Coliseu dos Recreios rendido ao talento de Benjamin Clementine

Coliseu dos Recreios rendido ao talento de  Benjamin Clementine

Não foi a sua primeira vez no palco do Coliseu dos Recreios e é com muito gosto que o voltamos a ver por lá. Alto e esguio, descalço e encasacado, simpático e  envergonhado,  de voz imponente: assim é Benjamin.

Pouco passava das 20h e já eram muitas as pessoas que formavam fila à entrada do Coliseu dos Recreios. Algumas estavam sozinhas à espera do(s) amigo(s) que ainda iriam chegar. Depois de oficializar o check in nas redes e de tirar a selfie da praxe, estamos prontos para entrar na mítica sala do Coliseu. Há tempo ainda para que amigos se encontrem, por mero acaso: “Por acaso lembrei-me de ti, se vinhas ao concerto” – ouvimos mesmo ao nosso lado.

O concerto não começou à hora marcada: foram muitas as pessoas que ainda entraram depois das 21h30 e permitiram a visão de uma casa muito composta para receber o grande Benjamin. Neste meio tempo visitam-se as redes sociais e é quando os olhos largam o écran que encontramos um amigo de longa data. “Já tenho uma filha com um ano” – dizia um amigo para o outro, depois de se terem cruzado e reconhecido nas escadas  que dão acesso ao balcão.

At Least For Now é o nome do seu álbum de estreia que já lhe valeu uma distinção Mercury Prize, no ano de lançamento (2015). O londrino conquistou o mundo com Cornerstone – e conquistou Lisboa no passado ano, durante o Vodafone Mexefest. Na altura, o concerto soube a pouco. Ontem tivemos oportunidade de desfrutar da companhia de Benjamin e dos músicos que o acompanham, com calma e tranquilidade.

Vê todas as fotos de Benjamin Clementine no Coliseu dos Recreios de Lisboa

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Minutos antes dos relógios marcarem as 22h, as luzes apagaram-se e eis que surge Benjamin. Portador de uma simpatia envergonhada, senta-se em frente ao piano, como se estivesse em sua casa. E a sala do Coliseu é a sala enorme, onde o cantor e compositor recebe os amigos. Benjamin canta com a simplicidade de quem olha para as coisas e se espanta com a sua existência. Canta I won’t complain e no final dirige-se ao público. Confessa a felicidade de voltar a Portugal e troca alguns sorrisos e gargalhadas com o público. O  magnífico baterista Alexis Bossard junta-se a ele, igualmente descalço. Começamos a ouvir Condolence. Juntam-se a eles as cordas. Benjamin levanta-se e aproxima-se do público. Acena para os presentes. Quem diria que aquele rapaz alto, tão tímido, era dono e senhor de uma voz que nos deixa arrebatados?

Canta Adios, depois Nemesis. O público acompanha com palmas, denunciando que estava rendido ao cantor e compositor. London e Cornerstone continuam a dar corpo a um concerto que ia crescendo, sobretudo na atmosfera íntima que se ia criando. Voodoo Child também marcou presença neste concerto e fez as delícias de muitos. Houve tempo ainda para Benjamin partilhar uma das suas músicas preferidas de um cantor “português”. Confessando que o seu português é péssimo e que não iria saber cantar a letra, mas sim trautear, Benjamin começa a tocar uma melodia no piano. Interrogámo-nos: será que está a tocar Seu Jorge?  E que bonito foi este momento.

“Ele tem só 27 anos” – dizia alguém à saída do concerto. Há uns anos vagueava pelas ruas de Paris, sem rumo e sem abrigo. Agora que foi descoberto, Benjamin continua sem rótulo: não sabemos bem o que chamar a esta música que o pianista autodidacta traz aos palcos por onde passa. E além disso: com quem se pode comparar? Arriscamos a dizer que o estilo de Benjamin é Clementine, entenda-se: único, irrepetível, viciante, acolhedor. A música corre-lhe nas veias e a voz é cantada com o corpo todo, da cabeça aos pés. E é essa mesma voz que nos envolve, igualmente da cabeça aos pés.

Vê todas as fotos de Benjamin Clementine no Coliseu dos Recreios de Lisboa

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Hoje, dia 2 de Junho, Benjamin Clementine sobe ao palco do Coliseu, na cidade invicta e no dia seguinte visita o Convento de São Francisco, em Coimbra. Temos a certeza que serão concertos igualmente arrebatadores.

Joana Rita  

Joana Rita é filósofa, criadora de conteúdos, formadora e investigadora. Ah! E uma besta muito sensível.


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2 Comentários

  1. Foi maravilhosamente bom.
    Há muito tempo que não sentia uma vontade tão grande de ver alguém em palco.
    Quando as expectativas estão colocadas tão lá em cima, é muito fácil que a queda seja grande.
    Mas Benjamin Clementine, na simplicidade da sua figura, no poder da sua voz, na teatralidade do seu ser não permitiu que isso acontecesse.
    A bateria e o quintento de cordas (ouvi dizer que eram portuguesas, ainda não consegui confirmar) tornaram tudo ainda mais intenso.

    De quando em vez, o acaso faz o favor de nos presentear com momentos ou pessoas que julgamos não existirem, estarem para além da nossa compreensão.
    E Benjamin é isto. É uma voz, uma alma, uma presença que nos faz sentir pequenos e eternamente gratos por poder viver o mesmo tempo que ele.
    Intenso. Demasiado intenso para caber em palavras.

    Overwhelmed… fartei-me de repetir esta palavra durante o concerto… Overwhelmed…

  2. O Benjamin é uma pessoa – e por conseguinte – um artista único. Que privilégio ouvi-lo!

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