TOY na Casa da Música – estão mesmo mais directos e propulsivos?

TOY na Casa da Música  -  estão mesmo mais directos e propulsivos?

Não foi para ninguém se soltar, nem libertar e muito menos abrir as asas de sonho algum, ou talvez tenha sido. A banda britânica TOY pisou novamente solo português e esteve no passado dia 16 de Março na Casa da Música para apresentar o seu 4.º disco, Happy in the Hollow, que não poderia ter um nome mais apropriado…

Sempre se mostraram fiéis à editora independente Heavenly Recordings, que no repertório conta com bandas e artistas como King Gizzard & Lizzard Wizzard, Mark Lanegan, Temples e até Manic Street Preachers. Contudo, neste último trabalho desvincularam-se da mesma, mostrando-se em plena capacidade de produzir um disco na Tough Love Records.

TOY já me tinham cativado, pessoalmente, em 2013 no Vodafone Paredes de Coura com uma performance perfeita para o palco Vodafone FM. Voltaram a Portugal mais vezes depois disso. Mas só ao fim de seis anos é que nos voltamos a reencontrar, desta vez no ambiente mais intimista que a Sala 2 da Casa da Música consegue proporcionar.

Apesar de genericamente levarem o cunho de banda inserida no indie rock, rock psicadélico e krautrock, a marca no shoegaze é evidente. Para quem não está familiarizado com o último termo, este caracteriza-se pela sua mistura etérea de vocais obscurecidos, efeitos e distorção de guitarra(s), audio feedback e um volume avassalador, tornando-o um subgénero do indie e rock alternativo. O shoegazing aparece também aliado a uma postura mais rígida em palco e muito pouco interactiva com a audiência, de modo a não atrapalhar a performance.

Ainda acompanhados por um psicadélico jogo de luzes e fumo (que não facilitam a vida aos amantes da fotografia) entraram em palco com Jolt Awake do mais recente disco. De todas as novas faixas, este redescobrimento ameno do krautrock foi bastante adequado para um início de concerto. Já na Sequence One algo me soa familiar e torna-se uma canção bastante diferente da anterior. Aqui comprova-se uma heterogeneidade no recente disco. Recorda-me Some Sweet Candy dos The Jesus and Mary Chain, mas a bateria e o baixo sequenciais dão um “modern take” à mesma e é das poucas onde a voz do vocalista Tom Dougall se faz mais notar, enquanto Mechanism e Energy voltam a fazer redescobrir o género experimental alemão. A nova editora afirma que este álbum é:

Unquestionably their most direct and propulsive album to date. Happy In The Hollow is entirely uncompromising: an atmospheric capturing of a state of mind that touches on post-punk, electronic dissonance, acid folk and krautrock.

Se esta afirmação pode ser questionável ou não, fica por apurar. Mas de facto é um álbum mais heterogéneo dos que os anteriores, com um recorrente tom mais ponderado e obscuro.

Da setlist, também constaram temas mais antigos que contribuíram para a afirmação da banda como I’m Still Believing, Motoring e para encore Left Myself Behind (obviamente). Mas o principal destaque vai para Join the Dots do seu segundo álbum de estúdio com o mesmo nome, lançado em 2013. Ao vivo, TOY ainda não têm uma canção mais empoderada e psicadélica do que esta. Passem os anos que passarem, esta não deve sair da lista de músicas obrigatórias a tocar NUNCA.

No meio da plateia ainda se conseguiu ouvir “Os tipos gostam do que fazem”. Gostam. Isso é igualmente evidente. Nem todos os tipos de concertos são para cantarmos de alma e coração ou batermos palmas de forma desenfreada. Em alguns, apenas estamos ali para ouvir música a ser feita na hora e as bandas ou artistas estão lá para fazer isso mesmo, nada mais. E TOY não foram excepção à regra contando ainda com um público muito respeitador deste género de performance.

No dia 17 de Março a banda inglesa ainda rumou a Lisboa, para se fazer ouvir no Estúdio Time Out.

Ana Duarte  

É uma criatura nortenha, mas sem pêlo na benta. Tem uns pais malucos que a levaram ao primeiro concerto com 3 anos e ao primeiro grande festival de música aos 9. Desde então, nunca mais quis outra vida.


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