Sentiram o Sismo Durante a Noite, em Lisboa? Foram os Machine Head

Sentiram o Sismo Durante a Noite, em Lisboa? Foram os Machine Head

Fotografia © Gonçalo Delgado / Serene Prophecy

O LAV – Lisboa Ao Vivo fez-se tremer na noite de dia 28 de abril, com Machine Head. A banda americana já faz de Portugal casa há pelo menos 25 anos, cumprindo com datas em festivais de metal, aberturas a outras bandas de renome, e em nome próprio – no seu formato preferido, “An Evening With Machine Head”.

E, apesar de Robb Flynn ser o único membro original da banda, há sempre a constante expectativa de que Machine Head seja incapaz de não partir tudo. Esta iniciativa de um concerto intimista, sem primeiro ato, com uma viagem pelas décadas de trabalho da banda, resulta da melhor forma possível. Uma sala esgotada e prestes a desabar.

O último serão que Portugal teve com Machine Head foi há 8 anos, no Coliseu dos Recreios. Desta vez, num espetáculo brutal de quase 3 horas, tocaram um pouco de toda a sua discografia, focando no seu primeiro projeto “Burn My Eyes” (1994), e nos temas mais impactantes e confortavelmente bem-sucedidos como “Ten Ton Hammer”, “Locust” e o single “Is There Anybody Out There?”. Não deixando de arriscar com o álbum mais recente “UNATØNED” (2025), nem com a polémica “Catharsis” a representar um período mais tenso na sua carreira.

O que é que une mais um público metaleiro, à espera da sua banda favorita, do que uma preparação vocal ao som de “Bohemian Rhapsody”? Sim, dos Queen. Mas esse não foi o único momento surpreendente da noite. Antes de tocarem “The Rage to Overcome”, Machine Head juntou-se aos cânticos já conhecidos do público português, na sua versão improvisada de “Seven Nation Army” dos The White Stripes, uma rendição à altura que se repetiu ao longo da noite. Há quem goste destas pausas efusivas e há quem as odeie profundamente… mas num contexto de puro heavy metal, em que a própria banda está em êxtase – if you can’t beat them, join them!

O que é certo é a memorável cumplicidade entre Machine Head e Lisboa. Sentiu-se a vulnerabilidade de saber abrandar, confiando que o público estivesse ciente da dificuldade em dar tudo nas 3 horas. Foi o que acabou por acontecer, uma diminuição na intensidade magnética no LAV, mas que depois de duas atuações acústicas de “Circle the Drain” e “Darkness With”, a noite só poderia terminar de uma forma. Na destruição total.

Esta quebra não mostrou fraqueza nem fragilidade, pelo contrário. Cumpriu exatamente o que queria cumprir. Mostrar uma versatilidade monstruosa num reportório com mais de 30 anos. O silêncio e empatia do público revelou o respeito pela banda, mas também a ânsia de continuar com o som reconhecido de Machine Head. O caos foi novamente instaurado com o seguimento de “Bulldozer” e “From this Day”, momentos antes da reta final do concerto.

“An Evening With Machine Head” terminou como todas as vezes no passado, com a performance de “Davidian” e “Halo”. E tal como anteriormente enfatizei a constante que é Machine Head dar excelentes concertos, outra constante é o seu fim estrondoso. Os metaleiros americanos continuam a afirmar-se a banda de metal moderno mais importante e cativante da atualidade, seja pela sonoridade como pela transparência e personalidade em palco. E a noite triunfante no LAV terminou como qualquer outra visita de Machine Head em Portugal – a desejar o seu retorno.

Nota da redação: Não nos foi autorizado fotografar o concerto.


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