Rock in Rio Lisboa (Dia 2): Foi a sepultura do pop

O passado dia 21 de junho, segundo dia do Rock in Rio Lisboa, foi pesado, para dizer pouco. Linkin Park mataram as saudades e o público esgotou o recinto mais uma vez, para fechar o primeiro fim de semana de festival.
O dia começou com o Punk dos Tara Perdida, que encontraram, no palco Super Bock uma casa cheia de gente para abanar o capacete e levantar os famosos devil’s horns’, ao som de um dos grandes nomes do Rock português.
A banda bem dizia que nada os ia parar, e acertou em cheio na afirmação. Tocaram uma set-list de 13 músicas, cuja fórmula é bastante simples: guitarras a rugir, bateria ensurdecedora, baixo fortíssimo e voz arranhada com níveis de energia a rebentar a escala. São estes elementos que descrevem um dia de trabalho dos Tara Perdida. A ocasião especial ficou marcada por temas como O Que É Que Eu Faço Aqui, a abrir o concerto de forma explosiva, Desalinhado, Nasci Hoje, Lisboa, que representou uma autêntica demonstração de amor à capital, e Bairro de Alvalade, na qual o público cantou em uníssono com a banda.
Já no palco Music Valley, houve um encontro da velha guarda do hip hop português, com os Dealema. A banda já encontrou um público muito bem composto e animado, a dançar ao som de um nome enorme da música portuguesa, com presenças muito fortes de Mundo Segundo e Expeão. A banda abriu o concerto com De Luz Maior, mas foram temas como Bairro, Sala 101 e que deixaram a marca mais forte no público e aqueceram o mesmo para a atuação seguinte de Sam The Kid.
Ao mesmo tempo que o rapper português subiu ao palco Music Valley, os Blasted Mechanism encheram totalmente o espaço do palco Super Bock e trataram o público por “tu”. A melhor maneira de descrever o concerto é mesmo dizer que este uniu gerações, os pioneiros do rock alternativo português depararam-se com pessoas novas que queriam ouvir a sua música pela primeira vez, bem como a velha guarda que os acompanha desde 1995, ano da sua fundação. O público testemunhou uma set-list recheada de história com temas como Sun Goes Down, New Militia a abrir em grande, e Generation. O concerto de Blasted Mechanism mostrou que não é só lá fora que se fazem coisas boas e fora do vulgar, e a banda fê-lo com um grande à-vontade em palco.
Num palco Mundo já bem composto, havia chegado a hora dos The Pretty Reckless, que foram uma das maiores surpresas do dia. O rock que os americanos entregaram foi a encomenda que o Rock in Rio não sabia que precisava, e a energia crua de Taylor Momsen foi absolutamente contagiante. Além disso, o público ainda desfrutou de um som de guitarra mais forte que o vento, por parte de Ben Phillips. Neste concerto, fizeram-de soar Death by Rock and Roll, Make Me Wanna Die, e temas do álbum novo Dear God, como When I Wake Up, que foi muito bem recebida pelos festivaleiros.
Enquanto P.O.D. traziam o peso ao Music Valley, os Kaiser Chiefs certamente trouxeram o groove. A melhor parte do concerto foi a abordagem de Ricky Wilson ao mesmo. O cantor interagiu vastamente com a plateia e tratou os milhares que estavam à sua frente como amigos, dizendo até o seu top 3 de países para tocar: Escócia em terceiro, Brasil em segundo e Portugal em primeiro, e foi este comentário do artista que levou o público à loucura e afirmou: a próxima hora é de diversão, saltos e dança, e foi assim mesmo que o Rock in Rio Lisboa recebeu a lua.
De volta ao palco mundo (ou seja, depois de duas horas a pé) os festivaleiros receberam Cypress Hill, mas de maneira um pouco morna, e é mesmo essa crítica que tem sido maioritariamente exposta neste concerto. Embora a energia do público não estivesse totalmente lá, a energia dos californianos certamente estava. Mantiveram o seu estilo e descontração até à reta final do concerto, na qual abdicaram de tocar a música final que haviam planeado, pois uma pessoa sentiu-se mal no meio da multidão. O destaque principal foi mesmo para a rápida reação que os músicos tiveram e para a mentalidade dos mesmos, que foi a de priorizar a segurança do público, e, por isso, foram amplamente aplaudidos. Embora a banda não tenha voltado a subir ao palco, provavelmente por questões de horário, ainda conseguiram tocar How I Could Just Kill a Man, Hits From the Bong, Insane in the Brain e até o seu cover de Rage Against The Machine, Bombtrack.
Foi pelas 22:15 que os palcos Super Bock e Music Valley voltaram a medir forças, desta vez com Hoobastank e Sepultura, respetivamente. Embora os Hoobastank tenham presenteado os festivaleiros com uma boa set-list e a icónica The Reason, que marcou gerações, o destaque vai para os ícones do metal brasileiro, que, com cerca de 10 segundos de concerto, já tinham o espaço cheio e um mosh-pit gigante a acontecer. O mais evidente foi que o público estava lá para abanar o capacete e ‘moshar’, visto que o som com que se deparou não foi o melhor, nem expôs o talento inacreditável de cada membro daquela banda. Neste tópico, o destaque vai mesmo para o som de guitarra de Andreas Kisser, que é absolutamente massivo. O concerto contou ainda com grandes temas, tais como Roots Bloody Roots, Ratamahatta, e a subida a palco de Sonny Sandoval, dos P.O.D., que apanhou todos de surpresa.
Já a chegar ao fim do dia, ocorreu o evento principal, chamado Linkin Park. A vontade de matar as saudades era imensa, e isso notou-se tanto no público, como na banda. O concerto começou com suspense (como era de esperar), com uma contagem decrescente de dez minutos, que pareceram dez anos para os fãs. Depois de cumpridos os dez minutos, começou o espetáculo de luzes e a introdução de The Emptiness Machine, do novo álbum “From Zero”, que abriu o concerto e promoveu o novo trabalho da banda, que é digno de levantar uma multidão. Entre quatro atos, o concerto dos Linkin Park consistiu de hit atrás de hit, e logo nas primeiras cinco músicas, o público já vibrava com Crawling, Up From the Bottom, também do novo álbum, e Somewhere I Belong.
Os intervalos entre cada ato contavam com um filme diferente, pois o intuito destas mudanças era retratar diferentes épocas da banda e diferentes temas. O segundo e explosivo ato teve BURN IT DOWN, Two Faced, One Step Closer, e o momento mais inédito da noite, onde Emily Armstrong se emociona a cantar Waiting for the End e é muito aplaudida por mostrar o seu lado mais vulnerável.
A transição para o terceiro ato foi a mais longa e estratégica. Mostrou-nos que os Linkin Park têm tudo pensado. Esta pausa longa serviu bem para as equipas médicas ajudarem quem precisava, de forma que todos tivessem uma experiência segura no concerto.
A banda reservou o fim do concerto para Papercut, In the End e Faint, para acabar com explosão.

