Rislene lança álbum de estreia “Poi Beat” com colaborações de Richie Campbell e Apollo G

A cantora e compositora cabo-verdiana Rislene lança hoje o seu aguardado álbum de estreia, já disponível em todas as plataformas digitais. Intitulado “Poi Beat”, o disco chega para consolidar uma trajetória que tem vindo a afirmar-se como uma das mais singulares e marcantes da nova música lusófona, num momento em que a artista é novamente reconhecida pela indústria, com nomeações para Intérprete Feminina do Ano e Hip Hop do ano nos Cabo Verde Music Awards (CVMA) 2026, depois de ter vencido o prémio de Artista Revelação na edição anterior.
O percurso até aqui aconteceu de forma tão inesperada quanto inevitável. Tudo começou quando o artista e encenador Diogo Gazella encontrou por acaso no YouTube um vídeo da Rislene a interpretar o tema “Tristi Vida”. Ficou imediatamente tocado pela letra e pela emoção da música, ao ponto de começar a utilizá-la no final da última cena de uma peça de teatro que tinha escrito. Mais tarde, Ana Moura foi assistir à peça e, ao ouvir aquela voz, quis saber quem era a cantora. Guardou o nome, falou dela ao seu manager e o interesse foi imediato. Pouco tempo depois, chegou o convite para integrar a Sony Music Portugal.
Quando começou a vir para Portugal, Rislene passou por uma fase de descoberta artística, trabalhando com vários produtores e explorando diferentes sonoridades até encontrar uma identidade realmente sua. Esse caminho consolidou-se através de um trio de produtores, a dupla Migz e Ariel em conjunto com Charlie Beats, de que assina também a mistura e masterização da grande maioria das faixas do álbum e um tema com produção de Easy Dadda.
“Poi Beat” é o resultado de três anos de criação entre Portugal, Cabo Verde e França, e o próprio nome carrega a história do processo. Numa fase inicial, a barreira linguística entre a artista e os produtores dificultava a comunicação. Sem uma língua comum, Rislene recorria a uma expressão simples que todos entendiam. Era assim que tudo começava: os produtores lançavam o instrumental e a artista respondia a cantar, experimentar e construir em tempo real aquilo que não conseguia explicar por palavras. Com o tempo, a expressão deixou de ser apenas funcional, tornou-se uma brincadeira interna, deu nome ao grupo de WhatsApp do estúdio e acabou por se transformar no título do álbum, um reflexo de um processo criativo feito de intuição, adaptação e conexão através da música.
O projeto nasceu de uma transformação profunda. “Este álbum nasceu literalmente do zero. Quando comecei a trabalhar nele, achava que o meu caminho era exclusivamente o rap e o boombap. Via-me como rapper, e cantava um pouco nos refrões mais para complementar as músicas do que propriamente por acreditar na minha voz. Nunca achei que a minha voz fosse algo especial”, recorda a artista. Até então, Rislene trabalhava sozinha, no quarto, a escrever letras à noite enquanto os filhos dormiam. A chegada ao estúdio e o trabalho com produtores desafiaram-na a olhar para si própria de outra forma. “Fizeram-me perceber que eu podia ser rapper e cantora ao mesmo tempo, e que podia criar o meu próprio som sem me limitar a um único género”, partilha.
Desse processo nasceu um universo sonoro que cruza o rap, o trap, o dancehall e o afro swing com as guitarras da morna, o ferro e toda a nostalgia da musicalidade cabo-verdiana, num encontro de referências que coexistem de forma natural ao longo das quinze faixas. A interpretação privilegia a emoção sobre a perfeição, reforçando a autenticidade da artista em cada tema. Em termos de mensagem, “Poi Beat” mergulha em temas pessoais como a vulnerabilidade, a solidão e o conflito interno, mas expande essa vivência para questões coletivas como a violência contra as mulheres, a pobreza e a exclusão social. “Falo quase sempre de histórias de vida, a minha e a das pessoas à minha volta. Este álbum foi escrito de um lugar muito introspectivo, de catarse, de sentimentos pesados e momentos difíceis, mas também de força, esperança e fé. Há quem diga que as minhas músicas são tristes, mas, no fundo, elas são apenas um reflexo honesto de quem eu sou”, afirma Rislene.
Ao longo dos últimos meses, a artista foi antecipando o álbum com o lançamento de cinco temas. “Desisti”, “Nha Kubiku” e “Nha Dignidade” estabeleceram as primeiras pontes com o público, revelando uma artista capaz de transformar vivências coletivas em canções que inspiram e permanecem. Mais recentemente, “Sodade” e “Ko Kai”, este último em colaboração com Richie Campbell, vieram reforçar a dimensão emocional e a coesão artística do projeto. A ligação com Richie Campbell nasceu em estúdio e foi-se construindo ao longo do tempo, depois de uma primeira colaboração no remix de “Before I Lose My Voice”. A parceria com Apollo G tem uma origem diferente mas igualmente orgânica: os dois conheceram-se durante uma viagem a Cabo Verde para os CVMA e a amizade que daí nasceu acabou por dar origem à música que hoje faz parte do álbum.
“Poi Beat” será apresentado ao vivo pela primeira vez em Portugal no dia 4 de julho no Sumol Summer Fest.
Fonte: Press Release

