Top musicfest.pt: Os Álbuns Imperdíveis de 2025

Top musicfest.pt: Os Álbuns Imperdíveis de 2025

Foi um ano de novas descobertas, álbuns de estreia, pérolas de artistas de renome e tão boa música que escolher apenas cinco parece insultuoso.

De Lady Gaga a Geese, Florence + The Machine a Die Spitz, 2025 foi um ano de música potente e demasiado boa para ser passada ao lado. Foi um ano dominado pelo talento feminino e pelo rock alternativo. E o estado atual do mundo requer um determinado escape que apenas a música consegue.

Especialmente a mais intervencionista, como é o mais recente álbum da Capicua, Um Gelado Antes do Fim do Mundo, ou a mais irónica e sonoramente bem-disposta do género de Sabrina Carpenter, com Man’s Best Friend. Em qualquer parte do planeta, a música é o espelho da cultura, da tradição, e de quem somos, algo que os nigerianos Mdou Moctar fazem de forma única e emocionante em Tears Of Injustice, a versão acústica de Funeral for Justice (2024).

Esta seleção foi baseada no número de streams dadas a cada artista pela equipa da redação, à cotação individual de cada faixa e do álbum como um todo, bem como a jornada dos artistas e performances em Portugal – são nomes para relembrar ou para reter para um próximo concerto ou festival. E esta lista, por muito boa que seja, não faz jus às centenas de álbuns lançados este ano. É uma pequena amostra, mas feita com carinho e atenção.

Antes de iniciarmos a contagem, deixo alguns álbuns que merecem ter destaque – as nossas menções honrosas:

Ego Death At A Bachelorette Party, Hayley Williams

The Clearing, Wolf Alice

EURO-COUNTRY, CMAT

Pain to Power, Maruja

Bleeds, Wednesday

 

Agora para o nosso top 5:

  1. Forever Howlong – Black Country, New Road

A perda do vocalista Isaac Wood poderia ter direcionado Black Country, New Road para o vazio, depois de 4 anos de álbuns bem sucedidos e conceituados. Mas Forever Howlong, liderado por três mulheres com vozes mágicas, incluindo a de Tyler Hyde, descobre como crescer sozinho – de forma caótica, humana e bonita. Uma vulnerabilidade e delicadeza que redefiniu a sonoridade e narrativa da banda inglesa. Besties, Salem Sisters e Mary são músicas que contam histórias de amizades, sobre o feminino, sobre perda, umas mais enigmáticas do que outras. Apesar de irem perdendo um pouco do fio à meada, pois a vontade de criar e a pressão de uma nova identidade são transparentes neste terceiro álbum. No seu todo é um triunfo para um retorno, já nas suas partes consegue perder-se. Mas isso também faz parte ao crescer, enquanto pessoas e como banda. Black Country, New Road têm data marcada para 2026, no Primavera Sound Porto, depois do concerto memorável deste ano em Paredes de Coura.

 

Género: Pop progressivo, arte rock, folk

Avaliação: 4.7/5

 

  1. From the Pyre – The Last Dinner Party

O sucesso da estreia de The Last Dinner Party, com Prelude to Ecstasy, deixou as expectativas altas para o segundo álbum From the Pyre. Não só conquistaram o público português no Primavera Sound Porto em 2024, como lançaram em outubro deste ano, um álbum tão superior quanto o primeiro. Afirmando a sua carreira de forma profunda e pensada, como se soubessem que o seu futuro é promissor – e tudo indica que sim. Com influências como Patti Smith, Kate Bush, David Bowie, a teatralidade da banda inglesa é sedutora e mostra grande comprometimento com a sua imagem de pop barroco. Músicas como Woman is a Tree e Rifle são poderosas, carregam o peso da vulnerabilidade e da conexão. E não poderia faltar a sátira carismática que vimos em Caesar on a TV Screen, em This is the Killer Speaking, o primeiro single lançado. É um álbum sólido e com personalidade, o esperado das consistentes The Last Dinner Party, que voltam a Portugal para um concerto único no Coliseu dos Recreios, dia 8 de fevereiro de 2026.

Género: Glam rock, indie rock, pop barroco

Avaliação: 4.85/5

 

  1. private music – Deftones

Poucos artistas conseguem dar um comeback tão forte quanto Deftones. Há cinco anos, lançavam Ohms, um álbum razoável mas nada de extraordinário, e desde Diamond Eyes, a sua relevância e popularidade no metalcore parecia estar a desvanecer. Eis senão quando, Chino Moreno escreve um dos álbuns do ano. Private music é tudo o que Deftones sabe fazer de melhor, instrumentais brutais, pesados e emocionantes, com letras intimistas, nostálgicas, que faz um fã dos anos 90 chorar abraçado ao mais recente fã de 2025. A energia está presente logo ao início com my mind is a mountain, a vontade de partilhar e celebrar o metal alternativo está viva em souvenir, e a melancolia sensual típica de Deftones continua bem explícita na faixa icónica milk of the madonna. É um álbum de retorno – é o metal dream. Agora, falta um gig a solo para usufruirmos da melhor versão da banda americana, já que a última vez que tocaram em nome próprio foi há 15 anos no Campo Pequeno.

 

Género: Metal alternativo, shoegaze

Avaliação: 4.88/5

 

  1. LUX – Rosalía

O quarto álbum da artista espanhola surpreendeu a indústria da música e os seus fãs. Cantado em treze línguas, incluindo a portuguesa, LUX é o ar fresco necessário para viajarmos noutras direções do pop. Não é um El Mal Querer, nem tão pouco um Motomami, é a luz do cruzamento entre géneros musicais. É a inovação, o respeito pela tradição, é cultura e, talvez, a forma mais pura que já vimos de Rosalía – e o primeiro single Berghain, com Björk, é a prova de que o talento e a fama não são tudo; é preciso coração e garra, a mesma que ao longo do disco notamos em Mio Cristo Piange Diamanti e Memória. Autêntica, crua e emocional, aberta ao que o mundo tem para oferecer, esta é a Rosalía do presente, uma mulher forte que não se deixa abalar pelo coração partido, tão transparente em La Perla. Com LUX, Rosalía consolidou-se enquanto artista de vários ofícios, e deu, realmente, tudo. A artista conquistou Portugal, num concerto esgotado no MEO Arena em 2022, e, por isso, só podemos esperar pelas datas europeias para a apresentação de LUX.

Género: Arte pop, avant-pop, pop orquestral

Avaliação: 4.9/5

 

  1. NEVER ENOUGH – Turnstile

Quatro anos após o êxito do álbum GLOW ON, Turnstile volta a marcar o terreno merecido no punk. A banda de Baltimore, que atuou no ano passado no Primavera Sound Porto, lançou em junho NEVER ENOUGH, o seu álbum mais ambicioso e polido até à data. E quem diz que a popularidade estraga os anos de ouro de uma banda, não poderá afirmá-lo neste caso. A redefinição de um género de forma bem sucedida é algo extremamente raro, não é todos os dias que se ouve uma música como DREAMING ou SEEIN’ STARS. Pode dizer-se que é por isso que não são apenas mais uma banda post-punk. São eles próprios, são livres e divertidos, sentimentais e seguros da sua identidade; refletem-se neste disco e em palco. A tour NEVER ENOUGH deslumbrou Portugal mais uma vez, no passado dia 26 de novembro no LAV – Lisboa ao Vivo, com um concerto totalmente esgotado – e só assim o deve ser.

 

Género: Hardcore punk, rock alternativo, dream pop

Avaliação: 4.97/5

 

Este artigo é um texto de opinião da autoria de Catarina Mendes.

Vemo-nos em 2026, com esperança de que o ano musical seja tão bom – ou melhor – do que 2025. Obrigada por teres estado connosco este ano!

 


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