2 Jul 2022 a 30 Jul 2022

Love is in the air – Reportagem no concerto de John Legend no EDPCOOLJAZZ 2022

A 17ª edição do EDP Cool Jazz em Cascais ficou marcada pelo regresso a Portugal de um dos maiores artistas da atualidade da R&B/soul – John Legend. O primeiro dia deste festival em 2022 começou em grande, com uma enchente no Hipódromo Manuel Possolo. Um público devoto e que foi, primariamente, ver o artista norte-americano que inicia em Portugal a sua digressão europeia.

Como é hábito nos festivais de verão, em especial no rescaldo de uma pandemia que se arrastou (e infelizmente, ainda arrasta) durante mais de dois anos, o EDP Cool Jazz recebeu no passado sábado, dia 2 de julho, milhares de pessoas sedentas por mais um passo rumo à normalidade da vida social e cultural.

Ainda que tenha estado um dia de sol radioso, às 20h00, o parque Marechal Carmona já era pequeno para receber tanta gente. Aproveitando o facto de ser fim-de-semana e do sítio ser esplendoroso, este recinto, agora transformado em palco do Gileno Santana Trio e food court, transbordava. Apesar de estar bem no centro do parque, a multidão que fazia longas filas para comer e beber, ouviu este conjunto interpretar grandes êxitos de Miles Davis, especialmente como melodia a acompanhar o jantar ou o lanche tardio antes do artista principal da noite pelo qual esperavam.

Às 21h00, e desta feita no palco principal, Murta apresentou o seu espetáculo. O artista da Figueira da Foz que se popularizou como participante e finalista da 4ª edição do concurso The Voice Portugal teve uma boa receção daqueles que já se juntavam ao recinto principal do festival dedicado ao jazz de Cascais.

Aproximadamente com 5 minutos de atraso da hora programada, John Legend chegou. O público que ainda tentava comer qualquer coisa, apressou-se para tentar arranjar um cantinho pouco populado do relvado do Hipódromo e ter o privilégio de ver um dos homens mais jovens a conseguir reunir o EGOT (Emmy, Grammy, Óscar e um Tony). Ao vivo é notório porque é que John Roger Stephens, o “verdadeiro” nome do artista, nascido numa pequena cidade de Ohio no final do ano de 1978, alcançou todos estes prémios e ainda antes dos 40 anos. Dono de uma voz poderosa e acompanhado por excelentes músicos, o galardoado músico derreteu corações e (en)cantou sobre a sua temática preferida – o amor.

John Legend começou a seduzir a plateia com “Ooh Laa, Used To Love U” e “Penthouse Floor” numa noite recheada de hits. Dançando e cantando em palco como verdadeiro showbiz man que é, fez lembrar os tempos dourados de Hollywood, onde homens e mulheres deslumbravam com uma combinação única de múltiplos talentos: música, voz e movimento. Depois de declarar a sua paixão por Portugal (“Portugal, you are my dream come true”), conversou um pouco com o público, mostrando as lutas pessoais para chegar ao “sonho”: desde a sua primeira incursão no mundo maior da música como pianista de Lauryn Hill em “Everything Is Everything”, à colaboração com JAY-Z em “Encore” e com Alicia Keys em “You Don’t Know My Name” e à composição de “American Boy” para Estelle. Mais à frente confessou que demorou seis anos até chegar ao lançamento do seu álbum de estreia “Get Lifted”.

Foi, sem dúvida, uma hora e meia recheada de “love and tender moments” para muitos dos que assistiram ao espetáculo ao som de “Glory”, tema principal do filme “Selma” e que lhe valeu o Óscar, “Love Me Now, P.D.A.(We Just Don’t Care”), “Save Room”, “Bigger Love” e “Green Light”, mas especialmente em “Ordinary people”, onde John Legend fez mais uma pausa para contar a história da canção que quase fez parte do reportório dos Black Eyed Peas.

Outro momento muito íntimo do músico foi dedicado à sua saudosa avó e que o terá incentivado nas lides artísticas, ainda enquanto membro da igreja onde começou a cantar gospel com sete anos. A sua versão de “Bridge Over Troubled Water” de Simon & Garfunkel foi assim cantada ao piano apenas com focos de luz branca descendo sobre o piano, numa bonita homenagem, que remetia, figurativamente, a esse passado/presente que vive dentro de si.

No alinhamento foram ainda integradas duas novas canções do próximo álbum, a lançar ainda este ano, “Dope” e “All She Wanna Do”.

Como o melhor, ou neste caso, o mais aguardado, porque John Legend não é capaz de nos mostrar nada sem qualidade, o encore teve direito a “All Of Me”, com o público rendido a cantar a canção quase em uníssono, do princípio ao fim, e a “Wild” do álbum “Bigger Love” de 2020 que deu o mote a esta digressão.

Após uma espera de dois anos, o público de Cascais saiu satisfeito por ter finamente visto, sentido, amado e acarinhado John Legend, numa noite cheia de candura.

Imagens: Organização (Ana Viotti)


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