Quando for grande, quero ser como o Bonga – A reportagem no Tivoli BBVA

Quando for grande, quero ser como o Bonga - A reportagem no Tivoli BBVA

Recados de Fora é o nome do mais recente trabalho musical de José Adelino Barceló de Carvalho, a.k.a. Bonga. O artista nascido em Angola, em 1942, não acusa a idade que tem: canta, toca e comunica com o público, como poucos sabem fazer. Estivemos no Tivoli BBVA, em Lisboa, para ver, ouvir, rir e – claro! – dançar ao som da Mariquinha  – naquele que foi o último concerto de 2016, para a equipa #musicfestpt.

Foi uma sala esgotada, aquela que recebeu o artista angolano Bonga e os músicos que o acompanharam na apresentação do novo trabalho. Tonokeno, Banza Remy e Odji Maguados abriram a noite, de forma calma e tranquila. “Sem pressas”, como diria o próprio artista. Saudade Meu Bem, um tema que une Portugal, Angola e Brasil, trouxe um cheiro de fado à sala lisboeta. “Eu não sou fadista”, avisou, “e o semba já aí vem”. Kambuá foi o primeiro tema a fazer com que algumas pessoas se levantassem, timidamente, dos seus lugares para deixar o corpo aceder ao pedido da música. Mulemba Angola também ajudou. Mas claro, foi com Mariquinha, um tema emblemático. “Eu sabia que se iam levantar”, disse Bonga. Frutas de Vontade também foi um tema muito dançado, por velhos e novos, por pretos e brancos. Afinal, “o futuro é multicolor, p’ra frentex“, afirmou Bonga. Se é p’ra frentex, o futuro também é Bonga.

Um comunicador nato, um contador de histórias. Mas também um cantor de intervenção, a quem as questões políticas do seu país natal não são indiferentes. Bonga é, ainda, a figura pública cuja morte mais vezes foi anunciada no twitter. A hashtag #ripbonga chegou a pertencer aos trending topics daquela rede social, durante algum tempo. Parece que o efeito foi inverso e Bonga mantém-se firme: na música que faz, nas suas convicções e na sua forma de estar perante o público. Este é constituído por avós, filhos e netos. E todos dançam, todos pulam, todos sorriem e riem com o cantor – ou o kota, como se auto-intitula.

A última vez que vimos Bonga, ao vivo, foi no Red Bull Music Academy Culture Clash Lisboa. O artista – que chegou a ser campeão de atletismo – chega aos 74 anos com uma presença física e um estado de espírito invejáveis. Vemo-lo em palco, a cantar, a dançar, a tocar e a verdade é que parece que os anos não passaram por ele. Desde Angola 72 até Recados de Fora, o seu percurso musical inclui ainda a produção de bandas sonoras para filmes e cerca de 400 composições da sua autoria. À parte disso, Bonga até tem um vinho tinto, de Palmela, com o seu nome, em jeito de homenagem.

Numa altura em que a música africana se tornou uma rotina na noite lisboeta, transbordando de casas míticas como o B.Leza para as discotecas mais comuns, foi bonito ver uma sala como o Tivoli BBVA rendida à alegria do semba de Bonga e da sua banda. Nada como um pezinho de dança para fechar mais um ano de reportagens em concertos.

Até sempre, Bonga. Que a força do semba esteja sempre contigo.

Joana Rita  

Joana Rita é filósofa, criadora de conteúdos, formadora e investigadora. Ah! E uma besta muito sensível.


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