Combate? Só vimos amor – Rumble in The Jungle no Coliseu de Lisboa

Combate? Só vimos amor - Rumble in The Jungle no Coliseu de Lisboa

The Legendary Tigerman e Linda Martini, dois pesos pesados da música nacional, juntaram-se no Coliseu de Lisboa no passado dia 21 de Dezembro para “o maior combate do rock português” em forma de concerto. No fim, ganhámos todos.

O palco do Coliseu evoca o histórico circo de natal, mas a verdade é que também tem estranhas parecenças com um ringue de boxe: está no centro, é vermelho e obriga os músicos a estarem de frente uns para os outros (e de costas para o público, que o rodeia). Contudo, neste Rumble In The Jungle, apesar da premissa ser a de um combate – chamavam-lhe “o maior combate do rock português” -, o confronto foi substituído pela comunhão.

O primeiro round foi do homem tigre. Dias depois de ter decidido antecipar o lançamento do seu último disco, Misfit, Paulo Furtado debitou blues e rock and roll puro, acompanhado por Paulo Segadães na bateria, João Cabrita no saxofone e Pisco no baixo. Houve alguns temas novos, e também participações especiais: Cláudia Guerreiro assobiou em The Saddest Girl On Earth, Hélio Morais cantou em These Boots Were Made For Walking e André Henriques e Pedro Geraldes reforçaram as guitarras em Black Hole. Apesar de um público algo morno ao início, a pouco e pouco os ânimos foram aquecendo até ao final estrondoso, com a nova Fix of Rock ‘n’Roll e a clássica 21st Century Rock’n’Roll, já em octeto, com todos os Linda Martini também em palco.

O derradeiro round ficou por conta desses Putos Bons. A preparar um disco novo, que deverá sair no próximo ano, os Linda Martini também trouxeram temas novos para o ringue e também contaram com convidados: João Cabrita no saxofone, em Boca de Sal e Unicórnio de Sta. Engrácia, Paulo Furtado à guitarra em Dez Tostões, e um momento especial em Domingo Desportivo, com Paulo Segadães à guitarra. Agora baterista de Legendary Tigerman, Segadães foi outrora guitarrista dos X-Acto, banda mítica do punk nacional. André Henriques assumiu que era o cumprir de um sonho poder tocar com um herói, e nós pensamos: “mas qual combate, aqui só há mesmo amor”. E por falar nisso, lá vieram os coros imensos na sempre arrepiante Amor Combate. Cem Metros Sereia e a nova Gravidade, mais uma vez em octeto, fecharam em grande a noite.

E perguntam vocês, então mas quem ganhou o tal combate? Ganhámos nós. Ganhámos dois belos concertos e uma noite histórica. Entre as bandas em palco, entre os seus públicos que nesta noite foram um público só, só vimos união, amizade e admiração. Que combate fofo, este.

Teresa Colaço  

Tem pouco mais de metro e meio e especial queda para a nova música portuguesa. Não gosta de cogumelos.


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