18 Jul 2014 a 26 Jul 2014

FMM: A febre de terça-feira à noite

FMM: A febre de terça-feira à noite

Quem ontem passasse pelo Castelo de Sines dificilmente iria pensar que estávamos numa terça à noite. O verbo obrigatório foi “dançar”, e o alinhamento de artistas foi escolhido a dedo para que o público cumprisse esse requisito. Dos ritmos do Mali à cumbia sul-americana, o castelo incendiou-se de energia. Venham mais noites assim.

No final da tarde, e dando início ao cardápio que se prolongaria até às tantas da manhã, o português Zé Perdigão, projecto de sons ibéricos apadrinhado por José Cid – que também subiu ao palco tocando flauta e juntando a voz à de Zé Perdigão. O fado, a música espanhola e sul-americana e as raízes musicais portuguesas acompanharam a descida do sol, com uma ajuda de um grupo de adufeiras de Monsanto e até dançarinas de flamenco a marcar o ritmo. Muitos pés e pernas não hesitaram em dançar freneticamente, mesmo ao jeito daquilo que é normalmente o FMM.

Mas a festa rija viria a seguir. Depois de um interregno para tratar do estômago, o Castelo abriu as portas, desta vez exigindo-se já bilhete pago à entrada. Do programa constava inicialmente o nome de Oliver Mtukudzi & The Black Spirits, do Zimbabué, mas devido a questões relacionadas com a obtenção de visto, fomos brindados com uma magnífica voz do Mali: Mamani Keita. O Mali deve ser, com certeza o país que mais facilmente nos faz dançar. Incansável em palco, dona de uma voz doce e quente, Mamani deu um verdadeiro espectáculo, interagindo com o público de uma forma bastante bonita.

Mamani Keita

E depois de África, a cumbia argentina, pela mão e pelas ancas de La Yegros. A mistura do folclore do noroeste argentino num caldo onde se inclui o rap, o reggae, o soul, o funk e a electrónica, é uma combinação explosiva, e resultou bastante para espantar alguma réstia de sono que houvesse. Como se os sons tropicais não fossem, por si só, já quentes o suficiente, os La Yegros trouxeram uma convidada – Cata.Pirata, vocalista dos Skip & Die, banda de electro-rock sul-africana e holandesa – que levou os ânimos ao rubro e pôs o público em êxtase musical.

La Yegros

De volta aos ritmos africanos, o resto da noite pertenceu a Debademba, banda que deambula entre o Mali e o Burkina Faso e que recorrem aos blues mandinga tradicionais como base da sua música. Mas depois, há o resto. E o resto vai do afrobeat ao rock, com guitarras a soar a Led Zeppelin e o cantor Mohamed Diaby a afigurar-se como um verdadeiro James Brown maliniano. Um concerto nada sossegado, para fazer ferver o sangue e agitar cada ossinho do corpo. Esta não foi uma terça-feira normal, e ainda bem.

Debademba

Hoje viaja-se até de madrugada entre São Tomé e Príncipe, China, Líbano, França, Coreia do Sul, Haiti, e mais uns quantos países. E já estamos a bater o pezinho em antecipação.

Fotos: Mário Pires / C. M. Sines

Laura Alves  

Jornalista, editora, produtora de conteúdos, copywriter, gestora de projecto e de comunidades online. Freelancer, ciclista de pernas e coração, adepta do coworking. Fã de caracóis e imperiais.


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Mais sobre: Debademba, La Yegros, Mamani Keita, Oliver Mtukudzi, Zé Perdigão


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