Snow Patrol dão concerto misto em Lisboa

Snow Patrol dão concerto misto em Lisboa

Donos de uma mão cheia de grandes sucessos, os Snow Patrol vieram a Lisboa confirmar o seu lugar junto dos portugueses. Uma banda em óptima forma, com créditos firmados e um grande futuro pela frente.

Sendo já visitas habituais, a banda irlandesa (e escocesa) apresentou-se pela primeira vez em nome próprio neste inverno lisboeta, dando-se aos luxos a que só alguns se podem dar. Trouxeram na bagagem o recente Wildness, acompanhado de temas com mais de 15 anos: Chocolate e Run (de Final Straw, 2003) e convocaram os fãs para pelas 20h30 lhes apresentarem dois compatriotas, começando, eles próprios, a tocar já a caminho das 22h00.

JC Stewart e Ryan McMullan, dois jovens na casa dos 20 anos, ainda pouco conhecidos dos portugueses brindaram o público com cerca de meia hora de canções cada um, tendo ainda ensaiado um bastante harmonioso dueto antes da cedência do palco a McMullan pelo jovem que nos trouxe entre outras canções o tema Medicine fortemente aplaudido e que será já o seu primeiro êxito tal como Bowie on Radio será, para já, o tema mais marcante de McMullan. Fazendo jus à sobejamente conhecida simpatia irlandesa, ambos conquistaram o público que, assim, se foi preparando para receber os senhores da noite.

A faceta “fofíssima” do grupo liderado por Gary Lightbody viu-se desde logo confirmada pela atenção generosa que dedicaram aos seus convidados bem como, é claro, ao público que durante todo o concerto se mostrou absolutamente entregue a um abraço quase materializável com os músicos que muitos seguem há mais de vinte anos.

Os “rapazes da neve” deram um arranque perfeito à sua actuação. Que melhor forma de começar do que com uma declaração de amor à capital, com Take Back the City ? Embora eles possam dizer isso a todas – e literalmente fizeram-no – Lisboa, menina vaidosa como só ela, entendeu-o como um exclusivo.

O coletivo composto, para além do vocalista, por Jonny Quinn (Baterista), Nathan Connolly (Guitarrista), Paul Wilson aka Pablo (Baixista) e Tom Simpson (Teclista) fez desfilar um conjunto de 15 temas + dois do regresso para o encore revisitando quatro dos seis álbuns d e estúdio anteriores a Wildness: Eyes Open (de 2006), Fallen Empires (de 2011) e A Hundred Million Suns (de 2008), além do já referido Final Straw (de 2003).

Neste que foi o último espectáculo da digressão, os lisboetas tiveram direito à habitual simpatia da banda com Pablo Wilson e Nathan Connolly a coadjuvarem brilhantemente Lighbody no dispensar de mimos e atenções ao público. Acreditamos que cada um dos espectadores que encheram o Campo Pequeno nesta noite de sábado se sentiu particularmente tocado pela atuação. Os elementos da patrulha conseguem estabelecer uma relação privilegiada de empatia com a multidão, criando alguns momentos mágicos. É impossível não nos deixarmos contagiar pela emoção do vocalista quando nos conta que Life on Earth – fortíssima candidata a novo hino da banda – levou muito tempo a escrever mas está muito orgulhoso dela e a dedica aos convidados ou nos confidencia que Heal Me foi escrita para alguém que o salvou. Não há como não sorrir amiúde neste espetáculo e não rir quando Gary Lighbody nos relata o passeio até ao Castelo como parte do dia romântico que passou com Pablo.

Por fim, seria impossível não nos rendermos completamente ao belo momento de comunhão que Chasing Cars vem sendo, desde que foi lançado em 2006. E não há um único par de braços que não se eleve quando nos pedem “hands in the air”, um nadinha antes da primeira saída de palco.

Entusiasticamente aplaudidos e acompanhados durante todo o serão, o pedido de regresso fez-se no mesmo tom. Na volta da banda a palco somos convidados a acompanhar. “Feel free to sing along if you know it, or if you don’t”. O último verso de “What if this is all the love you’ll ever get’” é cantado em uníssono por um público que veio claramente matar saudades, dirigido pelo maestro Lighbody.

Quando Connoly percorre todo o lado direito do palco numa dança muito sua, Pablo Wilson se volta para as bancadas e Gary Lighbody canta de mão pousada no lado esquerdo do peito, magnificamente acompanhados pelo teclista e baterista, toda a Lisboa derrete e é impossível não dizer “Yes”. Com todo o recinto de pé a festa atinge o zénite com público e banda visivelmente felizes com este reencontro. Na saída Gary Lighbody volta uma outra vez à boca do palco para aplaudir e agradecer antes de uma ausência que se deseja breve.

Carla Flores  

A repórter de guerra sonhada aos 10 anos deu lugar à professora de inglês que se dedicou a outras lutas, como a da promoção da leitura e a aquela coisa do "ah e tal, vamos lá mudar o mundo antes que ele nos mude!


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