Dia D, o segundo de NOS Primavera Sound

Dia D, o segundo de NOS Primavera Sound

Decisões difíceis no Parque da Cidade: o dia 9 de Junho foi o primeiro com todos os palcos do NPS em funcionamento. Resultado? Sobreposições complicadas e dilemas, muitos. O Pedro Gama não teve uma tarefa fácil e confessa que teria gostado de se dividir em dois, várias vezes.

Comecemos pelo princípio. E no princípio, a umas pontualíssimas 17:00h, sobem os First Breath After Coma ao palco Super Bock. Os portugueses, que pouca assistência tinham devido ao horário, desfilaram os seus hinos pós-rock, contando com a participação especial de Noiserv.

Depois… Bem, depois começaram as escolhas. Jeremy Jay no palco . às 17:45h ou Pond no palco NOS às 17:55h? A escolha recaiu sobre os australianos Pond, com o seu rock psicadélico a levar até realidades alternativas o muito público que já se encontrava no recinto. Com uma formação partilhada quase totalmente com os também australianos Tame Impala, o som é mais cru, mas não menos alucinante.

A seguir, mais escolhas: O som beachy rock dos Whitney no palco Super Bock às 18:50h ou o rock alternativo, mais duro e selvagem debitado pelos Royal Trux no palco . a partir das 19:00h? Como a tarde estava quente, ficamo-nos pelo som mais suave e a lembrar praias dos primeiros. Foi um concerto morno, mas que não deixou de aquecer corações, e que contou com a participação de um elemento dos King Gizzard and the Wizard Lizard. Mas a esses já lá vamos…

No palco NOS apresentou-se a seguir uma das estrelas da noite, na nossa opinião. Angel Olsen, qual anjo aparecido ao por do sol, vestia verde mas soava carnal, soava a alma e corpo, etérea mas erótica, e encheu o público presente de inocência e desejo. Uma mistura que nos transporta do pecado à redenção e de volta ao início. Acompanhada por uma banda impecável tanto no som como no guarda-roupa, foi um verdadeiro momento-chave da noite.

Abandonados à voz polivalente e poderosa da americana, deixamos passar os Sleaford Mods, às 20:30h no palco . e decidimos ir ao palco Pitchfork dar uma vista de olhos à também americana Nikki Lane. O country rock não teve muita audiência, talvez porque, às mesmas 21:00h, no palco Super Bock, tocavam os Teenage Fanclub, banda escocesa com uma considerável legião de fans, que tiveram bastante gente a cantar os seus maiores êxitos. Eles, no entanto, fizeram pouco esforço, num concerto que poderia ter sido muito mais.

A seguir, uma das mais difíceis decisões da noite: O post-punk eléctrico de Swans, no palco . às 22:00h, ou o indie-folk eletrónico dos Bom Iver no palco NOS às 22:15h? Estivemos 5 minutos nos primeiros, que arrancaram em grande estilo, com descargas de energia que logo incendiaram os muitos assistentes, mas rapidamente voltamos aos segundos, de quem não queríamos perder nada.

E ainda bem que o fizemos, porque foi um grande, grande concerto. Apesar de achar que a banda se movimenta melhor em espaços fechados, o som contemplativo de Justin Vernon e seus pares, que incluía uma secção de metais e duas baterias, encheu por completo de sonhos o repleto espaço do palco principal. Alicerçado no último registo, mas com passagens por músicas mais antigas, a comunhão com o público foi total, e chegou ao êxtase no final com Skinny Love. Quem não conhecia ficou a adorar, quem adorava delirou. Genial.

Já há muito que Julien Baker tocava no palco Pitchfork, pelo que seguimos para o palco Super Bock para ver o britânico Skepta, que pouco depois das 23:55h começou a debitar o seu rap agressivo, de letras marcadamente politicas, acompanhado de outro MC e de um muito competente DJ. E foi um ver-se-te-avias por toda a frente do palco, com mosh pits a aparecer esporadicamente, e muita gente a cantar as mais conhecidas letras do inglês, que terminou com o fantástico Shutdown, passando depois pelo fosso a cumprimentar e tirar fotos com os mais entusiastas dos presentes.

Entretanto, no palco Pitchfork, apresentava-se Hamilton Leithauser, ex-vocalista dos The Walkmen, mas, devido à coincidência do horário, não pudemos apreciar os seus dotes vocais, que já tínhamos presenciado quando se apresentou com a banda.

Mais uma decisão difícil de tomar à 1 da manhã: O rock psicadélico dos King Gizzard & The Lizard Wizard no palco . ou Nicolas Jaar e o seu experimentalismo electrónico no palco NOS? Decidimos começar pelo segundo, e apreciamos a sua introdução de quase 20 minutos, no mais puro (e duro), quase alucinógeno, som experimental. De volta dos seus sintetizadores e computadores, só aos poucos o americano começou a distribuir batidas, em crescendo, até que os ritmos dançáveis tomaram conta da actuação. Mas, entretanto, muito do público já tinha abandonado o espaço para procurar outras emoções, e também nós o fizemos.

Fizemos, e bem, a caminhada até ao palco ., onde os King Gizzard & The Lizard Wizard descarregavam electricidade a rodos pela assistência. Os solos de guitarra, os riffs diabólicos, a bateria dura e rápida, tudo se unia e obrigava a muita gente que ali se encontrava a mexer, a empurrar, a dançar, a saltar. Um som a convidar às atividades mais caóticas, com imensos crowd surfers a cair continuamente no fosso do palco, e mosh a acontecer até ao final de um grandioso concerto.

A partir dai, a ação concentrou-se no palco Pitchfork. Mas este vosso amigo já estava de coração cheio e energia esgotada, pelo que Cymbals Eat Guitars, Richie Hawtin e Mano le Tough já não pude apreciar.

Edição: Joana Rita


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Pedro Gama  

Amante de fotografia, computadores, carros antigos, lê avidamente, como se respirasse livros. Gosta de musica e cinema, mas não tem tempo (€) para ir a todos os eventos que gostaria. Vai escrevinhando umas coisas enquanto trabalha e estuda Literatura Inglesa…

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