Caos e desordem em início de semana – Slayer no Coliseu dos Recreios

Caos e desordem em início de semana – Slayer no Coliseu dos Recreios

Há quem vá ao cinema, na noite do primeiro dia da semana. Outros optam pelo conforto do sofá. E depois há quem rume até ao Coliseu dos Recreios para um concerto de Slayer. Assim aconteceu com a Andreia e com o Alexandre. Podem espreitar as fotografias aqui. O texto, esse, segue dentro de momentos – que é como quem diz, pode ser lido aqui assim mais a baixo. Isso, aí.

Quando pensam no melhor plano de segunda-feira à noite para um amante de sonoridades mais pesadas, o que é que vos ocorre imediatamente? Se a vossa resposta foi “ver Slayer ao vivo”, – acertaram. Foi precisamente isso que fizemos na passada segunda-feira, dia 5 de Junho. Lá nos encaminhámos para o Coliseu de Lisboa, no final de mais um dia de trabalho, para assistir ao concerto destes veteranos do thrash metal, cuja primeira parte ficou a cargo dos portugueses Rasgo.

Cedo se viam chegar as primeiras pessoas vestidas de preto e com coletes cobertos de patches.  Foi só por volta das 21h que se perdeu definitivamente a tranquilidade nas imediações do Coliseu. As filas pareciam intermináveis e a segurança apertada, até certo ponto compreensível, não facilitou de todo o fluxo de gente nas entradas para o recinto. Uma parte considerável do público só conseguiu ouvir Rasgo, ainda na fila.  Tal situação em pouco desfalcou a multidão que já ocupava o seu lugar no recinto para assistir ao concerto destas duas bandas.

Em Portugal, tem vindo a tornar-se habitual a actuação de bandas portuguesas na primeira parte de muitos concertos e festivais, abrindo para grandes nomes internacionais do metal. Neste caso, a promotora decidiu trazer a palco os Rasgo, um projecto recente de thrash metal/crossover, com a importante tarefa de preparar as hordas do Coliseu para o que se seguiria. A missão foi cumprida com sucesso e sem grandes surpresas, se recordarmos que a banda lisboeta reúne no seu quórum elementos já conhecidos de outros projectos dentro do circuito português do metal, entre eles Tara Perdida, Trinta & Um e Shadowsphere.

Esta noite marcou a estreia absoluta da banda, em palco, e em nada defraudaram as expectativas dos presentes. Expectativas, essas, alimentadas até à data pela partilha de alguns temas que irão integrar o seu álbum de estreia “Ecos Da Selva Urbana!” ainda sem data de lançamento prevista. Em cerca de meia hora de concerto viu-se muita gente a ceder sem receios à cadência ritmada dos Rasgo. Foi notória a contribuição da banda para a energia que se fazia sentir naquela sala. A voz forte de Paulo Gonçalves demonstrou ser mais do que suficiente para segurar aquele barco e guiou-nos facilmente pelas letras cantadas em português, entre as quais não faltaram Homens Ao Mar (Puxa), Ecos Da Selva Urbana e Vulgo Vulto.

Por volta das 22h, chegou a vez dos norte-americanos Slayer. Sem que déssemos conta estava o caos instalado, tanto em palco como na plateia. Ainda podíamos ver uma fila considerável para entrar no recinto, quando se ouvem os primeiros acordes de Repentless, tema que dá título não apenas a esta tour, mas também ao último álbum da banda, lançado em 2015.

Visitaram-nos pela última vez em 2011 e foi depois de perderem dois dos seus membros fundadores, Hanneman e Lombardo, que Paul Bostaph e Gary Holt juntaram esforços com o vocalista e baixista Tom Araya e o guitarrista Kerry King. Este quarteto continua a levar a destruição aos quatro cantos do globo. Por terras lusitanas demonstraram-se mais uma vez irrepreensíveis, com Araya a relembrar que é pelos fãs que a roda se mantém na engrenagem.

A desordem chegou a par e passo com o jogo exímio de luzes e os acordes certeiros das guitarras, passando por temas dos álbuns Show No Mercy, Reign In Blood e Seasons In The Abyss. A partir daí só nos foi possível seguir a entropia, que continuava a aumentar a um ritmo alucinante, sob a forma de cervejas que ganhavam asas e numerosos mosh pits que se abriam na plateia. As vozes ergueram-se em uníssono e os punhos acompanharam nos momentos-chave, como foi o caso nos temas War Ensemble, Die By The Sword e Seasons In The Abyss. Ainda assim, foi no encore que ficámos com a certeza de que qualquer réstia de energia tinha passado à história, numa entrega conjunta entre o público e a banda para que se ouvissem os hinos South Of Heaven, Raining Blood e Angel Of Death.

Entre o movimento do imparável Holt, a bateria possante de Bostaph, a simpatia e presença de Araya, e os inesquecíveis solos de King –  esta foi para os fãs uma noite celebrada com sangue (nas letras), suor (literal) e lágrimas (na despedida).

Afinal, ainda compensa sair à noite no início da semana.

Edição de Joana Rita


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