La Fura dels Baus – Carmina Burana: uma noite na ópera

La Fura dels Baus - Carmina Burana: uma noite na ópera

Na primeira de duas noites na sala lisboeta, os catalães tiveram perante si uma sala esgotada e rendida do primeiro ao último segundo.

Poderá parecer estranho a quem segue o musicfest.pt (e também a quem acompanha este escriba) ver por aqui um texto sobre La Fura dels Baus. Ainda mais quando o motivo deste regresso a Portugal, de resto um país que sempre os acarinhou, é uma adaptação de uma das melhores óperas do séc. XX, a mítica Carmina Burana, de Carl Orff. Será mesmo necessário continuar a justificar este texto? Não! Ainda bem!

O que se viu e ouviu naquela hora e meia de actuação foi algo indescritível, foi mágico, foi surpreendente, foi genial. Aliás, todos estes adjectivos são aplicáveis a todo o trabalho deste colectivo fundado em 1979 e que tem, ao longo destes anos, abanado os alicerces do convencional. Contudo, nesta noite em que a Tempestade Elsa devastava o nosso país, o Campo Pequeno foi pequeno (permitam-me a redundância) demais para exprimir em palavras tudo o que se viu, mas vamos tentar.

Aos poucos o palco vai-se enchendo: primeiro os músicos, depois os coros (um em cada lado do palco). No centro do palco vê-se uma tela onde, saberíamos mais tarde, nos iria trazer uma história sobre a vida, sobre a morte, sobre os elementos. A partir do momento em que se ouve O Fortuna (serei o único a lembrar-me de Old Spice?!) o público rende-se perante um mundo de cor e fantasia que ilumina o espaço. Nada voltou a ser o mesmo. Como sempre acontece, elementos a la Fura vão surgindo nas bancadas da sala, vão desfilando na plateia, como se fossem pirilampos. Há alegria, há tristeza, há emoção. Se existe algo que os La Fura fazem é brincar com as emoções e fazem-no como ninguém. Também há amor, há uma disputa entre o bem e o mal, existe a invenção do vinho por uma sereia vinda de lado algum. Há o desconhecido que nos prende e nos assombra e maravilha. Seres mágicos vão surgindo a cada trecho e descobre-se que o coração ainda bate no Homem.

Passa uma hora e meia quando se ouve O Fortuna novamente. Tudo termina e recomeça, tal como a vida. O público aplaude de pé, aos poucos vamos percebendo quem são os intervenientes, sem deixar ninguém de lado. Músicos, Maestro, todo o grupo, são alvo de um aplauso sentido de quem sabe que nada será como dantes. Não se sabe o que se pode esperar do grupo catalão, mas sabemos que a cada trabalho são capazes de trazer a magia, o encanto, a surpresa. Dos La Fura dels Baus apenas se pode esperar o tudo, e é assim que gostamos deles.

Nuno C. Lopes  

Melómano convicto, dedicado ás sonoridades mais pesadas. Fotógrafo, redactor, criativo. Acredita que a palavra é uma arma. Apesar de tudo, até é boa pessoa.


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