Scorpions mantêm acesa e viva a chama do rock

Scorpions mantêm acesa e viva a chama do rock

A meio da semana, 26 de junho, os Scorpions voltaram à casa que também conhecem – Portugal – para uma Altice Arena outra vez cheia. A noite não trouxe surpresas mas vale sempre a pena.

Não sei. Não sei mesmo. Juro que já tentei mas não sei porque os Scorpions continuam a ter tanto sucesso nos concertos que dão em Portugal. Mas a verdade é que têm e voltaram a repeti-lo em mais um concerto para uma Altice Arena completamente cheia.

Mais de 50 anos de carreira voltaram a ser celebrados com uma energia que consegue trespassar as já notórias limitações físicas. O espetáculo na Altice Arena foi o sétimo na última década e é o quarto consecutivo.

O pior foi mesmo o som. Já os vi várias vezes, tantas que só recorrendo a um currículo de vida seria capaz de acertar no número, e desta vez o som da Altice Arena voltou a ser notícia pelos piores motivos. Sim, mesmo com a posição privilegiada do Golden Circle (obrigada por isso, Everything Is New). Alguns temas só foram percetíveis porque os conhecemos bem. De contrário, mais não seriam do que um estrondo inaudível.

Pela positiva, destaca-se o espetáculo multimédia: moderno o suficiente para os fazer destacarem-se; não tão arrojado que fosse futurista demais.

O seu reportório foi carregado de todos os êxitos que os fãs queriam ouvir. E distribuídos de forma segura, sem grandes inovações, mas talvez nem seja isso que aqui se procura. Afinal, o público de Scorpions é, maioritariamente, sénior e também pretende jogar pelo seguro.

A cortina que cobre parcialmente o palco e onde está o logo dos Scorpions cai e é recolhida por um roadie da banda, dando uma nota de grandiosidade à entrada dos músicos em palco.

Going Out With a Bang foi o tema que abriu a noite. Com a bandeira portuguesa já a ser mostrada, prosseguem com Make it Real, Is There Anybody There? e The Zoo. Já está tudo ao rubro.

Top of The Bill e Catch Your Train vêm “servidos” em medley mas as baladas são as que conquistam o público em definitivo. Assim, ouvimos We Built This House e Delicate Dance põe em palco Ingo Powitzer na guitarra, enquanto Klaus Meine e Rudolf Schencker fazem uma pausa.

Sabemos que são um público leal. Por isso, voltar aqui é, de certo modo, voltar a casa

, diz Meine, cuja pujança de voz contrasta com alguma perda de destreza física.

Não são muitas, hoje em dia, as bandas cuja longevidade se estenda ao longo de décadas e que permaneça tão consistente como quando começou. Só por isso, Scorpions já valem a pena.

Apesar das mudanças na formação ao longo dos anos, ninguém pode argumentar que os Scorpions mudaram e não são um grupo de rock. E a história do estilo, por certo, não teria sido a mesma sem eles. Não teria sido a mesma sem a balada Send Me An Angel do álbum Crazy World, de 1990, que, como habitualmente acontece, põe os casais às beijocas enquanto outros desligam a câmara dos telemóveis e ligam a lanterna. O efeito é bonito a ajudado por uma bola de espelhos que espalha “estrelas” azuis numa sala escurecida. No mesmo registo, ouve-se e assobia-se (quem consegue!) Wind of Change.

O rock à séria volta a ganhar fôlego com Bad Boys Running Wild e Tease Me Please Me, antes do momento, também já esperado, em que o baterista é puxado para o alto e exibe os seus (claro) impressionantes dotes nos pratos, enquanto nas suas “costas” são mostradas as capas dos álbuns de Scorpions (que história!). Blackout e Big City Nights antecipam o encore com Still Loving You e Rock You Like a Hurricane – com lava a ser mostrada nos ecrãs e, mesmo os fãs mais resistentes, a não se pouparem ao famoso headbanging.

Impressionante também ver como o público reage e tão bem aplaude os alemães. E eles respondem, sempre a reagir e a distribuir um monte de baquetas e palhetas no final do concerto – à moda antiga, como afinal eles não se importam nada de ser.

Daniela Azevedo  

Jornalista, curiosa sobre os media sociais, viciada em música, gosta da adrenalina do desporto motorizado. Amiga dos animais e apreciadora de dias de sol. Acha que a vida é melhor quando há discos de vinil e carros refrigerados a ar por perto.


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