Rock in Rio Lisboa (Dia 4): ‘Hip-Hop in Rio’ mostrou ao que veio e trouxe opiniões mistas

A maior edição de sempre do Rock in Rio Lisboa ficou marcada por um cruzamento de gerações, tendo o dia 28 de junho dado palco ao Rap, Hip-Hop, e ao Trap.
Se o dia anterior (Legend’s Day) foi para os pais, o último dia foi para os filhos. O público do último dia de Rock in Rio foi vítima de uma viagem completa pelas raízes do Hip-Hop português e internacional.
A despedida do festival começou com a (já bem conhecida) maestria eletrónica dos Karetus, que fizeram do espaço do palco Super Bock uma autêntica discoteca e trouxeram 20 Caretos de Podence, que tornaram o seu concerto uma experiência sensorial acima de tudo. Com a sua produção de palco e todo o espetáculo à volta da música, muitos dizem que o concerto dos Karetus encaixava melhor pelo fim da noite.
Pelas 17:00, já com um recinto bem composto para o ver, o showman Matuê deu um dos concertos do dia, que começou logo com surpresa, ao tocar o tema Rei Tuê, que é a entrada dos concertos do artista, mas nunca havia sido tocada ao vivo.
A palavra certa para definir o concerto da estrela brasileira é intensidade. Houve fogo, produção altíssima e interação. Grande destaque também para uma das caras conhecidas dos concertos de Matuê, o guitarrista Samuel Batista, que trouxe textura, muito estilo e dinâmica ao concerto. O duo cada vez mais se vem consolidando como um dos principais da música brasileira atual.
Entre hits, ouvimos Quer Voar, Kenny G e A morte do Autotune, BACKSTAGE e Máquina do Tempo.
Depois de acabado o concerto de Matuê, foi hora de re-visitar o hip-hop old school português com o Valete, que trouxe o rap, os beats, a banda, e… o Jazz. O concerto do artista português destacou-se por trazer variedade musical e alguns temas ainda tenros, do álbum que esteve a escrever com a banda que o acompanhou em palco. Na set-list, estavam presentes Roleta Russa, Rap Consciente, Subúrbios, Siglas, e muitas outras faixas que marcam a sua carreira.
Segundo Valete, este novo trabalho marca uma nova fase na sua carreira, visto que pretende congregar o seu hip-hop social com traços de Jazz, mostrando que os horizontes do rapper vão muito além de simples palavras.
Ainda no palco Super Bock, Lola Índigo trouxe a sua tour “Romance de uma noche de verano” a Lisboa, e o seu concerto fez jus ao nome da digressão. Os festivaleiros entraram na noite do último dia de Rock in Rio com um baile inesquecível que os levou até uma festa espanhola com dança, fogo, intensidade e os seus maiores temas: pa ti toa <3, La Niña de la Escuela, EL TONTO, etc.
Como já é habitual, houve uma aposta grande nos visuais do seu concerto, e também no grupo de dançarinos que a acompanhou. Esta combinação não deu hipótese ao público de não dançar, saltar, ou, pelo menos, de se mexer.
Já pelas 22:15, foi hora do público ficar “Crazy” com o concerto de CeeLo Green, que podia perfeitamente ter sido colocado no Palco Mundo, visto que este sabe enfrentar qualquer tipo de público (ao contrário dos dois últimos artistas do palco principal) e tem hits para deixar todos rendidos ao seu groove, como Fuck You, Crazy, e outros covers que tocou, como Don’t Stop ‘Til You Get Enough, do rei do pop Michael Jackson, ou Jump, dos Van Halen.
A fechar a noite, Central Cee deu um concerto que dificilmente será esquecido (nas primeiras duas horas a seguir ao mesmo). O rapper deparou-se com um público muito morno, que não conseguiu aquecer para 21 Savage.
Ainda assim, trouxe ao Rock in Rio os seus irrefutáveis hits globais Doja, Sprinter, BAND4BAND e Which One.
Para dizer adeus à maior edição de sempre do Rock in Rio Lisboa, 21 Savage subiu ao Palco Mundo para uma atuação que deixou as opiniões divididas. O britânico, que é um dos maiores nomes do rap mundial deu um concerto para um público que já bem conhecia os seus temas. Entre eles, estavam Bank Account, redrum, a lot e No Heart, a abrir.
Nota de redação: Central Cee e 21 Savage não se deixaram fotografar pelo musicfest.pt

