Sérgio Godinho no Coliseu do Porto – Valente e Imortal!

Sérgio Godinho no Coliseu do Porto – Valente e Imortal!

O Coliseu do Porto já não lhe é um lugar estranho, afinal, é um portuense que conta com quase 50 anos de carreira. Após um concerto triunfal no Coliseu de Lisboa, no passado dia 22 de Fevereiro, foi a vez da Invicta ser presenteada com “Nação Valente”, o seu 18.º álbum.

Um ano se passou após a edição do seu último disco de originais, que agora celebra a sua reedição. No palco, letras estrategicamente posicionadas formam a palavra “Liberdade”, que serviram de prenúncio aquela noite em que Sérgio Godinho regressou a uma das grandes salas da sua cidade Natal.

A casa não estava cheia, ficou pela metade. Um pormenor que não tornou a noite menos importante. O “Homem dos 7 Instrumentos” aparece em palco, assonante, bem-disposto e repleto de uma atitude que não deixa revelar a sua verdadeira idade. Um público maduro parecia aguardá-lo com alguma expectativa e não poupou os aplausos do ínicio ao fim.

Com um alinhamento sem grandes surpresas, fez-se acompanhar dos seus designados “assessores” e ainda alguns convidados especiais. Com o fadista Camané deu um saltinho a 1978 com o tema Balada da Rita do álbum Pano-Cru. E ainda a Mariana Pais, 21 anos (do mais recente álbum) e Emboscadas do álbum Na Vida Real. Nestes dois temas, reuniu-se em cena o pianista e compositor Filipe Raposo (não consigo descrever a magnitude da maestria deste senhor, é um pianista exímio). Além disso, Emboscadas tem um tom muito mais empoderado ao vivo e a colaboração com Camané foi simplesmente perfeita.

Mas ao nível de convidados especiais não se ficou por aqui, a energética Manuela Azevedo também se fez notar. Começou com a Sopro do Coração dos Clã numa versão mais acústica, na qual Sérgio acompanhou habilmente. E rapidamente saltaram para Espectáculo na qual o público viu as suas energias renovadas. Energias essas que se mantiveram na adaptação do tema de Zeca Afonso, Os Vampiros.

Os convidados especiais reuniram-se todos novamente em palco no primeiro encore (sim, tivemos direito a dois) durante a interpretação de Liberdade. Foi sem dúvida o momento mais triunfal e imortal daquela noite. Para trás, não ficaram as canções de renome como O Primeiro Dia e Com Um Brilhozinho Nos Olhos, mesmo assim o maior destaque vai para Liberdade que se apesar de ter sido lançada em 1974 conjuga-se plenamente, com o que o álbum Nação Valente representa hoje em dia. Assim como os temas mais recentes Grão da Mesma Mó, Baralho de Cartas e Noite e Dia que ao vivo têm uma ascendência e vigor, que provam o porquê deste último álbum ser um dos melhores de Sérgio Godinho. Muito bom!

 

N.R.: Por motivos de agenda não nos foi possível fazer reportagem fotográfica neste concerto
Foto: D.R. (no concerto de Lisboa)

Ana Duarte  

Estudou Línguas, Literaturas e Culturas na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Tem uns pais malucos que a levaram a concertos desde 3 anos e a festivais desde os 9. Passadas mais de 2 décadas, ainda por cá anda... P.S.: Leva o conceito de carpe diem muito a sério.


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