Uma noite intensa de metalcore em Lisboa: Motionless In White, Dayseeker e Make Them Suffer

Lisboa recebeu este fim de semana uma noite particularmente especial para os fãs de metal moderno. A Sala Tejo encheu-se para receber Motionless In White, acompanhados pelos Dayseeker e pelos australianos Make Them Suffer, numa combinação de bandas que prometia intensidade do início ao fim. A expectativa era alta, e rapidamente se percebeu que o público estava pronto para uma noite longa e energética.
A abrir a noite estiveram os Make Them Suffer. Mesmo sendo a primeira banda do cartaz, entraram em palco com uma energia que rapidamente conquistou quem já se encontrava na sala. O som pesado, marcado por riffs agressivos e momentos atmosféricos, criou logo os primeiros círculos de mosh pit perto da frente. Entre temas mais recentes e alguns já bem conhecidos dos fãs, a banda conseguiu aquecer o público e estabelecer o tom para o resto do concerto. Foi um início intenso e eficaz, que mostrou bem porque o grupo tem vindo a ganhar cada vez mais destaque dentro do metalcore.
Depois de uma breve pausa para mudança de palco, chegaram os Dayseeker. A sonoridade da banda trouxe uma dinâmica diferente à noite. Apesar de também terem momentos pesados, o foco esteve mais na vertente melódica e emocional das músicas. A voz de Rory Rodriguez destacou-se particularmente ao vivo, alternando entre passagens mais suaves e outras mais intensas. Várias músicas foram cantadas quase em coro pelo público, criando momentos de ligação muito fortes entre banda e audiência. Foi talvez a atuação mais emotiva da noite e funcionou como uma boa ponte entre a agressividade da primeira banda e o espetáculo principal.
Quando finalmente chegou a vez dos Motionless In White, a reação do público foi imediata. A entrada da banda foi recebida com grande entusiasmo e a energia na sala aumentou de forma clara. A estética visual do grupo — marcada por iluminação dramática e pela identidade gótica que caracteriza a banda — ajudou a criar um ambiente quase teatral. Ao longo do concerto, alternaram entre temas mais pesados e outros mais melódicos, mantendo o público constantemente envolvido.
Um dos aspetos mais marcantes da atuação foi a forma como o público participou. Todas as músicas foram cantadas pela sala inteira e a energia manteve-se alta praticamente durante todo o set. Entre mosh pits, saltos sincronizados e braços no ar, sentia-se claramente o entusiasmo dos fãs portugueses. Houve também momentos mais calmos e emotivos que criaram contrastes interessantes ao longo do concerto.
Uma coisa é certa, quem entrou apenas a gostar da banda, saiu completamente fã. Existem bandas que são boas em estúdio mas não cativam no palco. Não foi o caso da banda originária da Pensilvânia. Os Motionless In White foram fantásticos em palco. Muita interação, pirotecnica e para ajudar a atuação das Cherry Bombs, onde faz parte a Alicia Taylor, esposa do Corey Taylor dos Slipknot.
No final, ficou a sensação de ter sido uma noite muito completa para quem gosta de metalcore. As três bandas trouxeram estilos diferentes, mas que se complementaram bem ao longo do alinhamento. Para muitos fãs presentes, foi também uma oportunidade rara de ver estas bandas num mesmo palco em Portugal.
Mais do que um simples concerto, foi uma noite de muita energia, emoção e comunhão entre artistas e público — daquelas que deixam a sensação de que valeu mesmo a pena estar ali.

