também polacos Martwa Aura, que foram o rastilho da “bomba” que viria ali a explodir. Com um vocalista gigante, a banda trouxe o tradicional corpsepaint para o RCA e apanhou muitos de surpresa. Despertou alguma curiosidade, apesar de algum desapego por parte do público em alguns momentos, mas, afinal, eles não eram as estrelas da noite.

Esta foi uma noite relâmpago! Intensa, feroz num endiabrado e inebriante cheiro a morte… a veneno!

Nuno Lopes  

Melómano convicto, dedicado ás sonoridades mais pesadas. Fotógrafo, redactor, criativo. Acredita que a palavra é uma arma. Apesar de tudo, até é boa pessoa.


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