Sweater Wheather é sempre que os The Neighbourhood quiserem!

12 anos depois da estreia em Lisboa, The Neighbourhood regressam para um muito aguardado concerto em nome próprio.
Munidos de clássico pop-rock para millennials, qual não foi o espanto quando as filas intermináveis de acesso ao concerto, estavam repletas de fãs Gen-Z e Gen-Alfa. Várias gerações presentes para celebrar uma das bandas mais omnipresentes da música atual.
O aquecimento do público começou com Noise Dept, a abrir o palco da MEO Arena com um dj set que apesar de aquecer os corações dos presentes, não foi o suficiente para levar à loucura as 18 mil almas presentes no recinto: essa loucura estava reservada para, não só os artistas principais, mas – surpreendentemente – para o segundo ato de abertura: Nessa Barrett.
A americana de 24 anos trouxe consigo uma enorme fatia dos fãs presentes no antigo Pavilhão Atlântico. Com álbum novo – Tough Love – anunciado e que deverá sair no final deste mês, Nessa Barrett entrou discretamente mas não passou despercebida… muito pelo contrário. Entre cartazes de fãs a agradecerem por lhe terem salvado a vida, pedidos para troca de palhetas de guitarras e mensagens mais sentimentais, eram poucos aqueles que na primeira fila não sabiam as letras de trás para a frente. die first e dying on the inside são alguns dos temas mais conhecidos da cantora e compositora norte-americana e como é óbvio não faltaram no alinhamento do concerto em Portugal.
Vestida de preto, num ambiente soturno e com a sua banda envolta numa quase escuridão, apenas com o seu nome projetado na led wall, a estreia de Barrett não podia ter sido melhor. Entre cumprimentos e agradecimentos, partilhou que estava há um par de dias em Lisboa e que estava apaixonada pelo nosso país.
Mesmo tendo passado por um hiato de 3 anos, The Neighbourhood têm o nosso coração e os nossos hoodies ou casacos de malha, sempre na mão. Sweater Weather é um dos singles mais fortes nas plataformas digitais, ano após ano, tendo em conta a sua sazonalidade ou qualquer aviso de chuva em apps meteorológicas. Mas engane-se quem pensa que esta banda de Los Angeles só tem um hit ou é exclusiva de uma faixa etária. O último concerto na Europa, celebrou-se na MEO Arena, com três atos, todos eles com um balanço saudável entre novidades e alguns dos seus maiores sucessos. A road trip saiu diretamente de (((((ultraSOUND))))), com paragem obrigatória por Wiped Out!, com abastecimento de nostalgia no álbum de estreia I Love You., alguns olhares pelo retrovisor para Hard To Imagine The Neighbourhood Ever Changing e momentos de baladas, cortesia de Chip Chrome & The Mono-Tones.
Jesse Rutherford, o carismático frontman de The Neighbourhood, é uma figura que nos puxa para o seu universo, como se fosse um amigo de longa data, com quem trocávamos referências no Tumblr e que agora nos acolhe quando temos uma crise existencial. O ecrã gigante fez-nos viajar lado a lado com toda a banda, por momentos altos como Cry Baby, Reflections, Afraid, Devil’s Advocate, Daddy Issues e as finalíssimas Sweater Weather e Softcore, numa produção simples, mas eficaz, de ecrã gigante, close-ups e elementos visuais das várias eras da banda.
No concerto de The Neighbourhood, há todo o espaço para música, para criação de conteúdo, para chorar de emoção, para sentir felicidade extrema. Em qualquer um dos casos, estávamos integrados numa plateia que sabia todas as canções, mesmo que o telemóvel não saísse da mão. Há uma esperança quase naïve, nesta forma de viver a música e a música ao vivo, de forma coletiva. Não se pode negar a importância da pegada digital de cada fã, mas a música continua a ser prioridade, a ser elementar.
A banda que se mostrava sempre a preto e branco, deu uma nova cor à nossa semana. A previsão para os próximos dias é clara: os The Neighbourhood continuam a ser um lugar de conforto, faça chuva ou faça sol!

