Ghost, All Them Witches e Tribulation – A reportagem na Sala Tejo

Ghost, All Them Witches e Tribulation - A reportagem na Sala Tejo

Depois de uma passagem no início do ano a acompanhar os Metallica, os Ghost regressaram ao nosso país para um concerto em nome próprio. E não é que tivemos tudo a que temos direito? Foi um espectáculo em nome do rock.

Por estes dias os Ghost são uma das mais aclamadas bandas de rock e isso percebe-se pelas longas filas de espera que viriam a encher a sala “irmã” da Altice Arena.

Estes suecos sabem o que fazem e fazem-no bem! Tudo o que aqui nos é apresentado é feito com a maior atenção ao detalhe e onde se espalha toda a magnitude de uma banda que é mais do que isso. Em cima do palco há muito mais que música, sendo que o que este conjunto de músicos traz é, acima de tudo, entretenimento, o que, por si só, vai ao encontro das expectativas do público que, diga-se, vai dos 8 aos 80, o que também se entende, pois a banda liderada por Tobias Forge lembra os tempos áureos do género, transpondo isso para o palco de forma genuína. Forge é um entertainer nato e nascido para os palcos imaculados que pisa.

Com um cenário a condizer, a banda vai desafiando o público enquanto a pirotecnia, os confettis e o fogo ardente desmontam uma teia fabricada por uma mente brilhante. Depois há os músicos, que se divertem e perante tamanho mistério promovem uma estranha dança que se perde em solos nunca demasiado extensos. Há um vislumbre Papal (com direito a saxofone), mas há muito mais charme e extravagância que outra coisa qualquer. Puro entretenimento! Por isso mesmo se justifica a homenagem a Marie Fredriksson (vocalista dos, também suecos, Roxette), falecida horas antes. Momento tão delicado como subtil e inesperado.

Os Ghost nunca se perdem no seu mundo e, por tudo isto, fica provado todo o sucesso e relembram-se alturas em que o rock era muito mais do que figura de estilo. Os Ghost são a melhor banda rock do momento em cima de um palco e fazem por isso. Até se dão ao luxo de ter quem limpe o chão que pisam, literalmente. Este foi o concerto do ano. Palavra de Ghost! Amén!

Antes, os All Them Witches, cujo melhor momento acabou por ser a entrada ao som de War Pigs, clássico dos Black Sabbath) apresentaram o seu Stoner, mas psicadélico que Doom e deram boa conta de si. Apesar de ser uma atuação desinteressante para muitos, ficou a perceber-se que a banda tinha público para tocar. Contudo o que fica é a sensação de ser a banda certa na slot errada, pois percebemos que os Tribulation fariam mais sentido na mera opinião de quem considera que a sonoridade deste trio teria caído muito melhor a abrir, isto, olhando apenas para a vertente musical/espetáculo. Contudo, talvez seja mesmo uma questão de logística. Convém dizer que ambos os conjuntos souberam desempenhar o seu papel secundário numa noite em que a missa era dada por sua Excelência o Papa.

 

Foto: Joana Marçal Carriço

Nuno C. Lopes  

Melómano convicto, dedicado ás sonoridades mais pesadas. Fotógrafo, redactor, criativo. Acredita que a palavra é uma arma. Apesar de tudo, até é boa pessoa.


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