Toro Y Moi no Hard Club – Como assim… podemos repetir canções?

Toro Y Moi no Hard Club - Como assim… podemos repetir canções?

Já lá vão 4 anos desde que Toro Y Moi atuou em Portugal. Regressou agora com um novo disco e uma nova tour europeia. Depois do arranque da digressão em Lisboa, com o selo Gig Club, no Porto tivemos uma bela surpresa. Aqui ficam todos os detalhes daquela noite primaveril em que estivemos em plena sintonia com um multifacetado norte-americano…

Não é apenas no stage name que o californiano Chaz Bear (aka Chazwick Bradley Bundick), é multilíngue. Todo o seu espectro musical atinge umas proporções multiculturais, que designá-lo apenas de chillwave seria quase criminoso. É certo que a crítica prontamente o marcou como uma das caras do movimento, mas o seu trabalho recorre à mescla de tantos estilos, que estar a etiquetá-lo apenas num ou dois, não é suficiente. O próprio afirma:

Everyone isn’t just one thing, you know? You’re not just a hip-hop head, or a raver, or an indie kid. There’s more sides of my music knowledge, and taste is always going to be there.

É verdade, o gosto parece lá estar sempre! Desta vez, Toro Y Moi apresentou o seu mais recente disco Outer Peace (2019) que recai novamente no synth-pop mas a mistura entre o groove, R&B e o house torna-o bastante mais dançável do que disco o anterior, Boo Boo (2017). Também a forma como o abordou parece ser diferente, com o álbum anterior decidiu não fazer uma tour de apresentação do mesmo. Na altura, devido a uma separação amorosa considerada difícil, Chaz diz-nos que estava com a mente num lugar mais escuro. Agora, passados 2 anos, apresenta-nos um som novamente festivo e jovial, dando mais vontade de mexer os quadris.

Com a sala 1 do Hard Club bastante composta, Toro Y Moi entregou-nos 20 canções. Contamos 20 e não 19 (número que aparece na listagem oficial da setlist) porque o delírio do público do Norte na Freelance foi de tal magnitude, que Chaz entre risos perguntou:

OMG! You guys wanna hear that song twice?

Obviamente, a resposta positiva foi unânime e tivemos direito a um repeat da nova canção. Torna-se complicado tentar explicar a celebração eufórica nesse momento da noite, nas minhas anotações apenas escrevinhei: “Já ganhou!”.

O concerto foi bastante coeso e sempre com as suas pequenas doses de auto-tune adequadas e bem aplicadas. Além disso, devido ao tamanho reduzido da maioria das suas canções, de Outer Peace ouviu-se praticamente tudo e para além de Freelance, a Ordinary Pleasure e Who I am foram das mais celebradas. De Boo Boo (2017) ficamos com Mirage, No Show, Labyrinth e Girl Like You. De Anything in Return (2013) também ouvimos 4 canções escolhidas a dedo e muito bem recebidas: Grow Up Calls, So Many Details, Say That e Rose Quartz (com a qual terminou a atuação). E vimo-nos ainda nos confins de 2011 ao álbum Underneath the Pine com Still Sound e New Beat.

Chaz avisou que não teríamos direito a encore. A plateia ainda apelou ao mesmo, porém sem sucesso. O certo é que, mesmo assim, saímos daquela sala com um sentimento de satisfação.

A primeira parte do concerto ficou a cargo de Erika De Casier uma jovem com raízes no R&B e soul e um toque lo-fi. Cativou essencialmente pela sua atitude chill e imperturbada, dando destaque à sua atuação no tema Do My Thing. Mas Toro Y Moi…bem… foi Toro Y Moi: incontornável, distendido e único.

Ana Duarte  

É uma criatura nortenha, mas sem pêlo na benta. Tem uns pais malucos que a levaram ao primeiro concerto com 3 anos e ao primeiro grande festival de música aos 9. Desde então, nunca mais quis outra vida.


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